questões criminais

O CERCO AOS SÓCIOS DE VIRGINIA

Samara Martins e Thiago Stabile, da empresa de cosméticos Wepink, agora são investigados em inquérito que apura suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo “viúva do PCC”
Samara Martins, Thiago Stabile e Virginia Fonseca: os sócios da Wepink na mira da justiça - Reprodução/Instagram
Samara Martins, Thiago Stabile e Virginia Fonseca: os sócios da Wepink na mira da justiça - Reprodução/Instagram

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O casal Samara Martins e Thiago Stabile, sócios da influenciadora Virginia Fonseca e do empresário chinês Chaopeng Tan na empresa de cosméticos Wepink, está sendo investigado pela Polícia Civil de São Paulo. Samara e Thiago foram incluídos no inquérito que apura um esquema de lavagem de dinheiro que tem como alvo Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como Japa do PCC. 

No dia 16 de julho, o delegado Renato Mazagão Junior, da Polícia Civil de São Paulo, determinou diligências para localizar Samara e Thiago. Eles deveriam se apresentar à Divisão Especializada de Investigações Criminais de Santos para apuração de “empreitada criminosa”, conforme consta nos autos. Procurada pela piauí, Samara não respondeu ao contato feito por WhatsApp. Já o delegado Renato Mazagão Junior afirmou que não poderia comentar um caso em andamento.

As investigações por suspeita de lavagem de dinheiro que atingem Mori ocorrem em decorrência do seu vínculo com o PCC. Ela é viúva de Wagner Ferreira da Silva, o Cabelo Duro. Ele foi executado em 2018 quando respondia pela organização criminosa, em Santos, de onde era responsável pela exportação de droga para a facção. Sua morte foi um acerto de contas dentro do PCC e chamou a atenção da imprensa: uma semana antes, Cabelo Duro tinha assassinado dois companheiros da facção. Os episódios tornaram Karen Mori conhecida no país. 

O inquérito que investiga Mori, e que agora também inclui Tiago Stabile e Samara Martins, apura se ela usou dinheiro oriundo do tráfico de drogas em empreendimentos na área de beleza, negócios imobiliários e empresas fantasmas. 

Mori foi a fonte de todo o capital inicial da Pink Lash, empresa que antecedeu a abertura da Wepink. Em entrevista à piauí, ela disse ter investido 800 mil reais na abertura da primeira loja da rede, no bairro Cambuci, em São Paulo, em 2017. O dinheiro era proveniente da venda de um carro do marido, que ainda estava vivo. Quando indagada se a Pink Lash nasceu com o dinheiro de uma liderança da maior facção criminosa do Brasil, Mori não titubeia: “Sim”, respondeu. “Eu era uma cliente da Samara [Martins], ela fazia os meus cílios. E, em determinado momento, propus fazermos essa sociedade, sendo 50% para mim e 50% para eles.” A informação, veiculada na reportagem A tigresa dos algoritmos, publicada na edição de junho da piauí, foi utilizada pelo delegado Mazagão Junior para justificar a inclusão de Samara e Tiago no inquérito que apura as suspeitas de lavagem de dinheiro.

As investigações que atingem o casal se somam a outra já em curso contra Virginia, que está sendo conduzida pela Polícia Federal. Ela apura a legalidade das operações financeiras da influenciadora e suas empresas, bem como a origem dos recursos movimentados, a eventual prática de crimes financeiros, fiscais e de lavagem de dinheiro.


Como sócia, Mori frequentou eventos oficiais da Pink Lash, inclusive uma feira de beleza em que os garotos propaganda da empresa foram Belo e Gracyanne Barbosa, em junho de 2019, em São Paulo. Há registros de Virginia Fonseca ao lado de Samara Martins e de Karen Mori em um evento da Pink Lash também em 2019. “Eu acho que encontrei a Virginia algumas vezes.” A influenciadora conheceu os serviços da Pink Lash pelas redes sociais e foi até lá fazer os cílios em troca de postagens. Martins ficou amiga dela e lhe mandava presentes com frequência. “Em 2020, quando a Virginia se mudou para Goiânia, enviamos uma poltrona rosa de presente. Também pagávamos passagem de avião para a nossa melhor funcionária ir fazer os cílios dela”, recorda Mori. A relação entre Mori e o casal Martins-Stabile foi se desgastando pouco a pouco, até ela ser escanteada de vez, quando a dupla se associou ao chinês Chaopeng Tan para lançar a Wepink, a marca de cosméticos inaugurada em 2021 cuja linha de perfumes é inspirada em fragrâncias famosas de marcas como Lancôme e Givenchy.

“A Samara e o Stabile entraram com o marketing, a Virginia, com a divulgação dos produtos através de suas redes sociais, e o chinês, com o dinheiro”, conta Mori. Cada um tem 33,3% de participação no negócio. A Pink Lash e a Wepink chegaram a coexistir, até que, no fim de 2021, Martins e Stabile procuraram Mori para encerrar a parceria. “Eles me falaram assim: ‘Ou você vende a sua parte para a gente ou decretamos falência.’ Eu fui usada de escada, me dispensaram quando os chineses apareceram.” 

Como desdobramento da inclusão de Samara e Thiago no inquérito, o advogado de Mori, Telles Rodrigo Gonçalves, solicitou à justiça a revogação de medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica. No dia 28 de julho, a juíza Paula Regina Schempf Cattan, do Foro Central Criminal da Barra Funda, em São Paulo, acatou o pedido para que Mori deixe de usar tornozeleira eletrônica (após entregar o passaporte num prazo de 5 dias), possa circular à noite (entre 20 horas e 6 horas) e durante o final de semana e feriados. Ela está impedida de deixar o estado de São Paulo sem autorização judicial.


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É repórter, com passagens por Veja e O Globo

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