Uma capa que deu o que falar
| Edição 156, Setembro 2019
HAITI
Excelente reportagem de Fabio Victor sobre o Haiti (“A terra desolada”, piauí_155, agosto). Porém, uma ausência foi significativa na lista de livros que contam a história do país: Os Jacobinos Negros, de Cyril Lionel Robert James. O livro poderia contribuir sobremaneira a respeito da revolução haitiana, cujos ecos se fazem sentir na recente crise humanitária que assola o país.
LUCAS DE OLIVEIRA JAQUES_PORTO ALEGRE/RS
Li a matéria do Haiti e terminei com sentimentos divididos. Apreciei enormemente o apanhado da Minustah e da história do país, assim como a pesquisa do jornalista. Por outro lado, pude perceber que a motivação do autor do começo ao fim da matéria é achincalhar o Exército. O jornalista se apega na questão do cólera e não a contrabalança com os grandes resultados conseguidos pelas tropas brasileiras, entre elas as ações cívico-sociais. É uma matéria boa, que se perde em um desnecessário pendor esquerdista de falar mal das Forças Armadas.
ALDO DÓREA MATTOS_SALVADOR/BA
Criticar o legado de pessoas que arriscaram a vida pelo povo do Haiti é doentio. Militares garantiram a vida dessas pessoas e viabilizaram a ação humanitária!
RAFA KAFKA_VIA TWITTER
Se os militares já demonstram incapacidade nas incursões aqui, imagina lá onde não tem mídia para cobrir e nem poder público para fiscalizar.
JOÃO PAULO PINI_VIA TWITTER
CAPA
Essa capa não poderia ser mais sugestiva (piauí_155, agosto). Olha o hambúrguer saindo…
ELISEU RISCAROLLI_VIA INSTAGRAM
Genial. Principalmente por vivermos hoje no Brasil essa anamorfose macabra representada por Holbein nesta obra.
EMMANUEL MELLO_via FACEBOOK
Acabei de receber o número deste mês e ainda nem abri para ler, mas que capa sublime! Parabéns mil vezes, sou fã dessa tela de Holbein. Digna do momento que estamos passando. Minha revista preferida.
MÉVIA ILDA VIEIRA DIAS_SANTOS/SP
NOTA AGRADECIDA DO ARTISTA: Danke, meine Liebchen. O quadro foi um dos grandes desafios da minha vida profissional. É que em 1533, ano em que os dois franceses apareceram por aqui, o pessoal ainda não tinha inventado o hambúrguer (diplomatas daquela época eram muito menos preparados do que os de hoje). Tive de inventar a coisa do nada, usando apenas a imaginação. A churrasqueira eu patenteei.
TRISTE FIM
Sobre o Poema Tirado de uma Notícia de Jornal (“O infortúnio de João Gostoso”, piauí_155, agosto), já que a internauta não retrucou mais Antonio Carlos Secchin, retruco eu. Pela certeza que tem de que Rosa traiu João Gostoso, o professor e crítico literário deve fazer parte do time dos que afirmam categoricamente que Capitu traiu Bentinho.
TÁSSIA AROUCHE_CURITIBA/PR
NOTA DO PATRIARCADO DA REDAÇÃO: E não traiu?
NOTA DA SORORIDADE DA REDAÇÃO: Canalhas!
LESTE EUROPEU
Acho que a piauí optou por uma especulação hermenêutica da perspectiva do Leste Europeu mesmo (“A hora dos descontentes”, piauí_155, agosto). Ela foi mais valorativa para com os termos. Como no trecho que diz “redução da população”, que na verdade se refere à população nativa. E claro que isso está alinhado ao não reconhecimento dos imigrantes como conterrâneos e passíveis de integração social. É só a reiteração de um discurso comum por lá.
CAÍQUE CALDAS_VIA INSTAGRAM
Na situação atual da Europa existe imigração e também invasão. O texto está correto. A não ser que você tenha a porta de sua casa constantemente aberta e destrancada, é fácil notar a diferença.
DANILO SUEIRO_VIA INSTAGRAM
É incrível como teve gente que não compreendeu que o termo “invasão de imigrantes” está obviamente se referindo à perspectiva das populações do Leste Europeu, mas não é a opinião dos autores do artigo e menos ainda da revista. Esse é o lado trágico do politicamente correto, as pessoas ficam muito focadas no que pode ou não pode ser dito, nas palavrinhas que são permitidas pela cartilha, e se esquecem de analisar o contexto.
RODRIGO CARDOZO_VIA INSTAGRAM
JOÃO GILBERTO
Estranhei que a piauí de agosto não teve nenhuma matéria sobre nosso genial João Gilberto, que faleceu no dia 6 de julho, fato que repercutiu nacional e internacionalmente, em face de sua enorme importância no meio musical. Mas um primo me chamou a atenção para quatro vídeos em série divulgados pela piauí no Twitter, sob o título geral Por Que João Gilberto É João Gilberto, nos quais o gaúcho Arthur Nestrovski, diretor artístico da Osesp, excelente violonista, compositor, escritor, crítico literário e musical, explica os fundamentos da arte joãogilbertiana, dando os seguintes títulos aos vídeos: 1. Antes e Depois, 2. Palavra e Música, 3. O Violão e 4. Uma Ideia de Brasil. Sua explanação é magistral e considero a maior homenagem que poderia ser feita ao baiano de Juazeiro, que se vivo fosse aplaudiria a análise perfeita. Fica então a recomendação para os leitores da piauí: para ter acesso à preciosa matéria, basta entrar no Google e digitar: “Por que João Gilberto é João Gilberto.”
Assim, perdoo a revista física por não ter abordado essa enorme perda que deixou enlutados todos os amantes da boa música.
DIRCEU LUIZ NATAL_RIO DE JANEIRO/RJ
NOTA JUBILOSA DA REDAÇÃO: Viva João Gilberto! Viva Arthur Nestrovski! E viva Dirceu Luiz Natal, que nos perdoou! (Em homenagem aos dois primeiros, recomendamos vivamente que o leitor siga a sugestão do Dirceu. Os vídeos são mesmo uma beleza.)
O VIP’S FAZ FALTA
Cacete, que crônica lindamente escrita (“Réquiem para um motel”, piauí_155, agosto). Fiquei até com vontade de sentar na beira da estrada e chorar com o cara que escreveu isso.
PASCAL_VIA TWITTER
Maluco, a gente vê o Roberto Carlos como um tiozão todo quadrado, mas imagina a vida que esse cara levou nos anos de ouro…
NICHOLAS TRÉZI NICÁCIO_VIA INSTAGRAM
Importante é que emoções eu vivi, bicho.
FLÁVIO BOGUCHEVSKI_VIA INSTAGRAM
LAMENTO
Caros, isto é só um tímido protesto. Sou assinante da piauí há muito tempo e não penso em deixar de ser, adoro a revista, mas este ano vocês estão lutando muito contra o novo governo, fica uma coisa meio chata, várias indiretas no meio das reportagens. Cansa um pouco. O cara é um imbecil, mas o PT quebrou o país e deixou um monte de gente desempregada, fora o discurso autoritário de nós contra eles, que depois foi absorvido pelo “taokey”. Como disse o garçom do meu bar, Minotauro, durante o governo da Dilma “eu nunca vi o brasileiro tão triste”. Sei lá, aceita a derrota e bola pra frente, tem muita coisa para fazer. No lado ambiental, me lembro de uma entrevista do Sergio Abranches que dizia que o governo Dilma se equiparava à ditadura militar em termos de desrespeito ao meio ambiente, mas parece que só agora a revista se deu conta do estrago. O cara do campo produz alimento para 220 milhões de pessoas, seria um herói em qualquer país do mundo, mas aqui é considerado um escroto que acaba com o meio ambiente. Tem um meio do caminho aí, que não aparece na revista. De resto, um abraço. Pensei que ficaria órfão da Dilminha, mas o BolsozApp tá demais.
SERGIO MORAES_SÃO PAULO/SP
NOTA ABATIDA DA REDAÇÃO: E o pior é que estávamos prestes a cancelar o BolsozApp. Tua carta adiou o fim – a gente não pode decepcionar um leitor tão gentil. Não foi fácil. Dado nosso desalento geral, o jeito foi correr para a farmácia, subornar o farmacêutico e voltar para a redação com sete caixinhas de Prozac, cujos comprimidos foram distribuídos à larga para os vários deprimidos da casa. Assim, um tico mais animadinhos, conseguimos pôr a seção de pé. Mas como se diz naqueles programas, “é só por hoje”. Mês que vem, sei não.
POR ONDE ANDA?
Assino a revista. Ouço o Foro de Teresina. Adoro! Escrevo para perguntar: Poxa, gente, não está na hora de fazer uma boa reportagem sobre o PT? Sério? Cometeram erros, tomaram um golpe, viraram o anti-Cristo, perderam roubada a eleição, têm o principal líder preso injustamente, mas ainda são a principal força da esquerda no país.
O que virou o PT? Melhorou? Piorou? Como está agora? A militância aumentou com o número de filiados? Como está funcionando?
Na minha opinião, demorou! Ia dar uma boa história. Porque a coisa ali está pegando fogo.
KATYA BRAGHINI_SÃO PAULO/SP
NOTA ATENTA DA REDAÇÃO: Como se viu nestas últimas semanas, o que não falta são coisas pegando fogo no Brasil. (Ai, ai, ai: pula essa resposta, Sergio.)
CARTAS
Todos os meses, tem cartas reclamando que a revista só publica coisas ruins a respeito do governo. Isso me lembra o episódio de uma mulher que brigou com o fotógrafo porque seu marido ficou feio na fotografia.
DJALMA ROSA_SÃO SIMÃO/SP
JULHO
Assinante que sou da piauí há mais de cinco anos, tenho adiado minha mensagem para vocês por mero descuido. Escrevo apenas para agradecer a excelência das matérias, em especial as da piauí_154, julho: o pungente retrato de Angela Merkel (“Merkel e as trevas”), o corajoso artigo de Jean-Claude Bernardet, que se transformará certamente num divisor de águas para a discussão dos direitos do paciente (“O corpo crítico”), o perfil do Zero Dois, filho-problema do Capitão Presidente (“O pit bull do papai”), o fascinante mundo das plantas (“Democracias verdes”), enfim, é difícil destacar o que eu mais gostei.
Meus votos de que continuem assim, insistam, e não desistam!
P.S.: Em tempo, que tal um perfil do “Hélio Negão Bolsonaro”, o negro que faz papel de poste e não se incomoda com isso?
MILENA PIRACCINI DUCHIADE_RIO DE JANEIRO/ RJ
NOTA DE CENSURA DA REDAÇÃO: Não seja tão descuidada, Milena! Se for para escrever cartas assim, não adie o cumprimento do dever! Feito o reparo, adiantamos aqui um dos trechos mais reveladores do nosso perfil de Hélio Negão Bolsonaro: “‘ ’, declarou, com eloquência, o deputado federal.”
REBELIÃO DO CORPO
Como assinante da piauí, é a primeira vez que escrevo para a seção Cartas. Não que o desejo de escrever não tenha me acompanhado durante as edições passadas, afinal, alguns aniversários de assinatura já comemoramos. Desde o início, quando mudei a linha editorial das revistas que assinava e passei a receber a piauí, o sentimento de alegria não me abandonou. O tesão com que a encontro, mensalmente, não sofreu abalos. Confesso que é um prazer indizível deitar com vocês! Acho até que os piauienses que completam o ciclo anual de edições deveriam receber ao final de um ano de assinatura um fofo pinguim como prêmio. Sei que é pedir demais, mas tenham um pouco de boa vontade e compaixão conosco, pobres leitores desamparados. Alcançar tamanha qualidade de escrita e de jornalismo, não é para qualquer redação brasileira, meus caros! Ainda mais nesses pesados últimos meses de nossa história.
Falando em qualidade e precisão, gostaria de expressar meus melhores elogios ao texto “O corpo crítico”, de Jean-Claude Bernardet, publicado na piauí_154, julho. Toda a construção textual de Bernardet evidencia a dolorosa realidade do que se tornou a medicina, não só no Brasil, mas em todo o mundo. Com o avanço das tecnologias para fins medicinais alcançou-se uma verdadeira revolução nos diagnósticos e nas formas de tratamento; no entanto, a indústria médica não pode esquecer que o alvo de tudo ainda é o ser humano, esse “objeto” a quem eles tentam reparar, corrigir, prolongar seus dias. A ciência médica não pode se distanciar da inevitável finitude humana, dos limites de cada paciente, das complicações que podem ser agregadas a certos tratamentos, como o do câncer. Aos portadores dessas doenças devem ser oferecidas opções que orientem o que melhor se adequa a cada caso. Agradeço ao Bernardet, por ter colocado na prateleira central do seu artigo a sua brava decisão de interrupção do tratamento, bem como mostrar os submundos de uma medicina estritamente bancária.
YAGO BEZERRA PESSOA_MARANGUAPE/CE
PALESTINA
O texto “Tornar-se palestina”, de Lina Meruane (piauí_155, agosto), contém diversas informações inverídicas e distorcidas da realidade de Gaza. Para esclarecer e informar melhor os leitores, aqui vão alguns dados que ajudarão a formar um quadro imparcial sobre o que vem ocorrendo por lá.
Em 15 de agosto de 2005, Israel iniciou o processo de desocupação da Faixa de Gaza, concluído em setembro do mesmo ano, no qual 50 mil soldados de Israel foram utilizados para evacuar cerca de 8 mil colonos que lá viviam. Vale ressaltar que a desocupação foi unilateral, ou seja, sem qualquer exigência de contrapartida pelos palestinos e sob grandes protestos da sociedade civil israelense, que em sua maioria era contra a retirada. Em 2007 a autoridade nacional palestina dividiu-se em dois partidos políticos, Fatah e Hamas, sendo o Fatah mais moderado, fiel à ideologia de Yasser Arafat, que viria a controlar a Cisjordânia ocupada por Israel; e o Hamas um movimento radical, cujo objetivo é a destruição do Estado de Israel. Após diversos combates, o Hamas expulsou o Fatah da Faixa de Gaza, assumindo o controle político e militar da região. Em vez de utilizar os bilhões de dólares que captam de ongs de países europeus, destinados a ajudar a população civil, a liderança corrupta do Hamas utiliza esses recursos em proveito próprio, e para fabricar mísseis que são lançados contra a população civil de Israel, bem como cavar túneis na tentativa de infiltrar terroristas para cometer atentados. As afirmações do parágrafo “Muros de Gaza” são uma afronta à verdade, pois dizer que “Israel agora lançava toneladas de morte sobre eles. Era como se quisesse limpar o terreno antes de abrir a prisão”, são totalmente falsas, pois provavelmente a senhora Meruane desconhece o fato de que o Hamas posiciona seus lançadores de mísseis em hospitais, escolas, mesquitas, se escondendo covardemente atrás de civis inocentes.
Quando Israel se vê obrigado a defender seus habitantes da chuva de mísseis lançados pelo Hamas, sempre o faz procurando poupar ao máximo a população civil da Faixa de Gaza.
No dia em que os palestinos da Faixa de Gaza tiverem a coragem de destituir a liderança corrupta e sanguinária do Hamas e substituí-la por líderes que almejem o bem-estar de seus cidadãos, com certeza terão todo o apoio de Israel, que almeja somente a paz e o bem-estar para todos. Shalom.
NICK DAGAN_SÃO PAULO/SP
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