A Revista Newsletters Reportagens em áudio piauí recomenda piauí jogos
Podcasts
  • Foro de Teresina
  • ALEXANDRE
  • Desiguais
  • A Terra é redonda (mesmo)
  • Sequestro da Amarelinha
  • Maria vai com as outras
  • Retrato narrado
  • Luz no fim da quarentena
  • TOQVNQENPSSC
Vídeos
Eventos
  • Festival piauí 2025
  • piauí na Flip 2025
  • Encontros piauí 2025
  • Encontros piauí 2024
  • Festival piauí 2023
  • Encontros piauí 2023
Herald
Minha Conta
  • Meus dados
  • Artigos salvos
  • Logout
Faça seu login Assine
  • A Revista
  • Newsletters
  • Reportagens em áudio
  • piauí recomenda
  • piauí jogos
  • Podcasts
    • Foro de Teresina
    • ALEXANDRE
    • Desiguais
    • A Terra é redonda (mesmo)
    • Sequestro da Amarelinha
    • Maria vai com as outras
    • Retrato narrado
    • Luz no fim da quarentena
    • TOQVNQENPSSC
  • Vídeos
  • Eventos
    • Festival piauí 2025
    • piauí na Flip 2025
    • Encontros piauí 2025
    • Encontros piauí 2024
    • Festival piauí 2023
    • Encontros piauí 2023
  • Herald
  • Meus dados
  • Artigos salvos
  • Logout
  • Faça seu login
minha conta a revista fazer logout faça seu login assinaturas a revista
Jogos
piauí jogos

    CRÉDITOS: ANDRÉS SANDOVAL_2026

esquina

Superando Stálin

O retorno de Roberto Freire à presidência do Cidadania

Danilo Marques | Edição 234, Março 2026

A+ A- A

O  Partido Comunista Brasileiro (PCB) foi colocado na ilegalidade em 1947 e só retornou à cena da política nacional em 1985, durante o governo José Sarney. Em 1992, ano seguinte ao fim da União Soviética, uma maioria de membros da legenda liderados por Roberto Freire decidiu transformar o PCB no Partido Popular Socialista (PPS). Em 2019, o PPS, que desde a fundação era presidido por Freire, mudou de nome, passando a se chamar Cidadania.

Freire ainda reinava no Cidadania quando, em setembro de 2023, seus companheiros de longa data resolveram tirá-lo do posto executivo, muito antes do encerramento do mandato, previsto para março deste ano. Ele, então, arquitetou um plano: redigiu uma carta de renúncia, mas não a assinou. “Informo que me licenciarei do cargo de presidente nacional do partido”, disse no documento que foi lido na reunião online por um de seus aliados, Davi Zaia, ex-deputado estadual de São Paulo. Os dirigentes celebraram a anunciada saída e votaram para consagrar Comte Bittencourt, ex-deputado estadual carioca, como novo presidente.

Levada a cartório, a decisão, porém, não pôde ser registrada. Como faltava a assinatura na carta de renúncia, os cartorários recusaram o documento. Tampouco havia prova gravada, pois a carta não fora lida por Freire, que sequer participou da reunião virtual. O diretório ainda podia depor o presidente, entretanto isso só seria possível depois de um processo ético, previsto no estatuto do partido. Bittencourt assumiu as funções presidenciais, mas seu mandato não era legítimo.

 

A situação foi empurrada até meados do ano passado, quando Alex Manente, de 46 anos, deputado federal por São Paulo e tesoureiro do Cidadania, decidiu travar as distribuições financeiras por causa da presidência irregular. Faltavam poucos meses para a realização de uma nova eleição, e Manente tinha claras intenções de encabeçar uma nova chapa. Fez até jingle sertanejo para cortejar seus correligionários.

A barafunda jurídica que se arrastava desde 2023 foi resolvida em dezembro do ano passado, quando Freire retornou à presidência do Cidadania por decisão judicial. O diretório revoltou-se: 67 dos 101 integrantes assinaram uma nota de repúdio “à atitude autoritária, caudilhesca e antidemocrática do sr. Roberto Freire”.

O retorno à presidência foi “surpreendente”, diz Freire à piauí. “Eu nunca podia imaginar que isso fosse acontecer.” Mas foi ele mesmo quem recorreu à Justiça para retomar o cargo. Somado o tempo no PCB, no PPS e no Cidadania – mais de trinta anos –, o tempo de Freire no comando do partido mutante já ultrapassou o de Josef Stálin à frente da União Soviética, que durou 29 anos, de 1924 a 1953.

 

Uma nova eleição está marcada para este mês no Cidadania, quando termina legalmente a presidência de Freire. Ele não deve se candidatar, e apoia seu aliado Manente, embora sem muito entusiasmo. “Não tendo nenhum outro jovem que possa ter uma compreensão desse novo mundo em que estamos vivendo, eu acho que ele é um bom candidato, mas não sei. Ele está fazendo um processo de renovação muito interessante em São Paulo”, diz.

O ex-comunista de 83 anos está preocupado com o lugar da esquerda hoje. Ele acredita que as categorias marxistas, ligadas ao capitalismo industrial do século XIX, estão cobertas de poeira: “o chão de fábrica mudou” com a era digital. “O mundo é dos jovens”, afirma.

 

Em 1989, Roberto Freire foi o candidato do PCB à Presidência da República. Ficou em oitavo lugar e, no segundo turno, apoiou Lula contra Fernando Collor. No primeiro mandato de Lula, iniciado em 2003, o PPS entrou na composição do governo, mas era tratado pelo PT como baixo clero, com poucos cargos de monta (a única pasta oferecida à legenda foi o Ministério da Integração Nacional, ocupada por Ciro Gomes).

 

Freire e seu partido deixaram o governo em 2004. À piauí, ele diz que a debandada se deu por causa das acirradas disputas ideológicas: “O Muro de Berlim caiu bem na minha cabeça, mas não na do PT.” Um de seus camaradas – que pediu para não ser identificado, para evitar aborrecimentos – fala que o motivo foi ressentimento, pois, na órbita do governo, Freire se sentia como “um anão político”.

Um ano depois, o escândalo do mensalão azedou de vez a relação de Freire com Lula e o PT. “Ele não tolera a corrupção”, diz Henrique Dau, economista de 27 anos formado no Insper, em São Paulo, que se aproximou do Cidadania durante a onda “lavajatista” da década passada.

Dau ilustra bem o perfil de pessoas que acabaram encontrando uma casa ideológica no partido que jogou fora de seu nome os termos “popular” e “socialista”, mas não só: também substituiu o vermelho e o amarelo usado nas logomarcas do PCB e do PPS pelas cores rosa e azul no emblema do Cidadania. Mudança que, segundo um dirigente do partido – que falou sob condição de anonimato –, foi feita a pedido de Luciano Huck. O apresentador da Globo cogitou se lançar candidato a presidente da República pelo Cidadania em 2022. Na época, Freire chegou a dizer que Huck era “o candidato dos sonhos”.

Hoje, o Cidadania está rachado entre membros que desejam apoiar o governo Lula e aqueles que, como Freire, querem distância do PT. Os alinhados com Freire cogitam inclusive apoiar Eduardo Leite nas eleições de outubro, caso o PSD confirme o governador do Rio Grande do Sul como seu candidato à Presidência.

Ao lado da indefinição programática, o Cidadania passa por uma crise de relevância. No Congresso, conta com apenas quatro deputados e não tem representante no Senado. O PCB, seu antepassado remoto, nunca foi uma potência eleitoral, mas, no Congresso constituinte de 1946, teve catorze deputados – entre eles, Jorge Amado e Carlos Marighella – e um senador – Luiz Carlos Prestes, figura mítica da esquerda brasileira.

O velho PCB não morreu de todo. Foi reorganizado depois de 1992 por uma minoria que não aceitou a mudança de rota proposta por Freire. Nos últimos anos, novos representantes reavivaram as ideias comunistas, mas a legenda não tem representantes no Congresso.

 

Ex-ministro da Cultura no governo Michel Temer, ex-senador e ex-deputado federal, Roberto Freire não disputa cargo eletivo desde que perdeu sua cadeira na Câmara na eleição de 2018. Seu retorno à executiva do Cidadania não está sendo tranquilo. A decisão judicial que lhe devolveu a presidência veio acompanhada de uma condição: que fosse realizada uma reunião com o objetivo de recompor a chapa executiva.

A oposição a Freire entendeu que era para substituir toda a mesa diretora. No entanto, ele indeferiu a proposta, limitando a recomposição a apenas dois cargos que já estavam vagos. Os ânimos ficaram ainda mais exaltados porque o microfone do encontro online só era aberto aos participantes por autorização do presidente. Com uma liderança que mimetiza a gerontocracia soviética, o antigo partido leninista, disciplinado no centralismo democrático, acabou – quem diria – num tremendo salseiro. Quando finalmente conseguiu falar no microfone, o historiador e membro do Cidadania Alberto Aggio* partiu para o ataque contra Freire:

– Você não é o dono dessa porra – gritou.


 

*O autor da frase a seguir foi corrigido

Danilo Marques
Danilo Marques

É repórter da piauí

Leia Mais

esquina

Noites ruidosas

Seis brasileiros, dois países e uma guerra

31 mar 2026_15h07
esquina

“Iranianos são respeitados”

Um curador de arte conta como o emirado enfrenta a guerra

31 mar 2026_15h03
esquina

Cidade do medo

Um israelense e um palestino resistem ao desalento

31 mar 2026_14h48
  • NA REVISTA
  • Edição do Mês
  • RÁDIO PIAUÍ
  • Foro de Teresina
  • ALEXANDRE
  • Desiguais
  • A Terra é redonda (mesmo)
  • Sequestro da Amarelinha
  • Maria vai com as outras
  • Retrato narrado
  • Luz no fim da quarentena
  • TOQVNQENPSSC
  • DOSSIÊ
  • O complexo_SUS
  • Marco Temporal
  • má alimentação à brasileira
  • Pandora Papers
  • Arrabalde
  • Igualdades
  • Open Lux
  • Luanda Leaks
  • Debate piauí
  • Retrato Narrado – Extras
  • Implant Files
  • Anais das redes
  • Minhas casas, minha vida
  • Diz aí, mestre
  • Aqui mando eu
  • HERALD
  • QUESTÕES CINEMATOGRÁFICAS
  • EVENTOS
  • AGÊNCIA LUPA
  • EXPEDIENTE
  • QUEM FAZ
  • MANUAL DE REDAÇÃO
  • CÓDIGO DE CONDUTA
  • TERMOS DE USO
  • POLÍTICA DE PRIVACIDADE
  • In English

    En Español
  • Login
  • Anuncie
  • Fale conosco
  • Assine
Siga-nos

WhatsApp – SAC: [11] 3584 9200
Renovação: 0800 775 2112
Segunda a sexta, 9h às 17h30