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    CRÉDITO: ANDRÉS SANDOVAL_2025

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Sons do baú

Uma visita ao acervo de Zuza Homem de Mello

Guilherme Henrique | Edição 230, Novembro 2025

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Com andar lento, mas firme, Ercília Lobo caminha pelo exíguo quintal do Instituto Çarê, associação cultural sem fins lucrativos sediada em uma casa de três cômodos na Zona Oeste de São Paulo. Ela se dirige à edícula do imóvel, onde encontra, organizados em prateleiras, um gravador, uma máquina de escrever, centenas de CDs e nove caixas plastificadas com dezenas de pastas. Lobo, que completa 81 anos no dia 16 de novembro, retira uma das pastas. Na etiqueta, lê-se: “Nova York-1957”. Mirando o objeto, ela diz: “Dá uma saudade dele.”

A pessoa de quem ela sente saudade é Zuza Homem de Mello, jornalista e pesquisador musical, que morreu em outubro de 2020, aos 87 anos, vítima de um infarto enquanto dormia em sua casa, no bairro de Pinheiros.

Em 1957, Zuza estava nos Estados Unidos estudando música, primeiro na Lenox School of Jazz, em Massachusetts, e depois na Juilliard School, em Nova York. Apaixonado por jazz – celebrava o fato de ter visto apresentações ao vivo de Miles Davis e John Coltrane –, ele escrevia textos sobre o gênero para jornais e revistas.

 

Na volta a São Paulo, em 1959, dedicou-se a estudar a canção popular brasileira e, em particular, a Bossa Nova. Tornou-se referência no assunto e escreveu livros como A era dos festivais, Copacabana: a trajetória do samba-canção, e os dois volumes de A canção no tempo, em coautoria com o historiador Jairo Severiano.

O material vistoriado por Lobo na edícula é uma pequena parte do acervo de Zuza, seu companheiro por 35 anos. No total, o Çarê conserva quase 15 mil itens, entre discos de vinil, artigos de jornal, fitas rolo, fitas cassete, livros e outros objetos. Em 2021, a viúva transportou esse material para um depósito no interior de São Paulo, até que o Çarê pudesse acomodá-­lo adequadamente em salas climatizadas. Apenas em meados de 2023 o acervo completo retornou à capital paulista.

 

Desde então, Ercília Lobo tem discutido com Angela Fileno, coordenadora de acervo do Çarê, sobre formas de difundir o trabalho do marido. “O que mais me interessa é a divulgação do seu pensamento musical”, diz a viúva na cozinha do instituto, enquanto toma uma xícara de café.

 

Zuza guardou as gravações das entrevistas que fez e dos depoimentos que recolheu para elaborar cada um de seus livros. Desde julho, trechos desses diálogos têm sido veiculados no podcast Baú do Zuza, uma coprodução do Çarê com o Instituto Galo da Manhã. A apresentação é do músico Arrigo Barnabé.

As entrevistas divulgadas até agora no podcast foram realizadas por Zuza entre 1967 e 1971 e incorporadas ao livro Música popular brasileira cantada e contada, de 1976. Nesse período, o musicólogo colheu depoimentos de compositores como Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Dorival Caymmi, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Geraldo Vandré. “O Zuza era supercuidadoso, mas essas entrevistas foram gravadas em fitas e armazenadas todas juntas em uma única pasta, o que compromete a conservação”, explica Fileno. As distorções do áudio foram corrigidas por técnicos de som, com auxílio de inteligência artificial. Danificada, a fita com o depoimento de Chico Buarque foi restaurada para o episódio de estreia do podcast.

Os registros mostram como os artistas viam a própria carreira em meio às transformações culturais do Brasil no fim dos anos 1960. Depois de Chico Buarque, foram divulgados no site do Çarê, no Spotify e no YouTube episódios com Johnny Alf, Wilson Simonal e Vinicius de Moraes. A primeira temporada termina em dezembro, com Claudette Soares, e a segunda começa em março de 2026, com Elis Regina. “Nem sei como comecei a cantar”, diz Elis no papo com Zuza. “Sempre fui uma criança tímida. Tão tímida que tinha vergonha de conversar em casa com meus pais, irmãos e tios. Se você me perguntar o que pensei ou o que pretendia, não sei dizer. Quando vi, estava cantando.” Depois da cantora, será a vez das entrevistas com Sérgio Ricardo e Ronaldo Bôscoli.

 

 

Angela Fileno ainda não conseguiu a autorização de todos os entrevistados. Os episódios com Caetano, Gil e Vandré, por exemplo, estão em suspenso. No início do projeto, a coordenadora, com a ajuda de Ercília Lobo, fez contato com alguns artistas. Também buscou o auxílio do músico e produtor cultural Edson Natale, que foi gerente de música do Itaú Cultural por duas décadas. Algumas negociações são complicadas. A família de Dorival Caymmi, por exemplo, proibiu a veiculação, alegando que a conversa com o compositor é um registro datado.

A coordenadora do Çarê busca autorização para divulgar outros arquivos, todos em áudio, como o programa de rádio que Zuza apresentou na Jovem Pan entre 1977 e 1988 e as gravações que ele fez como engenheiro de som e produtor musical da tv Record entre 1959 e 1967 – estas incluem O fino da bossa, programa apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues, e shows de Ella Fitzgerald e Nat King Cole. Lobo conta que, no passado, a Jovem Pan recusou pedidos dela e do marido: “O programa tinha idealização, produção, seleção musical, montagem e apresentação de Zuza Homem de Mello. Ele fazia tudo, mas mesmo assim não liberaram.”

Examinando anotações manuscritas do marido com luvas descartáveis oferecidas por Fileno, Lobo se derrete: “Olha a letrinha dele.” Boa parte desses documentos ainda não foi examinada pela equipe do instituto, formada por três jovens que se dividem na catalogação e digitalização do acervo. Recentemente, eles encontraram um caderno do compositor Johnny Alf, escrito à mão, com letras de canções. Além de oferecer acesso digital a essas preciosidades, o instituto espera, no futuro, fazer exposições.

Ercília Lobo foi responsável pela organização final de Amoroso, biografia de João Gilberto escrita por Zuza e publicada em 2021. Na conversa com a coordenadora do Çarê, ela lembra que duas pastas com arquivos e áudios do músico baiano foram entregues ao instituto. E revela que ainda tem outros itens em casa. “Esses dias, achei uma gaveta cheia de fotos que posso te dar. Tem uma do Zuza com o João Gilberto”, diz. Segundos depois, completa: “Mas dessa você faz uma cópia.”

Guilherme Henrique
Guilherme Henrique

Editor do site da piauí

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