Fev 2026 10h45
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O título do curta-metragem Two People Exchanging Saliva (“Duas pessoas trocando saliva”), escrito e dirigido pela romeno-americana Natalie Musteata e o francês Alexandre Singh, soa engraçado à primeira vista. Mas a história que se desenrola durante os quase quarenta minutos é perturbadora e absurda.
Indicado ao Oscar de melhor curta-metragem em live action este ano, a produção francesa se passa em Paris e conta a história de Angine (Zar Amir Ebrahimi), uma mulher rica e infeliz que faz compras compulsivas numa loja de departamentos (ambientada nas Galerias Lafayette). No local ela conhece Malaise (Luàna Bajrami), uma vendedora brincalhona, e se interessa pela jovem. As duas se aproximam, despertando as suspeitas de uma colega ciumenta. A questão é que tudo isso se passa numa Paris distópica, onde beijar é proibido e punível com violência, e onde as pessoas pagam por itens dando o rosto a tapa (literalmente). O curta lembra o filme Carol, de Todd Haynes, estrelado por Cate Blanchett, mas numa realidade bem mais brutal.
Natalie Musteata e Alexandre Singh escreveram o roteiro no início de 2023 em resposta às realidades absurdas que se desenrolavam em todo o mundo. “Desde então, a sensação de absurdo no mundo real só se intensificou. A ascensão de autocracias, a erosão das liberdades civis e as crescentes restrições às liberdades individuais em países ao redor do mundo — dos assassinatos de manifestantes no Irã ao sequestro de pessoas pelo ICE nos Estados Unidos — dão a impressão de que o mundo está retrocedendo em vez de avançar”, afirmam os diretores no site de divulgação do curta.
Two People Exchanging Saliva aborda a intimidade, o consumismo, a negação de desejos e a crise do amor romântico. A dor é usada como contrapartida, e ter hematomas no rosto indica que a pessoa é da alta sociedade. Nas cenas de Angine e Malaise, esse tapa é, para além de um pagamento e uma punição, objeto de desejo. Disponível no YouTube, o curta é filmado todo em preto e branco e visualmente bonito.