poesia_FRANCISCO ALVIM

A SAÍRA E O GOLEIRÃO

Imagem A saíra e o goleirão

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PROCURO

um gatinho

chamado Bentinho

PATO SONSO

Levei a tal da mordida

que não mata mas

aleija

Disseram: um pato coxo

Só que não sabiam:

das duas patas

COMPROMISSO

Não tenho com

ninguém

Pai irmão

filho

mulher

A minha família é

de outra ordem é

universal

E AÍ?

Quando eu morrer?

Quem vai tomar conta

de minhas coisas?

SALVA DE SILVOS      

Este cascavel

dobrei-o

contrito

Genuflexo

Carrego-o comigo

em meu bolso-

enrodilhado

Naquele em que jamais

meto a mão

NA GAVETINHA DE CIMA

fulana

onde está

o

raspador

de

osso

, né?

fazêoquê

PASSOS E MÃOS

Cada vez mais

trôpegos

Cada vez mais

trêmulas

O GOLEIRÃO SARKIS

se apertar

confessa

VER

Quem diria

Uma saíra amarela

que mistura as cores de Braque e

Matisse

Há dias

bate com seu biquinho

diminutas, sonoras

pancadinhas
na janela

ampla, iluminada

do novo escritório

Ela parece me dizer

Anda muda logo pra cá

Sai daquele quarto abafado

que não sei por que motivo

entre quatro paredes

nenhuma janela

você escolheu pra trabalhar

Anda sai lá de dentro

Vem cá fora

Vem me ver


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Francisco Alvim, diplomata e poeta, publicou a coletânea Poemas (1968–2000), coeditada pela 7Letras e Cosac Naify