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    CRÉDITO: ANDRÉS SANDOVAL_2024

esquina

Nação em escombros

USP inaugura um centro de estudos sobre a Palestina

Carlos Adriano | Edição 219, Dezembro 2024

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No saguão ainda quase vazio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, uma banquinha do Partido da Causa Operária (PCO) oferecia panfletos, jornais e um livro de capa verde com o título O Hamas conta seu lado da história. No interior do Auditório Nicolau Sevcenko, algumas pessoas aguardavam, no dia 16 de outubro, a inauguração de uma nova entidade da USP: o Centro de Estudos Palestinos (CEPal).

Parecia que o evento seria protocolar, para um público restrito. Mas, próximo das 17h30, o horário marcado, muitas pessoas começaram a chegar em levas, ocupando todo o local. O auditório lotou, e os mais jovens se espalharam pelo chão dos corredores. Havia gente portando o keffiyeh, o lenço palestino.

Às 17h45, os cinco oradores ocuparam a mesa coordenada por Arlene Clemesha, professora de história árabe da USP e primeira diretora do cepal, que deu início às atividades. Uma mensagem em vídeo foi projetada no auditório. Era uma fala do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que abriu a série de críticas a Israel que dominariam aquele fim de tarde. “Desde os atos terroristas [do Hamas] de 7 de outubro de 2023, testemunhamos com assombro uma brutal e desproporcional reação militar israelense na Faixa de Gaza”, disse o ministro.

 

O escritor Milton Hatoum, primeiro participante da mesa a falar, recebeu um caloroso aplauso quando seu nome foi anunciado. “No dia 9 de outubro de 2023, logo no início do genocídio em curso, o ministro da Defesa desse Estado ocupante declarou que ia combater animais humanos”, disparou Hatoum. Ele lembrou que, em um conto do escritor americano James Baldwin, os racistas que torturam e matam negros usavam as “mesmíssimas palavras” para desumanizar suas vítimas: “animais humanos”. Em nenhum momento, Hatoum recorreu ao termo “Israel” em suas críticas.

Atef Abu Saif, um dos principais escritores palestinos, em visita ao Brasil, falou em seguida. “A guerra de Israel é contra nosso povo, nosso lugar, nossa narrativa, nossa memória”, disse. Ex-ministro da Cultura da Autoridade Nacional Palestina, Abu Saif acrescentou que a ofensiva de Israel em Gaza – que ele considera “um genocídio no mais completo sentido da palavra” – representa também uma tentativa de apagar a herança cultural palestina. O escritor veio ao Brasil para lançar Quero estar acordado quando morrer: diário do genocídio em Gaza (Editora Elefante), do qual a piauí publicou um trecho na edição de julho passado.

 

O cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, que preside a Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Síria nas Nações Unidas, foi ainda mais incisivo na crítica ao governo de Benjamin Netanyahu. “Nos últimos doze meses, o Estado de Israel, com o apoio político e militar das potências ocidentais, perpetrou em Gaza o bombardeio mais intenso na história dos conflitos no Oriente Médio”, disse. Pinheiro arrolou um “recorde macabro” de mortes: mais de 41 mil habitantes de Gaza, 170 jornalistas e 240 funcionários da ONU – a maioria da UNRWA, agência de assistência aos refugiados palestinos. Quando o cientista político defendeu o boicote comercial contra Israel e propôs que “todos os países democráticos” cortem relações diplomáticas com o país, uma ovação retumbou no auditório – tão forte que Pinheiro achou por bem repetir a frase.

 

O jurista e ex-chanceler Francisco Rezek foi aplaudido seis vezes durante os 27 minutos de seu discurso. “Nunca aconteceu de um genocídio ser transmitido ao vivo, contado com arrogância e insolência”, disse. Aproveitou para criticar o também jurista e ex-chanceler Celso Lafer por sua posição pública contra o apoio brasileiro ao processo por genocídio que a África do Sul abriu contra Israel na Corte Internacional de Justiça. Rezek não citou Lafer pelo nome, mas nem foi preciso. Ele deixou claro de quem se tratava ao se referir a “um ilustre professor emérito desta universidade, que em 1992 me sucedeu no Ministério das Relações Exteriores”.

Enquanto os discursos se sucediam, panfletos circulavam pela plateia, com reivindicações inflamadas: “Chega de genocídio na Palestina e no Líbano! Pelo fim de todas as relações Brasil-­Israel!” e “Fora Israel da USP! Pela não renovação dos acordos com a Universidade Hebraica de Jerusalém e pela ruptura dos acordos da FFLCH com Haifa!”

 

Um Centro de Estudos Judaicos foi criado na USP em 1969. A universidade, no entanto, não tinha tradição em pesquisa sobre a Palestina até a virada do século, avaliou Clemesha. Foi a partir de 2000, com o fracasso do processo de paz negociado em Oslo e o avanço dos assentamentos israelenses na Cisjordânia, que o drama dos palestinos ganhou nova relevância no mundo e no Brasil, segundo ela. A USP passou a oferecer disciplinas de história da Palestina e viu crescer o número de dissertações de mestrado e teses de doutorado sobre o tema. “A questão palestina volta a ser compreendida como um problema que precisa de uma solução. Os palestinos têm direito à sua autodeterminação”, disse Clemesha. A criação do CEPal foi aprovada pela Congregação da FFLCH em 27 de junho deste ano.

 

O fato de a Palestina não ter estatuto como nação autônoma representa um desafio aos pesquisadores. O cepal vai colocar os que atuam na FFLCH em contato com acadêmicos de outros centros internacionais de estudos palestinos. Projetos de tradução de livros também estão em andamento. Clemesha quer investir ainda em “uma interface com a sociedade”, abrindo canais de comunicação com a imprensa e a opinião pública. Ela planeja trazer professores palestinos para cursos e palestras, além de fomentar o intercâmbio que já existe com o Instituto de Estudos da Palestina (IPS), cuja sede, em Beirute, abriga o maior acervo documental sobre a região.

Depois de duas horas de debate, o CEPal estava oficialmente inaugurado. Anunciou-se então o vencedor do concurso para o logotipo do centro, que traz estampadas duas figuras à moda do tatriz (bordado típico palestino, patrimônio cultural da humanidade pela Unesco). Na saída do auditório, uma bandeira palestina estava estendida no saguão, à espera do dia em que representará uma nação livre e soberana.

Carlos Adriano

É cineasta e jornalista. Dirigiu O que Há em Ti e Santos Dumont: Pré-cineasta?, entre outros filmes

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