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amor é mais mais denso do que olvido
mais mais fino do que recordo
mais raro que uma onda tonta
mais freqüente do que a míngua

é o mais mais louco e lunar
e menos não será ser
do que tanto mar que só
é maior do que o mar

amor é menos sempre que vencer
menos nunca do que viver
menos maior que o menor grão
menos mínimo que perdão

é o mais mais são e solar
e mais não será não ser
do que tanto céu que só
é maior do que o céu


II.

quincas abomina
todas as meninas(as
tímidas zinhas,as atrevidas
zinhas;as meigas
ciosas melosas formosas)
todas elas excetuando as
frígidas

pedro despreza todas
as meninas(as
sabidas zinhas,as burras
zinhas;as gostosas
fofas magrelas fininhas)
todas elas excetuando
as chatas

nando ama todas as
meninas(as
tortas zinhas,as mancas
zinhas;as loucas
retardadas lesadas)
todas elas
excetuando as mortas

miro admira todas as meninas
(as
gorduchas zinhas,as secas
zinhas;as largadonas
doces porcas limpas)
todas
elas excetuando as novinhas


I
II.

numa forma verdadeiramente
em curva
minha alma
adentra

pressente toda a
miudeza dissolvida
pela obscena suposição
da fabulosa imensidade

o céu gritou
o sol morreu)
o navio paira
sobre mares de ferro

respirando altura comendo
precipícios o
navio transpõe
murmurantes montanhas de prata

que
somem(e

era noite

e por só esta noite uma
forma prodigiosa se move
tripulada e pilotada
por espírito que o meu é


IV.

esta pessoinha de

olhos escan-
caradíssimos(qua
-se a ex-

plodir de tanta

in
-exprimív-
el

inu

-merabilid-
ade de si
mesmos)não pode

e

-ntende-
r meu ú
-nico-

e mesmo eu



V.

morrer é lindo)mas a Morte

?oh
benzinho
não

me faria bem

a Morte se a Morte
fosse
boa:pois

quando(em lugar de parar para pensar)você

começar a sentí-la,o
miraculoso por quê
de morrer?por-

que morrer é

perfeitamente natural;perfeitamente
suavizando os
termos vivo(mas

a Morte

é rigorosamente
científica
& artificial &

má & oficial)

agradecemos a ti
deus
todo-poderoso por morrer

(perdoai-nos,oh vida!o pecado da Morte



VI.

um político é um bundão sobre
o qual se sentou tudo exceto um homem


VII.

meu velho e doce etcetera
tia lucy na última

guerra podia e chegou
mesmo a te contar de que
todo mundo lutava em

prol,
minha irmã

isabel deu cria a centenas
(e
centenas)de meias sem
falar camisetas orelheiras à prova de pulgas

etcetera munhequeiras etcetera,minha
mãe esperava que

eu morresse etcetera
como um herói é claro meu pai ficava
rouco de repetir que imenso privilégio
era e se só dependesse
dele nesse ínterim a mim

mesmo etcetera estendia na paz
da lama em que afundo et

cetera
(sonhando,
et
cetera,com
Teu sorriso
olhos joelhos e com tua Etcetera)


VIII.

eu quero meu corpo quando é teu meu
corpo. É tanto tão moço que coisa.
Os músculos bem mais, os nervos demais.
eu quero teu corpo. quero-porque-quero,
quero os teus como-o-que. quero roçar a espinha
de teu corpo e os ossos, e o receio
sempre-suave-mente e aí eu
irei e irei e irei
abraçar, quero beijar aqui lá, você,
quero, afagar lento pulsar, cintilante pelo
de tua pele radiante, o-que-é-isso a vir-me
carne a carne . . . . Pupilas grandes de amor-migalhas,

e possivelmente quero o tremor

de sob mim você tanto tão moça


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E. E. Cummings (1894–1962), poeta americano, autor de O Tigre de Veludo, da editora da UnB.