chegada_2012 despedida_2011
Dorrit Harazim Nov 2011 14h19
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“Não seria mais fácil para o governo dissolver o povo e eleger outro?”, ironizou Bertolt Brecht, em 1953, ao assistir ao esmagamento do protesto de trabalhadores na extinta República Democrática da Alemanha.
As levas humanas que durante um ano se revezaram em batalhas na praça Tahrir, no Cairo, dali não pretendem arredar pé enquanto a equação não for invertida. A erupção que começou na Tunísia, despertou o Egito, avançou sobre o Iêmen e abalou o edifício de poder no mundo árabe: é a história dando um de seus saltos mais singulares.
Sua força está no objetivo mínimo, porém claro: ter voz e fazer com que ela seja ouvida. Soa até como novidade, com o frescor de algo inesperado e legítimo. Há quem veja nisso a abertura de um caminho próprio e democrático. Há quem veja revoluções em marcha, como as de 1848. E há o indubitável: as grandes potências da Europa e os Estados Unidos perderam peso, se encolheram diante do novo e do povo.
Ninguém previu essa onda humana e poucos se arriscam a traçar sua trajetória. Mas foi o fato mais marcante do ano.