vultos da música
Ana Clara Costa piauí_224 28 Abr 2025
25 min de leitura
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No auge de mais um verão inclemente no Rio de Janeiro, Flora Purim, que viveu a maior parte de seus 83 anos no Hemisfério Norte, me aguardava para uma entrevista na biblioteca do Retiro dos Artistas, onde reside com o marido Airto Moreira desde agosto de 2023. A biblioteca, que não tem mais que 40 m2, é cuidada com esmero pelo iluminador Kari Lage, que dedica uma atenção especial à estante dos clássicos. Purim estava vestida com elegância. Os tons escuros realçavam sua pele quase translúcida. Usava calça preta, blusa estampada, maquiagem leve e chapéu, remetendo aos trajes que exibia nos anos 1970, década em que foi eleita por quatro anos seguidos a melhor cantora de jazz do mundo.
Superlativos são comuns na vida de Flora Purim. Foi indicada três vezes ao Grammy – nas categorias de voz feminina do jazz e melhor álbum de jazz latino – e participou de dois discos vencedores do prêmio, um do baterista Mickey Hart e outro do trompetista Dizzy Gillespie. Seu marido há quase sessenta anos, Airto Moreira, também com 83, até hoje não foi superado como o melhor percussionista do mundo, com uma batida reverenciada por cânones do jazz, como Miles Davis. Juntos, Purim e Moreira frequentaram as rodas mais restritas do showbiz internacional