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    CRÉDITO: ANDRÉS SANDOVAL_2025

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Refresco quente

O sucesso dos caldinhos nas praias do Recife

Felipe Fernandes | Edição 230, Novembro 2025

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No pingo do meio-dia, com o termômetro marcando 29ºC perto do Quiosque 17 da Praia de Boa Viagem, no Recife, dois banhistas se deliciam com um caldo quente de feijão preto, servido com ovo de codorna, torresmo, azeitona e muita pimenta. É domingo, o dia mais intenso da semana para os vendedores do Caldinho do Leandro, hoje um dos petiscos mais populares nas areias da capital pernambucana.

Os ambulantes que oferecem o caldo ao longo dos 11 km de orla entre Boa Viagem e Brasília Teimosa são autônomos. Mas o produto que eles levam nas garrafas térmicas vêm do mesmo fornecedor. José Carlos Leandro, de 49 anos, comanda o empreendimento que leva seu nome e faz os caldos na casa onde mora com a mulher e os três filhos em Jardim Monte Verde, bairro no Sul do Recife, a 10 km da praia.

A cozinha semi-industrial, montada no térreo da residência, funciona de segunda a segunda. Quatro funcionários se revezam para dar conta da produção, dividida em quatro etapas: os caldos são cozidos, depois passam pelos liquidificadores, são coados e então engarrafados em térmicas de 1 litro. O cardápio tem quatro sabores: feijão preto, camarão, peixe e sururu (um molusco típico do Nordeste). Leandro supervisiona o trabalho, para garantir que tudo seja preparado de acordo com suas receitas.

 

Nos fins de semana, a produção chega a quatrocentas garrafas por dia, que são vendidas a 25 reais aos “franqueados” do Caldinho do Leandro. Nas areias, o copinho de 150 ml sai por 10 reais. “Se aumentar, o povo não compra”, diz Leandro. Os ingredientes adicionais ficam por conta de cada vendedor, ao gosto do freguês: milho, ervilha, torresmo, ovo de codorna e azeitona costumam ser os mais pedidos.

Leandro só faz a cobrança no fim do dia, quando os revendedores voltam da praia – e ainda aceita de volta as garrafas que não foram comercializadas. Ele também fornece uniformes, sem custo: camisa de manga comprida com proteção UV, bermuda e boné com a logomarca do Caldinho do Leandro, tudo na cor vermelha.

 

José Carlos Leandro começou a vender caldinho aos 19 anos, trabalhando para Severino Barbosa de Oliveira, conhecido na praia como Biu. O patrão era o pai de sua namorada, Silvânia, com quem Leandro se casaria. Oliveira deu ao genro o kit básico de trabalho na areia: duas bolsas térmicas e cinco garrafas.

 

Incentivado pelo sogro, Leandro decidiu criar suas próprias receitas. “No começo, a gente ia levando aqueles desacertos. Às vezes, o caldinho saía salgado demais”, lembra. “Eram os próprios clientes que diziam o que estava faltando, e a gente ia ajustando até chegar no ponto certo.” Ele começou o negócio com a ajuda de Silvânia e dois irmãos, Josivaldo e Genivaldo. À medida que seus caldos foram ganhando fama, vizinhos e conhecidos começaram a bater à sua porta pedindo para revendê-los. “Aí eu botava um, depois botava mais outro. Era um complemento para a renda de pessoas que estavam desempregadas”, recorda. Em 2005, quando já tinha vinte vendedores, ele deixou o mormaço da praia para trabalhar só no calor da cozinha. Hoje, conta com mais de cinquenta vendedores.

Em fevereiro, na prévia do Carnaval de Olinda, oito amigos que integram o tradicional bloco Enquanto Isso na Sa­la da Justiça foram para a folia vestindo as camisas vermelhas do Caldinho do Leandro. Providenciaram até garrafinhas térmicas iguais às dos vendedores. Evangélico, Leandro não é de pular Carnaval, mas ficou feliz com a homenagem. “É uma forma de divulgação. E um sinal de que as pessoas confiam e gostam do meu caldinho”, diz.

Como a demanda vem crescendo, neste ano o empresário começou a expandir o negócio. Abriu um ponto fixo para vender caldos de terça a domingo – um trailer no bairro do Ibura, perto de sua casa. Além dos sabores tradicionais, o lugar serve o caldo de vaca atolada, feito com costela bovina e mandioca, que ainda não foi lançado nas praias. Quem toma conta do ponto é Pedro, de 19 anos, filho mais novo de Leandro.

 

O Caldinho do Leandro passou a aceitar encomendas para festas e aniversários, com entrega em domicílio ou retirada na sede, que vai se mudar para um local maior, de 200 m², em Jaboatão dos Guararapes, município vizinho do Recife.

 

Há turistas que refugam o caldo quente sob o Sol do Nordeste. Acreditam que, com um calor de 30ºC, é melhor chupar um picolé, e não tomar uma sopinha. Mas a cultura do caldinho à beira-mar está embasada em boas razões fisiológicas. Ingerir líquidos quentes pode aumentar levemente a temperatura do corpo, ativando mecanismos de termorregulação como a vasodilatação e a sudorese – que ajudam a dissipar o calor e, assim, baixar a sensação térmica.

Os beduínos do Saara conhecem essa técnica há pelo menos mil anos. Pastores nômades do Oriente Médio, que viajam sob temperaturas extremas, têm como tradição servir e beber chás fumegantes de hortelã. A lógica é a mesma: aquecer por dentro para enganar o calor de fora. O nutricionista Crístenes Melo, coordenador dos cursos de saúde do Centro Universitário dos Guararapes (UNIFG), faz apenas uma ressalva ao caldinho sob o Sol: em dias de muito calor, o consumo de alimentos e bebidas quentes exige cuidado redobrado com a higiene, o manuseio e o armazenamento, para evitar contaminações alimentares.

Longe dos camelos do deserto, mas pertinho dos tubarões de Boa Viagem, Mariana Gomes, estudante de medicina de 24 anos, dá uma explicação menos científica para a escolha do seu caldo preferido, o de peixe, que ela costuma pedir servido em dois copos, um dentro do outro, para não queimar a mão: “O quentinho deixa a cerveja ainda mais gelada.”

Felipe Fernandes
Felipe Fernandes

Jornalista, é colaborador de textos e vídeos na piauí

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