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    CRÉDITO: ANDRÉS SANDOVAL_2025

esquina

Passos guerreiros

O grupo de frevo que encantou o Festival de Cannes

Maria Júlia Vieira | Edição 226, Julho 2025

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Foi tudo às pressas. Lucélia Albuquerque, de 43 anos, recebeu o convite poucos dias antes da viagem e precisou correr para tirar seu primeiro passaporte. O grupo de frevo Guerreiros do Passo, que ela ajudou a criar em 2005, iria apresentar sua dança no tapete vermelho do Festival de Cannes, acompanhando a equipe do filme O agente secreto, de Kleber Mendonça Filho.

Dançarina, atriz e professora, Albuquerque fundou o grupo com seu marido, Eduardo Araújo, de 50 anos, e Valdemiro Neto, de 54 anos. O objetivo dos Guerreiros do Passo é preservar e reinventar o frevo de rua, sem os clichês turísticos.

Seus integrantes recuperam passos esquecidos e exploram o equilíbrio, o impulso e a agilidade. Nas apresentações, usam guarda-chuvas comuns, e não sombrinhas coloridas, e se vestem de preto, branco e bege, em vez de recorrerem à profusão de cores das fantasias usuais. Na visão de Araújo, o nome do grupo é já um manifesto: guerreiros são aqueles que permanecem com o frevo o ano inteiro, e não apenas durante o Carnaval.

 

 

Lucélia Albuquerque conta que, ainda criança, já se desvencilhava dos braços da mãe para entrar nas rodas de frevo. Aos 14 anos, foi matriculada em um curso de dança no Recife, distante 4 km de sua casa em Olinda. Ela ia e voltava a pé. Mais tarde, tornou-se aluna de Nascimento do Passo na Escola de Frevo do Recife.

Negro, pobre e autodidata, Nascimento do Passo foi o dançarino que transformou o frevo em método sem podar sua essência. Chegou ainda jovem a Pernambuco, vindo do Amazonas, e aprendeu a dança observando as festas nas ruas. Mais que passista, foi um pensador do frevo: criou uma escola, estabeleceu níveis de aprendizado, nomeou passos, estruturou uma técnica que respeitava o improviso. Morreu em 2009, aos 72 anos.

Durante as comemorações do centenário do frevo, em 2007, Albuquerque criou para as apresentações do seu grupo a personagem Dona Lucélia, a fim de reconstituir os caminhos dessa dança na perspectiva da mulher – personagem sempre secundária nos registros históricos. “As mulheres estavam ali, mas não eram retratadas como protagonistas do frevo. Estavam sempre nos cantos das fotos. Dona Lucélia vem para dizer: nós sempre estivemos aqui”, diz a professora.

 

Albuquerque construiu a personagem a partir de relatos e memórias de mulheres que entrevistou. A dança de Dona Lucélia escapa às coreografias cristalizadas, incorporando gestos, objetos e aromas que costumam estar à margem nas apresentações atuais, como o lenço na cabeça, a bolsa no braço e – detalhe que virou sua característica – o pote com o talco que ela lança ao ar, reativando memórias sensoriais de quem assiste.

Além de apresentações nas ruas e em palcos, os Guerreiros do Passo promovem ações de formação e difusão da dança, como o Frevo na Praça, com aulas gratuitas; oficinas de montagem e conserto de sombrinhas; a aula-espetáculo O Frevo; e o Laboratório do Passo, que pesquisa e resgata passos tradicionais do frevo que foram esquecidos ou são pouco conhecidos.

 

Foi esse trabalho de afirmação de uma cultura das ruas que desembarcou em Cannes, na estreia do filme dirigido pelo recifense Kleber Mendonça Filho.

 

Filho de um apaixonado pelo frevo, o cineasta cresceu entre os carnavais de Olinda e os discos em sua casa. Em 2022, com a produtora Emilie Lesclaux, sua mulher, ele passou a acompanhar as apresentações dos Guerreiros do Passo. No ano seguinte, registrou uma apresentação do grupo no Recife, para uma cena do documentário Retratos fantasmas. “Foi uma das filmagens que mais me deu satisfação”, diz ele.

Para Mendonça Filho, nos Guerreiros do Passo, a energia do corpo em movimento, a tensão nos gestos e a pungência política da dança expressam um frevo suado, intenso e por vezes agressivo, distante da versão publicitária que hoje predomina. No frevo do grupo, ele descobriu uma mistura de disciplina e anarquia, humor e raiva. “Eles devolvem ao frevo a dimensão grave, política, que sempre existiu.”

Nove dançarinos do grupo sacudiram o Festival de Cannes: o trio fundador (Lucélia Albuquerque, Eduardo Araújo e Valdemiro Neto), além de William Araújo, Edson Vogue, Walter José, Carlos Luiz, Jamerson Júnior e Laércio Olímpio – todos embalados por cinco músicos da Orquestra Popular do Recife. A viagem deles à França foi custeada pela Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), a Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur) e a Vitrine Filmes, produtora e distribuidora cinematográfica.

O animado cortejo de dançarinos acompanhou o cineasta e o elenco de O agente secreto do hotel Majestic até o Palácio dos Festivais, trajeto que os artistas costumam percorrer de carro. Sem aviso prévio, diante de câmeras do mundo inteiro, os dançarinos, de guarda-chuvas em punho, espalharam a energia e a alegria do frevo pelas ruas de Cannes. “O frevo começou na calçada e dançou até o cinema”, conta Mendonça Filho. No festival francês, O agente secreto ganhou os prêmios de melhor direção e melhor intérprete masculino, dado a Wagner Moura.

Para surpresa da produção do filme, a organização do festival aceitou de pronto a ideia de um Carnaval pernambucano em Cannes. Houve apenas uma única exigência: nada de talco no tapete vermelho. Dona Lucélia, claro, concordou.

Maria Júlia Vieira
Maria Júlia Vieira

É produtora do Foro de Teresina.

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