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    CRÉDITOS: ANDRÉS SANDOVAL_2025

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Trama ancestral

Artista argentina ganha o mundo com a tecelagem

Tatiane de Assis | Edição 222, Março 2025

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Uma lenda dos wichís, povo indígena que vive na parte argentina da região do Chaco, conta que no princípio as mulheres eram estrelas. Quando queriam visitar a Terra, elas lançavam fios feitos a partir de uma fibra extraída do chaguar – como os indígenas da região denominam a bromélia. Os wichís dizem que esse processo durou por muito tempo, até ser interrompido por homens que cortaram os fios enviados do céu. Desde então, as mulheres passaram a habitar a Terra.

A artista argentina Claudia Alarcón, de 35 anos, trabalha para que não se rompa o fio que a liga à natureza e aos seus antepassados. Ela cria obras têxteis de cores vibrantes, feitas com fios de chaguar. Trata-se de uma técnica tradicional, passada de geração em geração pelos wichís, o povo de Alarcón. As suas obras vêm ganhando o mundo.

Em 2024, ela participou da última Bienal de Veneza com curadoria do brasileiro Adriano Pedrosa – e um de seus trabalhos vistos na Itália está em processo de doação para o acervo do Masp. A partir do dia 27 deste mês de março, ela mostrará seis obras na 14ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, no Farol Santander (que foi inundado em maio de 2024 na cheia histórica do Guaíba, mas já está em funcionamento). Alarcón é representada pela galeria Cecilia Brunson Projects, de Londres.

 

A artista conta que desde pequena já gostava do cheiro das folhas do chaguar, mas só aos 12 anos foi introduzida na prática tradicional da tecelagem.

O processo para chegar ao tecido é longo. Primeiro, as mulheres vão até um monte próximo da comunidade onde moram para recolher as folhas da bromélia, que são maceradas para extrair as fibras, que precisam ficar sob o Sol por dois ou três dias. A partir da fibra seca, obtém-se outra mais fina, que é hidratada e colocada ao Sol novamente, daí resultando os fios. Eles são tingidos com pigmentos naturais e depois atados uns aos outros, até formarem fios mais longos. Só então, com uma agulha em um tear, inicia-se a produção dos tecidos. “Tecer é parte da nossa vida cotidiana. Não tem uma hora certa para fazer. Se você está nervosa, fazer o tecido acalma. É uma forma de terapia para as meninas”, diz Alarcón.

Ela explica que as formas e cores de seus trabalhos simbolizam plantas e animais que vivem no monte onde se colhe o chaguar. A cor preta ou a azul, por exemplo, faz referência ao guaiaco (guayacán), árvore de cujas sementes é extraído o pigmento.

 

 

Claudia Alarcón vive na comunidade La Puntana, no município de Santa Victoria Este, na província de Salta, no Norte da Argentina. Uma área de 400 mil hectares do município está em processo de demarcação como território indígena. Lá vive parte dos wichís – que também habitam o Sul da Bolívia – e outros povos, como os Chorote, Toba (Qom), Chulupí e Tapiete. O lugar faz parte do Gran Chaco, segundo maior sistema florestal da América do Sul, depois da Amazônia.

O povo Wichí luta há séculos para ter seus direitos reconhecidos na Argentina. Os tecidos de chaguar têm servido para divulgar a sua cultura. Em 2017, o curso Inovação e Agregação de Valores de Bosques Nativos e da Comunidade, reuniu em La Puntana várias tecelãs wichís para discutir modos de expandir o alcance de sua tecelagem. “A gente viu que precisava trazer à vista do público as histórias daquele povo e das mulheres envolvidas na produção”, diz Andrei Fernández, a curadora e gestora cultural independente que trabalha com Alarcón e o artista argentino Gabriel Chaile, de ascendência afro-indígena, que participou da Bienal de Veneza em 2022.

A partir do curso, foi criado o grupo Thãní (“vêm do monte”, na língua wichí), que chegou a reunir cerca de duzentas mulheres – Alarcón era uma delas. O coletivo participou de inúmeras feiras e também exibiu suas peças na exposição A escuta e os ventos: narrações e inscrições do Gran Chaco, em Berlim. Foi o início de uma virada na forma como essa produção originária é vista: deixou-se de lado a categoria de artesanato para usar o termo “arte”.

 

 

As atividades do Thãní seguiam bem – até que o grupo foi brecado por desentendimentos entre as participantes. Alarcón então bifurcou sua rota. Passou a desenvolver um trabalho individual e, em paralelo, juntou-se a outro coletivo com cem mulheres, chamado Silät (“informação” ou “alerta”, em wichí).

“Claudia tem uma inteligência muito grande quanto à cor. Ela faz contrastes com tons discrepantes”, diz Raphael Fonseca, curador-chefe da Bienal do Mercosul. “Achei muito forte como usa o têxtil para fazer isso. E ela não tem uma fórmula compositiva: cada trabalho traz algo diferente.” Fonseca é também curador de arte moderna e contemporânea latino-americana no Museu de Arte de Denver, nos Estados Unidos, que tem dois trabalhos de Alarcón no acervo.

O reconhecimento internacional da artista ainda não ressoou na Argentina. “Até agora, não recebemos muitos convites para fazer exposições aqui”, conta Alarcón. Somente em 2023, o Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (Malba) incorporou uma obra ao acervo da instituição, doada por colecionadores.

Um dos projetos da artista junto com o Silät diz respeito às novas gerações. “Tem jovens que não querem aprender a tecelagem. Por isso, nós, mulheres, que estamos tendo trabalhos reconhecidos, queremos criar uma escolinha de arte.” Em sua casa, a tradição continua viva: as filhas da artista, de 13 e 16 anos, já confeccionam a trama ancestral dos wichís.

Tatiane de Assis
Tatiane de Assis

Repórter da piauí, é crítica de artes visuais com especialização pela Unicamp.

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