suspeitas cinematográficas
Breno Pires 01 Set 2026
3 min de leitura
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Na história por trás do filme Dark Horse, o publicitário e lobista Thiago Miranda não aparece como produtor, financiador ou executivo da Go Up em nenhum documento relacionado ao projeto – pelo menos até agora. Nos bastidores, porém, ele exerceu um papel central. Miranda ajudou a captar dinheiro, cobrou Daniel Vorcaro pelas parcelas atrasadas do filme, intermediou recados e encontros dos dois lados e manteve contato direto com o banqueiro, Flávio Bolsonaro e o deputado Mario Frias (PL-SP), que consta como produtor executivo do filme. “O Thiago foi sempre o elo. Sempre”, disse Leo Dias ao repórter Breno Pires sobre o ex-sócio.
Como mostra a reportagem publicada na edição deste mês da piauí, foi Miranda, por exemplo, quem agendou o encontro que se tornaria decisivo entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, em dezembro de 2024, quando o banqueiro entrou no financiamento do filme. Em janeiro de 2025, era ele quem cobrava Vorcaro diante dos atrasos no envio do dinheiro. “Cara, hoje é a data limite daquele primeiro aporte do filme. Preciso acelerar. Estamos no laço”, escreveu ao banqueiro.
Meses depois, a função permanecia a mesma. Em agosto, Miranda enviou a Vorcaro uma planilha mostrando que o banqueiro já havia remetido 10,6 milhões de dólares e que havia parcelas atrasadas. Pediu uma previsão “para eu passar para eles”. Em outubro, voltou à carga: “Consegue liberar as parcelas do filme? Se não, vai parar tudo por lá.” Vorcaro respondeu: “Sim. Liberei mais uma hoje.” Miranda então avisou: “Flávio disse que iria te ligar tb.”
Leo Dias contou à piauí que a relação de seu ex-sócio com Flávio Bolsonaro vai além do filme Dark Horse. Diz que, em fevereiro do ano passado, foi à festa de aniversário de Miranda, ocorrida na casa de Vivianne Leão Piquet, ex-mulher do piloto de Fórmula 1 Nelson Piquet, e que Flávio estava lá. Segundo Dias, Miranda lhe contou ainda que seu nome chegou a ser cogitado para coordenar a campanha presidencial de Flávio.
Miranda havia sido sócio do Portal Leo Dias. Em julho de 2024, intermediou a venda de 17% do portal por 10 milhões de reais a um empresário mineiro suspeito de atuar como laranja de Vorcaro. Os envolvidos sempre negaram que o banqueiro estivesse por trás da aquisição. Entre fevereiro de 2024 e maio de 2025, porém, o Banco Master transferiu 9,9 milhões de reais ao portal, supostamente em razão de um contrato de publicidade.
Essa relação financeira não estava por trás da primeira notícia publicada pelo portal sobre Dark Horse. Ao contrário. Quando o post entrou no ar, em agosto de 2025, Vorcaro ficou irritado e procurou Miranda: “Achei que divulgar que tá fazendo o filme é muito ruim, não acha?” Miranda concordou: “Acho muito!! Tínhamos combinado de não divulgar nada.” Pouco depois, informou que havia falado com Mario Frias e Flávio Bolsonaro e escreveu ao banqueiro: “Já mandei deletar.”
Leo Dias disse à piauí que, quando publicou a notícia, não sabia que seu ex-sócio estava envolvido com Dark Horse, e o post foi retirado a pedido de Miranda. Procurado pela revista, Thiago Miranda mandou dizer, por meio de seu advogado, Rafael Martins, que não iria se manifestar.