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    ILUSTRAÇÕES DE ESTELA MAY

poesia

Um robalo para Armando

Sylvio Fraga | Edição 166, Julho 2020

A+ A- A

ROBALO NENHUM

Aos 80 de Armando Freitas Filho

 

O baiano foi preso

 

Roubou um peixe

Ia fazer moqueca

Pra família

 

Deu no rádio

Em Salvador

Há dois anos

 

Não sei por que

Lembrei do baiano

Que roubou um peixe

Que peixe é esse?

Nasceu no mar

Do tamanho

De um farelo

Cresceu

Sobreviveu

Na vida selvagem

Boa e arriscada

Crescendo mudando

De alimentos

Conforme o tamanho

Da sua boca

Antes plâncton

Depois camarões

Peixes menores

Peixes médios

Até que tudo

Se interrompeu

Rompeu-se tudo

Na rede improvável

O peixe foi erguido

À proa seca

De tábuas intermináveis

Puxando misteriosa

Água rala misteriosa

Não-água venenosa

Pelas guelras delicadas

Até que a vida

Enfim a vida

Se apagou no sol

Enfim

Foi levado à feira

Enquanto isso

Um homem acordou

Foi levado à feira

Pela urgência

De pedir emprego

Qualquer bico

Foi enxotado

Que nem gato

Pegou o peixe

Pelo rabo

Com raiva

Não do peixe

De tudo

Que não deu certo

Apesar de seus esforços

Constantes e honestos

Saiu correndo

Entre carros

Mas um Fusca

No susto

Catou seu joelho

O homem tombou

O peixe voou

Um policial

Que estava perto

Jogou o esfolado

Pra dentro do carro

Lembrei porque

Lembrei do baiano

Que roubou o robalo

O taxista haitiano

Agora mesmo

Na Rio Branco

Do Rio de Janeiro

Conversava em creole

Com alguém no Haiti

Pelo viva-voz

Talvez o cunhado

No fundo ouvi

No fundo das palavras

Nítido como um gesto

Nítido como Niterói

Em maio

O grito de um galo

Um galo haitiano

Talvez em cima

Do entulho

Um morrinho de lixo

Ciscando no quintal

A céu aberto

O galo e sua voz

Projetados pelo mar

Pelas terras

Da Amazônia inteira

Fiapos

De Mata Atlântica

Ressoando baixinho

Seu agudo macio

Num táxi carioca

Para dentro

Dos meus ouvidos

Que ouviram no táxi

De Salvador

Há dois anos

A história do homem

Que roubou um peixe

Amigo

Caso ninguém

Tenha lhe dito

Você não fez nada

De errado você fez

O que pôde

Como um peixe ou um galo

Imerso embicado

Na vida possível

 

QUERO-QUERO NA VÁRZEA

A cidade é um barulho de obra

mas tudo cai aos pedaços.

Minha obra não faz barulho nenhum,

dorme quieta nas estantes,

com sorte numa bolsa.

Me satisfaço com pouca atenção,

a vida já me deu muito.

Acontece que às vezes

não se recebe nenhuma atenção

e a tristeza ocupa o vazio

onde minha obra canta apenas para mim.

Não há nada mais bem construído que uma tristeza.

Vigas deslumbrantes e infinitas.

O quanto de cada coisa é o quê?

Dizem que o afeto é tudo.

Não é tudo, mas é maioria.

NASCIMENTO CONTÍNUO

[inverso de um poema do Jack Gilbert]

 

Um bebê é pesado,

mas por isso temos dois braços.

Você o carrega com o braço direito

até que esse se canse

e então o carrega com o braço esquerdo.

Nesse meio-tempo

o braço direito ganha novas forças

e o bebê pode voltar a ele,

que por sua vez se cansa de novo

e o braço esquerdo reassume.

Chega uma hora em que

ambos os braços estão cansados

e você usa a anca jogando o bebê

para cima do quadril,

ainda alternando os lados.

Quando isso já não dá mais

você o coloca contra o peito e o abraça,

cada mão enganchada no cotovelo oposto,

até que os braços enfim descansem

e você possa começar tudo de novo

de modo a carregar

seu bebê para sempre.

TEMPO DE VIAGEM

Generalistas enciclopédicos,

sentimentalistas autocongratulatórios,

peço licença,

tenho que ir ali.

 

Alarmistas entediados,

abraçadores de garçom,

peço licença,

a framboesa deu flor.

 

Escambistas do subentendido,

alpinistas de descida,

peço licença,

meus gatos entraram na samambaia.

 

Impressionistas arquitetônicos,

renascentistas afobados,

todas as onças

estão em curso.

 

Remanescentes de si próprios,

brasilianistas brasileiros,

peço licença,

meu filho está com dez centímetros.

 

Autoritários da indignação,

catalisadores do inevitável,

peço licença,

peço licença.

 

Enólogos de lágrima,

historiadores da terceira guerra mundial,

colecionadores de coincidência,

especialistas em pão francês,

 

peço licença.

Sylvio Fraga

É poeta, compositor e diretor artístico da gravadora Rocinante

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