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    O escritor Joseph Brodsky, em Veneza, em 1989: “Não é de admirar que a água dessa cidade pareça de um verde lodoso durante o dia e um verdadeiro breu à noite, rivalizando com o firmamento” CRÉDITO: GRAZIANO ARICI_AGE FOTOSTOCK_ EASYPIX BRASIL_1989

carta da itália

Labirintos de Veneza

Nunca sabemos se estamos em busca de alguma coisa ou se fugimos de nós mesmos, se somos caça ou caçador

Joseph Brodsky | Edição 210, Março 2024

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Numa tarde de novembro de 1977, no Londra, onde eu me hospedara em Veneza por cortesia de uma bienal dedicada ao tema da dissidência política, recebi um telefonema de Susan Sontag, então alojada no Gritti pelas mesmas circunstâncias. “Joseph”, ela disse, “o que você vai fazer hoje à noite?” “Nada”, respondi. “Por quê?” “Bem, eu topei com a Olga Rudge na piazza. Você a conhece?” “Não. A mulher do Pound?” “Isso”, disse Susan. “Ela me convidou para ir à casa dela hoje à noite. Tenho medo de ir sozinha. Você iria comigo, se não tiver outros planos?” Eu não tinha outros planos, então disse que iria, sim, compreendendo bem sua apreensão. A minha, pensei, poderia ser até maior. Para começo de conversa, na minha área de trabalho, Ezra Pound é um negócio muito importante, quase um mercado inteiro. Muitos grafomaníacos americanos encontraram em Ezra Pound tanto um mestre quanto um mártir. Quando jovem, traduzi alguns de seus poemas para o russo. As traduções eram um lixo, mas quase foram publicadas graças a um “criptonazi” que integrava o conselho editorial de uma revista literária consolidada (hoje esse homem é um nacionalista ávido, naturalmente). Eu gostava do original por seu frescor juvenil e seu verso sucinto, sua diversidade estilística e temática, as robustas referências culturais, na época fora do meu alcance. Também gostava do famoso dictum – Make it new, renovemos as coisas –, até que compreendi que a verdadeira razão para “renovar” era o fato de que as tais “coisas” eram bastante velhas e que, no fim das contas, nós estávamos num salão de beleza. Quanto às suas provações no hospital St. Elizabeths, aquilo, aos olhos de um russo, não era motivo de estardalhaço, além de ser um destino muito mais aprazível do que os 9 gramas de chumbo que suas baboseiras radiofônicas dos tempos da guerra lhe garantiriam em outro lugar. Os cantos tampouco me comoveram; o principal equívoco era antigo: buscava a beleza. Para alguém que vivera tantos anos na Itália, era curioso que ele não tivesse percebido que a beleza não se busca, ela é sempre um subproduto de outras buscas, não raro muito banais. A coisa mais justa a fazer, eu pensava, era publicar seus poemas e seus discursos num único volume, sem nenhuma introdução acadêmica, e ver o que acontecia. Mais do que qualquer outra pessoa, um poeta deveria saber que a distância entre Rapallo[1] e a Lituânia inexiste para o tempo. Por último, acreditava também que arruinar a própria vida é mais honroso do que insistir na postura de gênio perseguido, incluindo aí aquela história de erguer o braço numa saudação fascista ao retornar à Itália (negando depois qualquer significado naquele gesto), as entrevistas reticentes, o expediente da capa e da bengala para cultivar uma aparência de sábio cujo resultado final era ficar parecendo Hailé Selassié.[2] De todo modo, ele ainda era um grande nome entre alguns amigos meus, e agora eu visitaria sua velha senhora.

O endereço que nos foi dado ficava no sestiere[3] Salute, a parte da cidade que, até onde sei, abriga a maior porcentagem de estrangeiros, especialmente anglo-saxões. Depois de algumas curvas aqui e ali, encontramos o lugar – não muito longe, por sinal, da casa em que Régnier[4] morou no começo do século. Tocamos a campainha, e a primeira coisa que vi depois que a pequena mulher de olhinhos brilhantes tomou forma no umbral foi o busto do poeta, feito por Gaudier-Brzeska,[5] no chão da sala de visitas. A mordida do tédio foi súbita, mas inequívoca.

O chá foi servido; mal tínhamos tomado o primeiro gole quando a anfitriã – uma senhora pequenina, bem-arrumada, de cabelos grisalhos – ergueu um dedo afiado que deslizou para um sulco mental invisível, e de seus lábios enrugados irrompeu uma ária cuja partitura se encontra em domínio público pelo menos desde 1945. A ária explicava que Ezra não era fascista; que havia o temor de que os americanos (coisa bem estranha de dizer, vindo de uma americana) mandariam Ezra para a cadeira elétrica; que ele não sabia de nada do que andava acontecendo; que não havia alemães em Rapallo; que ele viajava de Rapallo a Roma apenas duas vezes por mês para as transmissões de rádio; que os americanos, mais uma vez, estavam errados em pensar que Ezra… A certa altura parei de registrar o que ela dizia – o que para mim é fácil, já que o inglês não é minha língua nativa – e me limitei a balançar a cabeça durante suas pausas ou sempre que ela pontuava seu monólogo com algum tique, como “Capito?”. Uma gravação, pensei; a voz do dono. Seja educado e não interrompa a senhora; é lixo, mas ela acredita. Há algo em mim que sempre respeita o elemento físico da oralidade humana, independentemente do conteúdo. O simples movimento dos lábios é mais essencial do que aquilo que os move. Afundei na poltrona e tentei me concentrar nos biscoitos, já que não havia jantar.

 

O que me despertou de meus devaneios foi o som da voz de Susan, indicando que a gravação se interrompera. Como havia algo estranho em seu timbre, agucei o ouvido. Susan dizia: “Mas, Olga, você certamente não acredita que os americanos ficaram contrariados com Ezra por causa daquelas transmissões. Se a coisa se resumisse a isso, Ezra seria só mais uma Tokyo Rose.”[6] Aquela foi uma das melhores invertidas que ouvi na vida. Olhei para Olga. Verdade seja dita: ela aguentou o golpe de cabeça erguida. Ou melhor, como uma profissional. Ou então não compreendeu o que Susan quis dizer, embora eu duvide. “Qual era o motivo então?”, ela perguntou. “O antissemitismo de Ezra”, respondeu Susan, e logo vi a agulha de coríndon no dedo da velha entrar mais uma vez em ação. Deste lado do disco se ouvia: “É preciso entender que Ezra não era antissemita; que seu nome, afinal, era Ezra; que alguns de seus amigos eram judeus, incluindo um almirante veneziano; e que…” A melodia era igualmente conhecida e igualmente longa – coisa de 45 minutos; mas dessa vez precisávamos partir. Agradecemos a recepção e nos despedimos. De minha parte, não senti a tristeza que em geral se sente quando deixamos a casa de uma viúva – ou simplesmente quando abandonamos qualquer pessoa num lugar solitário. A velha estava em boa forma, razoavelmente bem de vida; além disso, tinha o conforto de suas convicções – um conforto que, pensei, ela faria de tudo para defender. Creio que jamais conhecera um fascista, jovem ou velho; contudo, já tinha lidado com um número considerável de antigos membros do PC, e é por isso que um chá na casa de Olga Rudge, com aquele busto de Ezra no meio da sala, me soava, por assim dizer, familiar. Viramos à esquerda e dois minutos depois nos encontrávamos na Fondamenta degli Incurabili.[7]

Ah, o velho e bom poder sugestivo da linguagem! Ah, a lendária habilidade das palavras de insinuar mais do que a realidade pode oferecer! É do ofício, sem tirar nem pôr. Claro, o “Cais dos Incuráveis” remonta à peste, às epidemias que todos os séculos costumavam varrer metade da cidade com a regularidade de um funcionário do censo. O nome evoca os casos sem esperança, não tanto os que perambulavam por ali, mas os que já se espalhavam pelas lajes, francamente agonizantes, envoltos em sudários, esperando o momento de serem carregados – ou antes, embarcados – e levados para longe. Tochas, fumos, máscaras de gaze para prevenir a inalação, o ruge-ruge das batas e hábitos dos monges, capas negras esvoaçantes, velas. Gradualmente, contudo, a procissão funerária se transforma num Carnaval, ou num desfile, e será preciso usar uma máscara, pois aqui todo mundo conhece todo mundo. Acrescentem-se a isso poetas e compositores tuberculosos; acrescentem-se homens de convicções imbecis ou estetas desesperadamente apaixonados por esta cidade, e o cais então talvez mereça o nome que tem, a realidade por fim alcançando a linguagem. Acrescente-se também que, desde o início, o jogo entre peste e literatura (sobretudo a poesia, e a poesia italiana em particular) foi bastante intricado. E que a descida de Dante ao mundo das sombras deve tanto a Homero e a Virgílio – cenas, no mais, episódicas na Ilíada e na Eneida – quanto a certa literatura medieval bizantina dedicada à cólera, com seu tradicional conceito do enterro prematuro e da posterior peregrinação da alma. Diligentes intermediários do mundo das sombras circulavam pela cidade assolada pela cólera e muitas vezes, ao avistar um corpo terrivelmente desidratado, encostavam seus lábios nas narinas do moribundo e sugavam seu espírito vital, proclamando-o morto e pronto para o enterro. Uma vez sob a terra, o indivíduo atravessava corredores e câmaras infinitas e, sob a alegação de ter sido injustamente consignado ao reino dos mortos, buscava reparação. Ao obtê-la, em geral depois de enfrentar um tribunal presidido por Hipócrates, ele retornava cheio de histórias a respeito daqueles com quem havia topado naquelas câmaras e corredores: reis, rainhas, heróis, mortais de fama e infâmia em seu tempo, arrependidos, resignados, orgulhosos. Soa familiar? Bem, quanto aos poderes sugestivos do ofício, isso me parece o bastante. Nunca sabemos o que engendra o quê: se uma experiência engendra uma linguagem, ou se uma linguagem engendra uma experiência. Ambas são capazes de engendrar uma porção de coisas. Quando a pessoa está terrivelmente doente, ela imagina consequências e evoluções que, até onde se sabe, nunca acontecerão. Trata-se aqui do pensamento metafórico? A resposta, creio, é sim. A questão é que, quando estamos doentes, esperamos, mesmo contra toda a esperança, que a doença terá um fim. O fim da doença é, então, o fim de suas metáforas. Uma metáfora – ou, para dizê-lo de forma mais ampla, a própria linguagem – é, na maior parte, ilimitada, almeja um continuum: uma vida após a morte, se preferirem. Em outras palavras (com o perdão do chiste), a metáfora é incurável. A tudo isso acrescente-se também você mesmo, vetor desse ofício, ou desse vírus – ou de um par deles, afiando os dentes para um terceiro –, você que vaga numa noite de ventania pela Fondamenta, cujo nome, ignorando a natureza particular de sua enfermidade, proclama, não obstante, seu diagnóstico.

A luz do inverno nesta cidade! Essa luz tem a extraordinária propriedade de conferir uma precisão microscópica à capacidade de resolução dos olhos – a pupila, especialmente quando da variedade acinzentada ou próxima da mostarda e mel, desbanca qualquer lente Hasselblad e revela suas memórias subsequentes com uma nitidez digna da National Geographic. O céu é de um azul translúcido; a figura dourada do Sol, escapulindo sob os pés de San Giorgio, pavoneia-se sobre as incontáveis escamas de peixe das ondulações saltitantes da laguna; às suas costas, abaixo das colunatas do Palazzo Ducale, um grupo de senhores hirsutos em casacos de pele ataca Eine kleine nachtmusik[8] só para você, largado em sua cadeira branca, acompanhando à distância os gambitos enlouquecidos dos pombos no tabuleiro de xadrez de um vasto campo. O espresso no fundo de sua xícara lhe parece o único ponto negro num raio de muitas milhas. Assim é o meio-dia por aqui. Pela manhã essa luz bate com o peito no vidro da janela e, depois de abrir a muito custo, qual uma concha, nosso olho, parte à nossa frente, tangendo seus longos raios pelas arcadas, colunatas, chaminés de tijolos vermelhos, santos e leões, como um estudante que corre apressado batendo um graveto ao longo da grade de ferro de um parque ou jardim. “Pinte! Pinte!”, ela grita, talvez te confundindo com algum Canaletto ou Carpaccio ou Guardi, ou talvez por não confiar na habilidade de sua retina de reter o que se oferece, sem falar da capacidade de seu cérebro de absorvê-lo. Esse último caso talvez explique o anterior. Talvez sejam sinônimos. Talvez a arte seja simplesmente uma reação do organismo contra suas limitações restritivas. De qualquer mo­do, você obedece ao comando e pega a câmera, suplantando tanto suas células cerebrais quanto sua pupila. Se esta cidade um dia ficar sem dinheiro, ela poderá recorrer diretamente à Kodak em busca de auxílio – ou no mínimo taxar seus produtos furiosamente. Da mesma forma, enquanto este lugar existir, enquanto a luz de inverno iluminá-­lo, as ações da Kodak serão sempre o melhor investimento.

 

No pôr do sol, todas as cidades parecem esplêndidas, algumas mais do que outras. Os relevos tornam-se mais suaves, as colunas mais rotundas, os capitéis mais encaracolados, as cornijas mais resolutas, os pináculos mais afiados, os nichos mais profundos, os discípulos mais bem-vestidos e os anjos mais aéreos. Nas ruas escurece, mas ainda é dia para a Fondamenta e para o imenso espelho líquido onde os barcos a motor, os vaporetti, as gôndolas, os botes e as chatas, “como velhos sapatos desparelhados”, pisoteiam fachadas góticas e barrocas, sem perdoar nosso reflexo ou o de uma nuvem passageira. “Pinte-a”, sussurra a luz de inverno, de súbito atravessada pela parede de tijolos de um hospital ou chegando enfim a seu lar no paraíso do frontone de San Zaccaria,[9] depois de sua longa travessia pelo cosmos. É possível sentir o cansaço dessa luz que descansa por quase uma hora nas conchas de mármore de Zaccaria, enquanto a Terra oferece sua outra face ao astro luminoso. Essa é a luz do inverno em sua forma mais pura. Não traz nem calor nem energia, que ficam para trás, dissipados em alguma parte do universo, ou em alguma grande nuvem próxima. A única ambição de suas partículas é alcançar um objeto e fazê-lo visível, seja ele grande ou pequeno. É uma luz íntima, a luz de Giorgione ou Bellini, não a luz de Tiepolo ou Tintoretto. E a cidade demora-se nela, saboreando seu toque, a carícia da amplidão sem fim de onde ela veio. Um objeto, afinal, é o que torna íntimo um infinito.

E o objeto, por sinal, pode ser um pequeno monstro, com cabeça de leão e corpo de golfinho. O último corrupia, enquanto o primeiro mostra as garras. O pequeno monstro pode adornar uma entrada ou simplesmente irromper de uma parede sem nenhum propósito aparente, o que por isso mesmo o faria curiosamente reconhecível. Em certo tipo de trabalho, e a certa altura da vida, nada é mais reconhecível do que a ausência de propósito. O mesmo vale para uma fusão de dois ou mais traços ou propriedades, para não falar dos gêneros. No geral, todas essas criaturas de pesadelos – dragões, gárgulas, basiliscos, esfinges com seios, leões alados, cérberos, minotauros, centauros, quimeras – que nos chegam da mitologia (a qual, por direito, deveria ter o status de surrealismo clássico) são nossos autorretratos, no sentido de que expressam a memória genética da evolução da espécie. Não é de espantar que, nesta cidade nascida da água, abundem essas figuras. Mais uma vez, não há nada de freudiano nelas, nada sub ou inconsciente. Dada a natureza da realidade humana, a interpretação dos sonhos é uma tautologia e, na melhor das hipóteses, só pode ser justificada pela relação entre a luz do dia e a escuridão. É duvidoso, contudo, que esse princípio democrático seja operacional na natureza, onde nada goza de maioria. Nem mesmo a água, embora ela tudo reflita e refrate, inclusive a si mesma, alternando formas e substâncias, ora suave, ora monstruosamente. É isso que explica a qualidade da luz de inverno aqui; é o que explica seu apreço pelos pequenos monstros e pelos querubins. Querubins, presume-se, também são parte da evolução da espécie. Ou talvez aqui tenhamos o contrário, pois é possível que uma análise do censo revele que, nesta cidade, eles são mais numerosos do que os nativos.

Monstros, contudo, demandam mais nossa atenção. Talvez porque esse termo nos seja arremessado com mais frequência do que o outro; talvez porque, em nosso espaço, só ganhamos asas na Força Aérea. Nossa consciência culpada bastaria para nos identificar com qualquer uma dessas invenções de mármore, bronze ou estuque – no mínimo com o dragão, mais do que com San Giorgio. Num ofício que envolve mergulhar a pena no tinteiro, podemos nos identificar com ambos. Afinal, não há santo sem monstro – sem falar da afinidade octópode da tinta. No entanto, mesmo sem refletir sobre essa ideia ou refratá-la, é óbvio que esta é uma cidade de peixes, tanto dos que foram fisgados quanto dos que nadam livres por aí. E, visto por um peixe – um peixe agraciado, digamos, de um olho humano, evitando sua célebre distorção –, o homem pareceria, de fato, um monstro; não um octópode, talvez, mas certamente um quadrúpede. Algo no mínimo bem mais complexo do que o próprio peixe. Caso perguntássemos a uma simples orata[10] – mesmo uma orata livre, jamais capturada – o que ela pensa de nossa aparência, ela diria: sois monstros. E a convicção em sua voz seria estranhamente familiar, como se o seu olho fosse da variedade mostarda e mel.

 

Assim, quando atravessamos esses labirintos, nunca sabemos se estamos em busca de alguma coisa ou se fugimos de nós mesmos. Se somos caça ou caçador. Com certeza não somos santos, mas talvez ainda não sejamos completos dragões; dificilmente um Teseu; tampouco um Minotauro, ávido de donzelas. Mas a versão grega soa melhor, já que o vencedor nada ganha, pois matador e morto eram parentes. O monstro, afinal, era meio-irmão da recompensa; meio-irmão, em todo caso, da futura esposa do herói. Ariadne e Fedra eram irmãs, e, até onde se sabe, o bravo ateniense possuiu as duas. Na verdade, com o intuito de se unir pelo matrimônio à família do rei de Creta, é possível que ele tenha aceitado o encargo assassino para tornar sua família mais respeitável. Como netas de Hélio, as garotas tinham de ser puras e brilhantes; era o que seus nomes sugeriam. Ora, até mesmo a mãe delas, Pasífae, era, apesar de todas as suas pulsões obscuras, Ofuscantemente Radiante. E talvez tenha se entregado àquelas pulsões obscuras, e com o touro, precisamente para provar que a natureza negligencia o princípio da maioria, pois os cornos do touro sugerem a Lua. Talvez ela estivesse interessada nesse chiaroscuro, não em bestialidades. Eclipsou o touro por motivos puramente ópticos. A cegueira do touro, cujo pedigree tão simbólico remonta às pinturas rupestres, para se deixar enganar pela vaca artificial que Dédalo havia construído para Pasífae serviu de prova de que a ancestralidade dela ainda era dominante no sistema de causalidades, que a luz de Hélio, nela, Pasífae, refratada, ainda era – depois de quatro crianças (duas excelentes filhas e dois garotos imprestáveis) – ofuscantemente radiante. Quanto ao princípio da causalidade, deve-se acrescentar que o principal herói nessa história é sem dúvida Dédalo, que, além de uma vaca muito convincente, construiu – dessa vez a pedido do rei – o próprio labirinto onde o rebento de cabeça de touro e seu matador vieram a se enfrentar, com consequências desastrosas para o primeiro. Pode-se dizer que o empreendimento todo é obra da mente de Dédalo, sobretudo o labirinto, que se assemelha a um cérebro. E pode-se dizer que todos compartilhamos algum parentesco – pelo menos o perseguidor e o perseguido. Não é de admirar, então, que nossas perambulações sinuosas pelas ruas desta cidade, cuja principal colônia por quase três séculos foi a Ilha de Creta, pareçam um tanto ou quanto tautológicas, sobretudo quando a luz esvanece – quer dizer, sobretudo quando suas propriedades pasifaescas, ariádnicas e fédricas falham. Em outras palavras, sobretudo ao anoitecer, quando nos entregamos à autodepreciação.

O lado bom é que há, claro, muitos leões: leões alados, com seus livros abertos em “Que a paz esteja convosco, São Marcos, o Evangelista”, ou leões de aparência felina mais tradicional. Os alados, estritamente falando, também pertencem à categoria dos monstros. Dada a minha ocupação, contudo, sempre os considerei uma forma mais ágil e letrada do cavalo Pégaso, que decerto pode voar, mas cuja habilidade para a leitura é um tanto mais duvidosa. Em todo caso, para virar páginas, a pata é um instrumento mais apropriado do que o casco. Nesta cidade, os leões são onipresentes, e eu, sem me dar conta, acabei aderindo a esse totem ao longo dos anos, a ponto de pôr um deles na capa de um dos meus livros: o mais próximo que alguém do meu ramo pode chegar de ter sua própria fachada. No entanto, são monstros pelo simples fato de serem um produto da fantasia da cidade, visto que esta república, mesmo no zênite de seu poder marítimo, jamais dominou qualquer território onde se pudesse deparar com tal animal, nem em sua forma não alada. (Os gregos acertaram mais ao escolherem o touro, apesar do pedigree neolítico.) Quanto ao próprio evangelista, ele morreu em Alexandria, Egito – mas de causas naturais –, e jamais foi a um safári. Em geral, o trato da cristandade com os leões é irrelevante, já que esses animais não podiam ser encontrados em seus domínios, habitando unicamente a África – e mesmo lá apenas em vastidões desérticas. Isso, claro, contribuiu para a posterior associação dos leões aos pais do deserto; fora isso, os cristãos teriam visto o animal apenas quando lhes servia de dieta nos circos romanos, que importavam leões da costa africana para seus divertimentos. Essa falta de familiaridade – melhor dizer, sua não existência – foi o que despertou a fantasia dos antigos, possibilitando-lhes atribuir a esses animais vários aspectos sobrenaturais, incluindo o comércio com o divino. Assim, não é inteiramente assombroso que o leão marque presença nas fachadas venezianas no improvável papel de guardião do repouso eterno de São Marcos; quando não a igreja, então a própria cidade pode ser vista como uma leoa protegendo sua cria. Além disso, nesta cidade a Igreja e o Estado fundiram-se, bem à moda bizantina. O único caso, devo acrescentar, em que tal fusão acabou sendo – desde cedo – proveitosa aos súditos. Não admira, então, que o lugar tenha levado a parte do leão, e que o próprio leão, sem deixar de perder a majestade, tenha sido humanizado. Em cada cornija, em quase toda entrada, vê-se um focinho com aspecto humano, ou uma cabeça humana com traços leoninos. Ambos, em última análise, qualificam-se como monstros (embora do tipo benevolente), já que nunca existiram. E também conta sua superioridade numérica em relação a qualquer outra imagem entalhada ou esculpida, incluindo aquelas da Madona e do próprio Redentor. Por outro lado, é mais fácil entalhar a imagem de um animal do que a figura humana. Basicamente, o reino animal não foi muito prestigiado na arte cristã – sem falar na doutrina. Assim, o orgulho local pelos Felidae pode ser considerado uma forma de compensação. No inverno, eles iluminam o entardecer.

Certa vez, num entardecer que escurecia pupilas acinzentadas, mas dourava aquelas da variedade mostarda e mel, a dona destas últimas e eu deparamos com um navio de guerra egípcio – um cruzador de pequeno porte, para ser preciso – atracado na Fondamenta dell’Arsenale, perto dos Giardini. Não recordo seu nome agora, mas seu porto natal era definitivamente Alexandria. Tratava-se de um equipamento naval moderno, repleto de toda sorte de antenas, radares, discos satélites, lançadores de foguetes, torreões antiaéreos etc., além das tradicionais armas de grande calibre. À distância não se podia dizer sua nacionalidade. Mesmo bem de perto era possível se confundir, pois os uniformes e o comportamento geral da tripulação pareciam vagamente britânicos. A bandeira já havia sido arriada, e o céu sobre a laguna mudava do bordô ao pórfiro escuro. Enquanto nos indagávamos sobre a natureza da errância que levara aquele navio de guerra até ali – reparos? um novo relacionamento entre Veneza e Alexandria? uma velha relíquia sagrada roubada desta última no século XII? –, seus alto-falantes de súbito despertaram e ouvimos: “Allahu, Akbar. Allahu Akbar!” Era o muezim convocando a tripulação para a oração noturna, os dois mastros do navio transformando-se momentaneamente em minaretes. Num lance rápido o cruzador era agora Istambul de perfil. Senti como se o mapa repentinamente se dobrasse ou o livro de história se fechasse diante de meus olhos. Ou pelo menos ficasse seis séculos mais curto: a cristandade já não era a irmã mais velha do Islã. O Bósforo sobrepunha-se ao Adriático, e era impossível dizer a qual deles pertencia cada onda. Nada a ver com a arquitetura.

Nas noites de inverno, impelido pelo vento Leste, o mar inunda os canais, que por vezes transbordam, como banheiras. Ninguém sobe as escadas às pressas, gritando “Os canos!”, pois não há andar de baixo. A cidade está afundada na água até os tornozelos, e os barcos, “presos às paredes como animais”, para citar Cassiodoro,[11] empinam-se. O sapato do peregrino, tendo testado as águas, agora seca sobre o aquecedor em seu quarto de hotel. O nativo mergulha no guarda-roupa para pescar um par de galochas. Acqua alta, diz uma voz no rádio, e o trânsito humano cessa. As ruas se esvaziam; lojas, bares, restaurantes e tratorias fecham. Apenas suas placas a reluzir, conseguindo por fim um pouco de atenção narcísica, já que as calçadas, breve e superficialmente, estão no mesmo nível dos canais. As igrejas, contudo, permanecem abertas; andar sobre as águas, afinal, não é novidade para o clero ou os paroquianos; nem para a música, gêmea da água. Dezessete anos atrás, perambulando sem rumo de um campo a outro, um par de botas de borracha verdes me levaram ao umbral de um pequenino edifício rosa. Na parede, vi uma placa em que se lia que Antonio Vivaldi, nascido prematuramente, havia sido batizado naquela igreja. Naqueles dias, eu ainda era razoavelmente ruivo; fiquei comovido por deparar com o local de batismo daquele “clérigo ruivo” que me deu tantas alegrias em tantas ocasiões e em tantas partes esquecidas do mundo. E tenho a impressão de que foi Olga Rudge quem organizou a primeira settimana Vivaldi nesta cidade – poucos dias antes, por sinal, que a Segunda Guerra Mundial estourasse. Aconteceu, alguém me contou, no palazzo da condessa Polignac,[12] e a senhorita Rudge tocava violino. Enquanto executava a peça, ela notou de soslaio um cavalheiro que entrara no salone e se postara parado à porta, pois todos os assentos estavam ocupados. A peça era longa, e ela agora se sentia apreensiva, pois logo alcançaria o trecho em que teria de virar a página sem interromper a execução. O homem que ela via de soslaio começou a se mover e logo desapareceu de sua vista. O trecho se aproximava, seu nervosismo crescia. Então, no exato momento em que ela precisaria virar a página da partitura, a mão de alguém emergiu à sua esquerda, esticou-se na direção do atril e lentamente virou a folha. Ela continuou tocando e, quando o trecho dificultoso ficou para trás, ergueu os olhos para demonstrar gratidão. “E foi assim”, contou Olga Rudge a um amigo, “que conheci Stravinski.”

Pode-se então entrar e assistir à missa em pé. O canto será um pouco abafado, talvez devido às condições atmosféricas. Se essa desculpa nos serve, servirá igualmente Àquele a quem o canto se dirige. Além disso, não dá para entender nada daquilo muito bem, seja em italiano ou latim. Resta permanecer imóvel, ou sentar-se num dos bancos, e escutar. “A melhor forma de ouvir uma missa”, Wystan Auden[13] costumava dizer, “é quando não se conhece o idioma.” É verdade, nesse contexto a ignorância favorece a concentração, assim como a péssima visibilidade da qual todo peregrino padece em todas as igrejas italianas, especialmente no inverno. Pôr moedas na caixa de iluminação enquanto a missa está em andamento não é elegante. Além disso, você quase nunca tem moedas suficientes no bolso para apreciar a cena por completo. Antigamente eu levava comigo uma lanterna poderosa, digna do Departamento de Polícia de Nova York. Uma forma de ficar rico, eu pensava, era produzir lâmpadas de flash como aquelas que têm nas câmeras, mas de maior duração. Eu as chamaria “Flash Eterno” ou, melhor ainda, Fiat Lux e em poucos anos compraria um apartamento em algum ponto de San Lio ou Salute. Até me casaria com a secretária do meu sócio, secretária que ele, aliás, não tem, já que ele próprio não existe… A música cessa; sua gêmea, contudo, subiu, o que se percebe ao sair da igreja – não muito, mas o bastante para que você se sinta reembolsado pelo silêncio do coral. Pois a água também é coral, em mais de um sentido. É a mesma água que levou os cruzados, os mercadores, as relíquias de São Marcos, os turcos, todo tipo de carga, navios de guerra ou de turismo; sobretudo, a água que refletiu todos os que moraram, ou passaram um tempo, nesta cidade, todos os que passearam nestas ruas ou as percorreram, como você agora. Não é de admirar que ela pareça de um verde lodoso durante o dia e um verdadeiro breu à noite, rivalizando com o firmamento. É um milagre que, posta à prova por mais de um milênio, não tenha buracos – ainda é h2o, embora você jamais se atrevesse a bebê-la: e continua subindo. Tem mesmo o aspecto de uma partitura musical, gasta nas bordas, constantemente executada, chegando em notas ondeantes, em compassos de canais com os inúmeros obbligati[14] das pontes, as janelas com pinázios, ou os cu­mes curvos das catedrais de Coducci, sem contar o pescoço de violino das gôndolas. De fato, a cidade inteira, sobretudo à noite, se assemelha a uma imensa orquestra, com os suportes de partitura dos palácios fracamente iluminados, um inquieto coro de ondas, o falsetto (falsete) de uma estrela no céu de inverno. A música é, claro, maior do que a orquestra, e mão nenhuma pode virar a página.

É isso que preocupa a orquestra, ou, para ser exato, seus regentes, os pais da cidade. De acordo com seus cálculos, só durante o último século Veneza afundou 23 cm. Então, o que parece espetacular para o turista é uma baita dor de cabeça para o nativo. Fosse apenas uma dor de cabeça, tudo bem. Mas a dor de cabeça é coroada com uma apreensão crescente, para não dizer medo, de que o destino do lugar venha a ser o mesmo de Atlântida. Não é um medo sem fundamento, e não apenas porque o caráter único da cidade vale por uma civilização particular. Dizem que as marés altas de inverno são o grande perigo; o resto se deve às indústrias e à agricultura, que entopem a laguna de resíduos químicos, e à deterioração dos próprios canais obstruídos da cidade. No meu ofício, contudo, desde os românticos, o réu mais provável, em se tratando de desastres, é sempre a mão humana, muito mais do que qualquer forza del destino. (Que um profissional do ramo dos seguros seja capaz de distinguir essas duas potências é de fato um grande feito imaginativo.) Assim, vítima de impulsos tirânicos, eu instalaria algum tipo de barreira para estancar o mar de humanos, que se elevou em 2 milhões nas últimas duas décadas e que tem como clímax seus resíduos. Também congelaria concentrações industriais e residenciais numa faixa de 30 km ao longo da margem Norte da laguna e dragaria os canais da cidade (usaria os militares para a operação ou pagaria jornada dupla às empresas locais), colonizando-os de peixes e bactérias apropriadas para manter a água limpa.

Não tenho a menor ideia de quais peixes e bactérias seriam esses, mas tenho certeza de que existem: a tirania raramente é sinônimo de capacidade técnica. Em todo caso, eu ligaria para a Suécia e pediria conselhos à Prefeitura de Estocolmo: naquela cidade, apesar da indústria pujante e da população numerosa, no momento que você sai do quarto de hotel, um salmão salta da água para te cumprimentar. Se é uma questão de diferença de temperatura, então poderíamos despejar blocos de gelo nos canais ou, se não desse certo, esvaziaríamos rotineiramente o gelo dos refrigeradores dos nativos, visto que o uísque por aqui não está muito em alta, nem mesmo no inverno.

“Mas por que você vai para lá justo nessa estação?”, perguntou-me meu editor certa vez, sentado num restaurante chinês em Nova York, rodeado de alegres discípulos ingleses. “Isso, por quê?”, eles repetiram, ecoando seu possível benfeitor. “Como é lá no inverno?” Pensei em mencionar a acqua alta; os vários tons de cinza que se entreveem da janela quando sentamos para o café da manhã no hotel, envoltos pelo silêncio e pelo manto matinal dos rostos dos recém-casados; os pombos acentuando cada curva e cornija do barroco local com sua afinidade latente com a arquitetura; o monumento solitário a Francesco Querini[15] e seus dois huskies talhados em pedra da Ístria, semelhante em tom, creio, ao que ele viu pela última vez, ao morrer, durante sua malfadada viagem ao Polo Norte, agora ouvindo o farfalhar das sempre-verdes dos Giardini, em companhia de Wagner e Carducci;[16] o valente pardal que se empoleira no remo oscilante de uma gôndola, tendo ao fundo um infinito úmido turvado pelo sirocco. Não, pensei, olhando seus rostos estéreis, mas ávidos; não, nada disso funcionará. “Bem”, eu disse, “é como Greta Garbo nadando.”


Trecho do livro Marca d’água: um ensaio sobre Veneza, traduzido por Odorico Leal, a ser lançado em abril pela editora Âyiné.

[1] Rapallo, comuna na província de Gênova onde Pound viveu. (Todas as notas são da Redação, exceto a indicada como N. E., do editor do livro.)

[2] Hailé Selassié (1892-1975), regente da Etiópia entre 1916 e 1930 e depois imperador do país, entre 1930 e 1974.

[3] Equivalente a bairro, conforme uma divisão de Veneza que remonta ao século XVII.

[4] Henri de Régnier (1864-1936), poeta simbolista francês.

[5] Henri Gaudier-Brzeska (1891-1915), escultor francês.

[6] Nome que os Aliados deram às transmissões radiofônicas levadas a ca­bo por mulheres japonesas anglófonas – Iva Toguri, em especial – que difundiam a propaganda japonesa com o intuito de provocar as tropas americanas durante a Se­gunda Guerra Mundial. (N. E.)

[7] Fondamenta degli incurabili (Cais dos incuráveis) é o nome em italiano deste livro de Brodsky, publicado na Itália em 1989 e na Inglaterra em 1992, com o título Watermark (Marca d’água). O nome em italiano se refere ao cais em frente ao Ospedale degli incurabili (hospital dos incuráveis), um edifício do século XVI em Veneza.

[8] Eine kleine nachtmusik (Uma pequena serenata noturna), como é mais conhecida a Serenata n.º 13 para cordas em sol maior, de Mozart, composta em 1787.

[9] O frontão da Igreja de San Zaccaria, construída entre 1444 e 1515.

[10] Orata (dourada), nome em italiano de um peixe da família Sparidae, encontrado nas águas do Oeste e Sul da Europa, bem como do Norte da África. É diferente do brasileiro dourada, peixe de água doce da espécie Brachyplatystoma, encontrado na Amazônia.

[11] Flavius Magnus Aurelius Cassiodorus (c. 490-­c. 585), escritor e estadista nascido na Calábria.

[12] A francesa Yolande Martine Gabrielle de Polastron (1749-93), condessa e duquesa de Polignac, amiga de Maria Antonieta.

[13] O poeta Wystan Hugh Auden, (1907-73), mais conhecido como W. H. Auden.

[14] Obbligato: termo musical que indica na partitura que determinado trecho da composição deve ser tocado necessariamente pelo instrumento indicado.

[15] Francesco Querini (1867-1900), militar e explorador nascido em Milão.

[16] Giosuè Carducci (1835-1907), poeta italiano, o primeiro escritor do país a receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1906.

Joseph Brodsky

(1940-96) Poeta e escritor russo, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1987. Publicou, entre outros livros, Poemas de Natal (Âyiné).

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