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    CRÉDITO: ANDRÉS SANDOVAL_2025

esquina

Futebol nômade

A interminável peregrinação de um time do Rio de Janeiro

João Felipe Carvalho | Edição 221, Fevereiro 2025

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Na partida daquela tarde de 4 de agosto passado, no Estádio Moça Bonita, no Rio de Janeiro, parecia só haver torcedores do time visitante, o Maricá Futebol Clube. Com cantos adaptados de torcidas consagradas do país, seus gritos de incentivo ressoavam por todo canto na arena em Bangu, bairro da Zona Oeste: Olê, olê olê olê!/Sou Maricá de coração/Eu sou do time que vai ser o campeão.

Do lado do time rival, ouviam-se apenas alguns vagidos tímidos, pedindo: “Vamos, vamos!” Eram familiares dos jogadores, torcendo mais para eles do que propriamente para o Audax Rio de Janeiro Esporte Clube, que, apesar de ser o mandante da partida, não jogava em casa. Aliás, que casa?

O Audax fluminense é um raro caso de clube itinerante. O time abrigou-se em seis cidades diferentes nos últimos seis anos. Surgiu em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Mudou-se para Miguel Pereira, no centro-sul do estado do Rio. Instalou-se por algum tempo em Osasco, na Grande São Paulo. Transferiu-se então para Angra dos Reis. Em seguida, foi viver em Maricá, no litoral fluminense. Agora, está aninhado em Bangu. No papel, porém, sua sede continua em São João do Meriti, apenas para cumprir a obrigação legal. “Não vou pagar 500 mil reais para mudar de cidade”, diz o paulista Gustavo Ferranti Teixeira, de 48 anos, presidente do clube.

 

Esse nomadismo foi afastando os torcedores, que parecem abandonar o time tão logo ele resolve abandonar a cidade. “Torcedor do Audax? De torcer mesmo? Não conheço. Boa sorte na procura”, me disse um espectador, no dia da partida no Moça Bonita.

 

Na origem de tudo está o Sendas Esporte Clube, que, ao ser criado em 2005, adotou o nome de sua fundadora, uma rede de supermercados que fazia parte do grupo Pão de Açúcar. Era um time voltado para categorias juvenis em São João de Meriti. Anos depois de se profissionalizar e com a extinção da marca Sendas, mudou o nome para Audax – “audacioso” em latim. É como também se chama seu time irmão, o Audax paulista, bancado igualmente pelo Pão de Açúcar.

Quando o grupo francês Casino, associado ao Pão de Açúcar, resolveu em 2013 se desfazer dos dois clubes que bancavam, entraram em cena Gustavo Ferranti e seu pai, Mário Teixeira, ex-executivo do Bradesco, de 78 anos.

 

A dupla, que já financiava o Grêmio Esportivo Osasco, assumiu os dois Audax. Gastava na época em torno de 2,5 milhões de reais por ano com os três times, segundo Ferranti. A despesa chegou até a gerar um imbróglio familiar. “Tenho vários conflitos com meu pai porque, à medida que ele aportava dinheiro nos clubes, diminuía o que iria sobrar para mim”, diz. “Ele nunca viu o futebol como meio de ganhar dinheiro. Muito pelo contrário.”

O negócio não deu muito certo. O Grêmio Esportivo Osasco passou a receber menos aportes financeiros e desde 2021 não tem equipe profissional. O Audax paulista entrou em queda livre após um vice-campeonato estadual em 2016 e hoje está na quarta divisão. O Audax Rio teve de se mudar de São João de Meriti em 2019, depois que as instalações que ocupava foram devolvidas à família Sendas.

Ferranti pensava em encerrar as atividades do time, quando o então prefeito de Miguel Pereira, André Português (PSC), cedeu, em 2020, um espaço para a equipe. Em troca, o time passou a se chamar Audax Miguel Pereira. Problemas de logística não demoraram a surgir. Segundo Ferranti, o estádio da cidade, o Fructuoso Fernandes, não tinha condições de receber jogos nem mesmo entre times de pouca expressão.

 

A alternativa foi treinar em Miguel Pereira e jogar as partidas no estádio do Avelar, em Paty do Alferes, a cerca de 25 km dali. O pinga-pinga não funcionou, e a situação piorou quando a prefeitura deixou de cumprir os acordos com o time – que fez as malas novamente. “Tenho muito carinho pela cidade de Miguel Pereira, mas os atletas não queriam se mudar para lá”, conta Ferranti. “E hospedar toda essa gente, pagando alimentação, é caro.”

A fim de economizar, a direção levou os jogadores em 2021 para as instalações do Audax São Paulo, em Osasco. O vaivém entre os estados de São Paulo e Rio deu resultado naquele ano, quando o Audax ganhou a série A2 do Campeonato Carioca, obtendo acesso à elite do futebol do estado. Mas a logística e os custos com viagens começaram a pesar, e o Audax foi atrás de um novo pouso. Estabeleceu-se em Angra dos Reis e mudou de nome mais uma vez: virou Angra Audax.

A parceria com a prefeitura frutificou. Em 2022, foram feitas melhorias estruturais e instaladas arquibancadas no Estádio Jair Carneiro Toscano de Brito, que abrigou o empate por 2 a 2 entre o Angra Audax e o Botafogo, pelo Campeonato Carioca. Habitualmente, as partidas do time local reuniam em média cem torcedores. Naquele dia 13 de março, havia muito mais entre as 2 127 pessoas, apesar da maioria botafoguense.

 

Em 2023, o Angra Audax chegou à sua melhor colocação geral no campeonato estadual: obteve o sexto lugar na série A e, com isso, garantiu vaga na sé­rie D do Campeonato Brasileiro. Mas o barraco desabou novamente. “O Campeonato Carioca de 2023 teve muitas reclamações em relação ao vestiário do estádio Toscano de Brito, mas a Prefeitura de Angra dos Reis disse que as reformas teriam de partir do nosso bolso”, diz Ferranti. Outro agravante foi o aumento dos preços de hospedagem na cidade litorânea, com o reaquecimento do setor hoteleiro depois da pandemia. Tinha chegado a hora de ciscar em outro ninho.

Maricá foi a solução vislumbrada pelo então diretor do clube, Márcio Silva do Carmo, por causa da construção de um novo estádio, o João Saldanha, com capacidade para 2 mil torcedores. O Audax tirou Angra do nome e se mudou para lá em 2023. Mas, segundo Ferranti, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro não deixou o time jogar em Maricá, por falta de laudos de segurança emitidos por órgãos públicos. “Tivemos, então, que pagar para jogar em Saquarema.”

A estadia em Maricá rendeu a pior campanha de um clube do Campeonato Carioca no século. O Audax perdeu as onze partidas que disputou pelo torneio em 2024 e voltou à série A2. “Olhando para trás, vejo como um erro a decisão de sair de Angra”, lamenta Ferranti, que não viu outra saída senão convidar Márcio Carmo a se retirar da diretoria do clube. No lugar dele, assumiu Renato Asevedo, de 50 anos, que é também assessor parlamentar do deputado estadual Manoel Brazão (União Brasil-RJ). Com o novo diretor, o time resolveu mudar de ares: deixou Maricá e se instalou em Bangu, bairro do Rio, onde manda suas partidas no Estádio Moça Bonita.

O custo de manutenção do Audax está atualmente em torno de 1 milhão de reais por ano, segundo Asevedo. Para aumentar a receita, é necessário que o Audax retorne à elite estadual do futebol. “Tenho três objetivos: voltar à primeira divisão carioca, tornar o clube autossustentável e captar jovens jogadores no Rio”, diz Ferranti.

Nem ele nem Asevedo se preocupam muito com a escassez de torcedores. “Nosso objetivo é fazer futebol. Contra o América-RJ, colocamos a base inteira para assistir. Deu mil torcedores lá”, conta. “Tem lugares que dão incentivos para a pessoa torcer. O Audax não faz isso”, afirma Ferranti.

Mais importante, parece, é buscar o quanto antes uma parceria com outro município, o que Asevedo já está empenhado em fazer. “Somos de todas as cidades e de nenhuma”, diz ele.

João Felipe Carvalho
João Felipe Carvalho

Checador e repórter da piauí

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