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    CRÉDITO: ANDRÉS SANDOVAL_2025

esquina

Mora na filosofia

Musa da vanguarda paulista reflete sobre a sabedoria do samba

Carlos Adriano | Edição 231, Dezembro 2025

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Quando Eliete Negreiros foi convidada para a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) deste ano, o objetivo da programação paralela da Edições Sesc São Paulo era que falasse de seu livro mais recente. Para surpresa de todos, ela decidiu que também faria um breve show – três décadas depois de seu último disco, 16 canções de tamanha ingenuidade.

O livro que Negreiros estava lançando aos 74 anos era um conjunto de ensaios dedicados a três mestres da música brasileira, elencados no título: Nelson Cavaquinho & Cartola & Carlos Cachaça: caminho da existência. Na apresentação na Flip, em 2 de agosto, autora e cantora se juntaram para cantar um samba de cada compositor. “O estudo me jogou de volta para o palco”, ela conta à piauí.

A obra analisa as canções dos três sambistas de uma perspectiva filosófica. Negreiros formou-se em filosofia pela USP ao mesmo tempo que se consagrava no meio musical paulistano, mas, nos vinte anos seguintes, ela deixou Platão e Aristóteles repousando nas estantes. Até que, em 1997, seu próprio caminho da existência chegou a uma encruzilhada. “Será que estou fazendo tudo o que posso na minha vida?”, perguntou-se a cantora. Na mesma época, Negreiros teve um problema nas cordas vocais que a deixou afônica. “Pareceu que tudo que estava aqui tinha que sair”, ela diz, apontando para a garganta. “Mas travou.” Foi então que decidiu fazer pós-graduação.

 

Seu projeto era cruzar a filosofia com a música popular. Pesquisas nessa área hoje são quase triviais, mas eram incomuns no meio acadêmico em 1997. Ela consultou Marilena Chaui, professora de filosofia da USP, que a incentivou a seguir adiante. “O lugar em que me coloco no mundo é o de quem quer conhecer. Gosto de aprender ouvindo, também por causa da música”, diz.

De 1999 a 2003, Negreiros fez seu mestrado em filosofia, sob orientação de Márcio Suzuki. A dissertação apresentada para a conclusão do curso resultou no livro Ensaiando a canção: Paulinho da Viola e outros escritos (2011), o primeiro de um conjunto de trabalhos que ela publicaria sobre as relações entre a música popular brasileira e a filosofia. Em seguida, veio Paulinho da Viola e o elogio do amor (2016), fruto de sua tese de doutorado, elaborada de 2007 a 2012, sob orientação da professora Olgária Matos.

 

Nas capas de disco, consta Eliete Negreiros. O nome completo é reservado para os livros.

 

Eliete Eça Negreiros era aluna do Colégio Rio Branco, escola de elite em São Paulo, quando levou “um susto existencial”, na sua expressão. Aconteceu durante um festival de música escolar. Ela se inscreveu com Momentos maus, composição própria que nunca foi gravada. Quando começou a cantar, cessou a balbúrdia reinante, até o teatro vir abaixo, em aplausos. A canção ficou apenas em quarto lugar, mas Negreiros arrebatou o prêmio de melhor intérprete. No júri, estava um dos pais da Bossa Nova, Johnny Alf.

A cantora é filha de Eleafar Eça Negreiros, cujo escritório de advocacia ficava no histórico Edifício Martinelli. Afetada pela morte do pai em 1969, ela decidiu estudar direito. Permaneceu na tradicional Faculdade do Largo São Francisco de 1970 a 1972, mas não concluiu. Sempre “muito deslocada”, já estava cursando filosofia. Ao mesmo tempo, ouviu um terceiro chamado – o da música.

Carregando o violão, tomava o ônibus de sua casa, em Pinheiros, até a faculdade de filosofia na USP, e depois seguia para o III Whisky, bar no bairro Bela Vista, onde cantava nas madrugadas. Essas jornadas duraram quase um ano. Daí, foram alguns poucos passos até que se tornasse a musa da vanguarda paulista, grupo que emergiu entre o fim dos anos 1970 e o início da década de 1980, com artistas como Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, Tetê Espíndola e Ná Ozzetti, além das bandas Premeditando o Breque e Língua de Trapo.

 

 

O  sentido da existência, nada menos, é a reflexão central do novo livro de Negreiros. Ela faz, é claro, um recorte nesse tema tão amplo: busca entender o sentido da vida a partir dos sambas de Nelson Cavaquinho, Cartola e Cachaça. O título do livro, aliás, vem de Caminho da existência, canção de Carlos Cachaça e Delcio Carvalho.

Para cada um dos três compositores, examinados em ensaios individuais, Negreiros encontrou uma chave de leitura filosófica. A fim de entender Nelson Cavaquinho, por exemplo, recorreu ao estoicismo. O sambista carioca a levou à escola greco-romana – e esta a conduziu de volta a ele. “O verso Feliz aquele que sabe sofrer, do samba Rugas, é pura frase de Sêneca”, diz Negreiros.

O trio de sambistas, acredita Negreiros, carrega certa resignação melancólica. “Resignação é aceitar o que é inevitável”, ela explica. E o inevitável é a finitude. “Eles não se vitimizam pela parte difícil da vida, como a velhice e a morte”, diz. “Com isso, tocam em tabus de uma realidade vendida pela sociedade de entretenimento, a de que música é para se divertir e ser sempre feliz.”

Negreiros acredita que os clássicos do samba levam para as multidões uma noção antiga da filosofia moral: são guias para o “bem viver”. Com seus livros, ela espera “promover um namoro entre os saberes da música e os da filosofia, que não são antagônicos”. Seu próximo lançamento, porém, não terá uma pegada tão filosófica: deve ser uma coleção de ensaios sobre temas da cultura brasileira, como o Cinema Novo e a música de Sérgio Ricardo.

Também está em gestação um show mais longo do que o visto na Flip. Eliete Negreiros cogita voltar aos palcos para cantar dez ou doze canções da trinca de filósofos do samba que estudou – Nelson Cavaquinho, Cartola e Carlos Cachaça. Mas anuncia esse plano com toda reserva. “Primeiro preciso ver se dou conta da ideia de uma forma razoável”, diz. “Preciso me dedicar.”

Carlos Adriano

É cineasta e jornalista. Dirigiu O que Há em Ti e Santos Dumont: Pré-cineasta?, entre outros filmes

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