vultos latino-americanos
Jul 2023 05h00
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No próximo dia 22 de outubro, acontecem as eleições para a Presidência da Argentina. A centro-esquerda e a centro-direita seguem à frente, mas em terceiro lugar, oscilando entre 19% e 21% dos votos, está o novo fenômeno político do país: o economista Javier Milei, de 52 anos, que está atraindo uma parte da direita e quase toda a extrema direita.
A retórica de Milei é provocadora, debochada e diversionista. Xinga a esquerda e todo o sistema político – que seus adeptos chama de “a casta”. Por suas posições e atitudes, ele vem sendo comparado a Donald Trump e Jair Bolsonaro. É amigo do deputado Eduardo Bolsonaro e, depois do segundo turno da eleição brasileira, telefonou não para o vitorioso Lula, mas para Bolsonaro. “Queria felicitá-lo pelo excelente resultado que teve”, justificou.
Embora não defenda a ditadura militar da Argentina (1976-83), Milei alia-se aos seus defensores e diz que a esquerda exagera no número de vítimas do período. Dizendo-se ultraliberal, defende a dolarização da Argentina, a privatização geral, a saída do país do Mercosul e a extinção do Banco Central. No plano moral, é um poço de contradições. Afirmar ser a favor da união de gays, pois o considera o casamento uma decisão de pessoas adultas, mas é contra o aborto e a educação sexual nas escolas.
Longe das câmeras, é um sujeito calmo, se expressa de modo pausado e desapaixonado, conta Sylvia Colombo, de Buenos Aires, na piauí deste mês. Quando um holofote se acende, porém, ele arregala os olhos azuis, ergue os braços e começa a atirar palavrões e insultos contra os opositores. Nas redes sociais, aparece dançando e exibindo uma motosserra, para ilustrar sua proposta de podar a administração pública da Argentina.
Os assinantes da revista podem ler a íntegra do diário neste link.