A Revista Newsletters Reportagens em áudio piauí recomenda piauí jogos
Podcasts
  • Foro de Teresina
  • ALEXANDRE
  • Desiguais
  • A Terra é redonda (mesmo)
  • Sequestro da Amarelinha
  • Maria vai com as outras
  • Retrato narrado
  • Luz no fim da quarentena
  • TOQVNQENPSSC
Vídeos
Eventos
  • Festival piauí 2025
  • piauí na Flip 2025
  • Encontros piauí 2025
  • Encontros piauí 2024
  • Festival piauí 2023
  • Encontros piauí 2023
Herald
Minha Conta
  • Meus dados
  • Artigos salvos
  • Logout
Faça seu login Assine
  • A Revista
  • Newsletters
  • Reportagens em áudio
  • piauí recomenda
  • piauí jogos
  • Podcasts
    • Foro de Teresina
    • ALEXANDRE
    • Desiguais
    • A Terra é redonda (mesmo)
    • Sequestro da Amarelinha
    • Maria vai com as outras
    • Retrato narrado
    • Luz no fim da quarentena
    • TOQVNQENPSSC
  • Vídeos
  • Eventos
    • Festival piauí 2025
    • piauí na Flip 2025
    • Encontros piauí 2025
    • Encontros piauí 2024
    • Festival piauí 2023
    • Encontros piauí 2023
  • Herald
  • Meus dados
  • Artigos salvos
  • Logout
  • Faça seu login
minha conta a revista fazer logout faça seu login assinaturas a revista
Jogos
piauí jogos

    ILUSTRAÇÃO: ANDRÉS SANDOVAL_2016

esquina

À mesa com Dilma

Café da manhã e imprensa em tempos de crise

Carol Pires | Edição 113, Fevereiro 2016

A+ A- A

A presidente Dilma Rousseff chegou para o café da manhã reclamando do ar-condicionado no Salão Leste, no 2º andar do Palácio do Planalto: “Tá feio, vamos diminuir isso aí.”

Vinte e três jornalistas a esperavam sentados numa mesa disposta em U, coberta por toalhas de linho branco, com oferta de pães, frios, bolos, frutas, suco de laranja e iogurte de morango. Ainda que os lugares tivessem sido ocupados por sorteio, os primeiros convidados começaram a chegar às 9 horas para o desjejum marcado para dali a meia hora, mas que só começaria às 10h08. “Gente, tem como diminuir isso?”, insistiu Dilma, ajeitando o blazer laranja-coral.

“Então, vamos começar. Qual é o método que vocês decidiram dessa vez? Cada um pergunta?” Não discursaria para poupar tempo, avisou, rejeitando a sugestão do ministro de Comunicação Social, Edinho Silva, sentado à sua esquerda. “Não vou poder ficar mais de uma hora.”

 

Até 2012, o clima entre a imprensa e Dilma era de armas baixas. O café da manhã com os setoristas – jornalistas que cobrem o dia a dia da Presidência no Palácio do Planalto – era mais ameno: “É muito solitária a atividade de presidenta? Dá para ter amigos?”, foi a primeira pergunta do encontro naquele ano.

Com o ambiente político convulsionado e os índices econômicos ladeira abaixo, Filipe Matoso, setorista do portal G1, abriu a conversa deste ano em outro diapasão: “O que é mais difícil com o cenário atual: uma reforma da Previdência ou a derrubada do processo de impeachment?”

Era o segundo café da presidente com jornalistas em 2016. Uma semana antes, Dilma havia recebido um grupo de 46 repórteres de jornais, rádios e tevês. O Planalto entendeu que era preciso dividir a imprensa em dois blocos por uma questão de espaço: 69 profissionais numa única mesa seria demais. Na primeira rodada, a disposição de Dilma em encampar a reforma da Previdência tinha virado o principal assunto do noticiário. O repórter do G1 quis retomá-lo.

 

Dilma defendia a reforma do sistema de seguridade pela segunda vez quando começou a pigarrear. A voz falhou e ela precisou limpar a garganta forçando uma tosse. “Isso aí é efeito direto do ar, viu, gente.”

Já recuperada, chamou de “golpistas” as tentativas de “segmentos da oposição” de afastá-la do cargo. Seu impeachment enfraqueceria a democracia brasileira, “ainda jovem” do ponto de vista histórico. Deu um exemplo do que era tempo histórico: “O Kissinger conta do Mao Tsé-tung, se não me engano foi o Kissinger que contou isso, posso estar equivocada, mas na minha memória foi o Kissinger: Ao perguntar ao Mao Tsé-tung sobre a Revolução Francesa, ele falava que era muito próxima para ele tomar uma posição.” Dilma abriu um sorriso de cumplicidade com a tirada, que na verdade foi de outro líder comunista, o ex-primeiro-ministro chinês Chu En-lai.

 

À espera da segunda pergunta, a presidente aproveitou para colocar adoçante no café e beliscar um pedaço do queijo Babybel disposto à sua frente – produzido com 98% de leite, à diferença dos queijos minas e prato servidos aos jornalistas, que mal tocariam na comida, preocupados em fazer anotações. De dieta, ela estava 17 quilos mais magra e elegante, com uma blusa preta por baixo do terno e um discreto colar dourado.

 

“Você fala um pouco mais devagar, porque eu até comecei a achar que você era estrangeiro”, pediu Dilma ao repórter Alonso Soto, da agência Reuters. “Desculpa. Eu sou estrangeiro, sim”, disse Soto, nicaraguense, antes que os assessores pudessem alertá-la da gafe. Foi o único momento em que sopraram algo para a presidente. “Você não fala com sotaque, você fala muito rápido”, ela se apressou em corrigir.

Estava no meio da resposta quando o celular de um dos sete seguranças no salão começou a timbrar como uma corneta. Tentando se esconder atrás de uma pilastra, o rapaz tateava aflito o aparelho no bolso interno do paletó. Dilma, porém, teve a impressão de que o som vinha de fora: “Eles estão treinando, imagino, porque não está na hora de tocar nada, mas eu acho que é treino. Eles geralmente tocam às 8 e às 18 horas”, falou, referindo-se à troca de guarda dos Dragões da Independência.

A presidente estava mais articulada do que em discursos recentes, ainda que tenha cometido redundâncias (“Outro dia eu li no jornal dizendo o seguinte: a Petrobras para com o petróleo a 30 dólares. Não para não, para nada. Tanto que não para, que ela continua”), tenha um cacoete de anunciar que a resposta virá na frase seguinte (“Então, também, para não fugir a essa questão, que ele colocou, eu quero te dizer o seguinte…”), e por vezes tenha invertido a sintaxe (“Então, eu te digo o seguinte, é a grande preocupação do governo, a questão do desemprego”).

A terceira pergunta da manhã foi sobre juros, a quarta sobre desemprego, e só a seguinte abordou a Lava Jato. Dilma se serviu de mais um pedaço de queijo antes de comentar a notícia de que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró citaria Lula e ela própria no seu acordo de delação premiada. Depois, queixou-se por ter que responder a pedidos de outro lado para reportagens baseadas em delações: “A gente não sabe quem diz, quem falou e se é garantido. Não tem clareza para nós. Para nós a pergunta nunca vem muito clara. Quem disse, é verdade que disse? Quem me garante que disse, e disse aquilo mesmo? E em que contexto?”

 

O tom de confraternização que Lula dava aos cafés com os setoristas, com espaço para brincadeiras e broncas, foi se perdendo no governo Dilma. A presidente conhece poucos repórteres pelo nome. Mas tem suas preferências. “A Tânia é danada”, disse certa vez sobre a repórter Tânia Monteiro, veterana do Estadão. “Camarotti, eu gosto muito de te responder, acho você simpaticíssimo, tem um sorriso Kolynos…”, flertou em outro ano com Gerson Camarotti, repórter da GloboNews.

No primeiro café de 2016, pegou pelo braço a repórter Marina Dias, da Folha, e disse aos demais que ela era a única jornalista com jeitão de modelo. No final, o grupo se aglomerou ao redor de Dilma para tirar selfies. O Planalto divulgou uma imagem e blogs alinhados com a oposição caíram matando. O segundo encontro, com representantes de sites, agências e revistas (menos a Veja, que não foi convidada), seria menos efusivo. Não houve sequer a fatídica foto oficial.

Foto: Ichiro Guerra/PR

A última pergunta coube a André Barrocal, da revista CartaCapital, ex-secretário de imprensa do governo Lula. “Eu queria saber se, diante do cenário atual, a senhora considera que o pré-sal continua sendo um ativo valioso.” Antes de responder, Dilma assentia com a cabeça. Respondeu baixinho, fora do microfone: “Muito, muito.”

Ao se despedir às pressas – estava vinte minutos atrasada para dois telefonemas –, deu mais um gole no café e se embananou ao tentar comer um último pedaço de queijo. O cubinho já quase caía no seu colo, quando a presidente conseguiu apará-lo engenhosamente com o pulso esquerdo virado pra cima apoiado contra o peitoral. Alcançou o quitute com a mão direita e o comeu satisfeita. Depois saiu.

Carol Pires
Carol Pires

É jornalista, roteirista, colaboradora do New York Times e colunista da Época online. Foi repórter da piauí de 2012 a 2016

Leia Mais

esquina

Banho de axé

O terreiro de candomblé que abriga um spa em Salvador

03 mar 2026_15h06
esquina

Os imortais da bola

Uma nova Academia Brasileira de Letras surge no país

03 mar 2026_15h03
esquina

Voto de riqueza

Os shows e as festas do padre Fábio de Melo

03 mar 2026_14h58
  • NA REVISTA
  • Edição do Mês
  • RÁDIO PIAUÍ
  • Foro de Teresina
  • ALEXANDRE
  • Desiguais
  • A Terra é redonda (mesmo)
  • Sequestro da Amarelinha
  • Maria vai com as outras
  • Retrato narrado
  • Luz no fim da quarentena
  • TOQVNQENPSSC
  • DOSSIÊ
  • O complexo_SUS
  • Marco Temporal
  • má alimentação à brasileira
  • Pandora Papers
  • Arrabalde
  • Igualdades
  • Open Lux
  • Luanda Leaks
  • Debate piauí
  • Retrato Narrado – Extras
  • Implant Files
  • Anais das redes
  • Minhas casas, minha vida
  • Diz aí, mestre
  • Aqui mando eu
  • HERALD
  • QUESTÕES CINEMATOGRÁFICAS
  • EVENTOS
  • AGÊNCIA LUPA
  • EXPEDIENTE
  • QUEM FAZ
  • MANUAL DE REDAÇÃO
  • CÓDIGO DE CONDUTA
  • TERMOS DE USO
  • POLÍTICA DE PRIVACIDADE
  • In English

    En Español
  • Login
  • Anuncie
  • Fale conosco
  • Assine
Siga-nos

WhatsApp – SAC: [11] 3584 9200
Renovação: 0800 775 2112
Segunda a sexta, 9h às 17h30