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    CRÉDITO: ANDRÉS SANDOVAL_2024

esquina

Sabor originário

Um restaurante paraense recupera a culinária indígena

Leandra Souza | Edição 216, Setembro 2024

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O som dos pássaros, o farfalhar das árvores em volta e o ruído suave das ondas da Baía do Marajó – que se vê da janela do restaurante – compõem um ambiente perfeito para apreciar os pratos inspirados na culinária popular amazônica.

O caranguejo cozido com tucupi e jambu, servido em uma charmosa cumbuca cujas cores combinam com o crustáceo avermelhado, pode ser tanto a entrada como o prato principal. Para quem não deseja peixes, uma boa pedida é a barriga de porco moqueada, servida com creme de tucupi e molho pesto de jambu com castanha-do-pará. Entre os pratos mais pedidos está a gurijuba, um peixe do litoral Norte brasileiro que é salgado ao modo da cozinha paraense. A sobremesa pode ser um creme de bacuri, fruta doce e aromática da Amazônia, com castanha-do-pará.

Localizado na Ilha do Mosqueiro, distrito de Belém a 70 km do Centro da cidade (a ligação é por uma ponte), a Casa Moqueio – Espaço Gastronômico não serve exatamente o que se costuma chamar de “comida típica”. O casal de chefs que criou o lugar – Adriana Lima, de 32 anos, e André Monteiro, de 53 –, quer ir além, recuperando técnicas e sabores ancestrais da culinária indígena e ribeirinha.

 

O próprio nome da casa, Moqueio, conjugação em primeira pessoa do verbo “moquear”, refere-se a um método empregado por povos originários – como os tupinambás que no passado ocupavam a Ilha do Mosqueiro – para conservar alimentos sem salgá-los. Colocados em uma grelha de paus, carnes ou peixes são lentamente defumados sobre um moquém, fogo baixo feito com troncos, galhos e gravetos. “Para fins comerciais, fazemos um preparo de somente quatro horas”, explica Lima. “Mas você pode ter, dependendo do tamanho do alimento, uma desidratação de 12 horas, 20 horas ou até 24 horas.”

 

A Casa Moqueio fica na Praia de São Francisco, uma das mais tranquilas dentre as quinze praias de água doce na Ilha do Mosqueiro. O terreno na frente do estabelecimento foi catalogado por Diógenes Leão, em uma dissertação de mestrado em geofísica defendida na Universidade Federal do Pará (UFPA), como um cemitério desativado há mais de noventa anos. Ali foram enterrados indígenas, escravizados e cabanos – os revoltosos que se insurgiram contra o Império em 1835, no episódio conhecido como Cabanagem. Ou seja, o local é cercado de história e tradição, e isso condiz com a filosofia dos proprietários do restaurante.

Lima e Monteiro rejeitam condimentos ou temperos industrializados e sempre que possível buscam ingredientes locais, para que o prato tenha um sabor fresco e natural. Flexível, o cardápio faz adaptações sazonais. “Se tiver o período do siri, a gente faz os pratos com siri. Se tiver mexilhão, a gente prepara com mexilhão”, diz Lima. Para comer na Casa Moqueio, é preciso reservar. Os pratos podem custar de 50 reais a 190 reais.

 

Professora do curso de gastronomia da Universidade da Amazônia (Unama), Monik de Albuquerque elogia o esforço de recuperar a cultura alimentar originária, que ela considera mais sustentável e inclusiva. O curso da Unama oferece uma disciplina que segue orientação parecida: cozinha regional brasileira. Lá, os alunos aprendem a empregar insumos e ervas paraenses e também a integrá-los a outras tradições culinárias. “Quando nós fazemos uma amostra de gastronomia do Mediterrâneo ou uma amostra de canapés, a gente sempre tenta encaixar ingredientes regionais”, diz Albuquerque.

 

No início de 2020, quando resolveram se mudar para o lugar que hoje abriga a Casa Moqueio, Lima e Monteiro não pensavam em transformar o lugar em um empreendimento gastronômico. Ela era interessada em gastronomia; ele atuava como produtor cultural. A casa na ilha era um refúgio que Monteiro adquiriu em 2004 para temporadas curtas, a fim de fugir das pressões da vida urbana em Belém. “Eu comecei a adoecer com problemas de depressão e ansiedade”, ele conta.

Os dois afinal concluíram que seria melhor, por alguns meses, trabalhar na cidade e viver na Praia de São Francisco. Mas logo depois da mudança, veio a pandemia e o lockdown. Isolado na sua morada bucólica, o casal pôde se dedicar a desenvolver os pratos. A ideia de uma casa devotada à culinária local surgiu pouco depois, quando Lima e Monteiro identificaram uma demanda por experiências mais “reservadas e privativas”, em um ambiente acolhedor. E assim surgiu a Casa Moqueio.

 

O empreendimento começou suas atividades no final de 2020, ainda sob restrições sanitárias. O respeito ao distanciamento social reforçou o projeto de um ambiente para poucas pessoas – trinta no máximo –, sem cara de restaurante. “A gente sempre quis que tivesse essa coisa de casa, que você viesse comer numa casa de dois cozinheiros”, diz Monteiro.

O plano deu certo, e o espaço até hoje segue o modelo em cima do qual foi criado. O casal proprietário ainda resiste à palavra “restaurante”. “É uma atividade de manutenção, de preservação, de recuperação da cultura tradicional alimentar”, diz Lima.

Os donos da casa também se preocupam em integrá-la à comunidade. Empregam quinze funcionários – catorze deles residentes da ilha. Neste ano, eles fizeram duas atividades gratuitas com alunos das escolas públicas da região, entre elas aprender a moquear peixe. Lima se emocionou ao saber que um dos estudantes, ao voltar para sua casa, disse à família: “Vou preparar pra vocês um peixe moqueado.”

Leandra Souza
Leandra Souza

É estagiária de jornalismo na piauí

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