questões cinematográficas

“A FITA BRANCA” – ANTÍDOTO PARA O CARNAVAL

Michael Haneke, diretor de “A fita branca”, foi um excelente antídoto para o carnaval. Comentarei o filme na edição de março da piauí. Por enquanto, registro apenas o fato de que o lançamento acontece, no Brasil, entre o prêmio Golden Globe de melhor filme em língua estrangeira e a entrega do Oscar, em 7 de março, quando concorrerá ao mesmo prêmio e também ao de melhor fotografia, com Christian Berger.
Imagem “A fita branca” – antídoto para o carnaval

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Michael Haneke, diretor de “A fita branca”, foi um excelente antídoto para o carnaval. Comentarei o filme na edição de março da piauí. Por enquanto, registro apenas o fato de que o lançamento acontece, no Brasil, entre o prêmio Golden Globe de melhor filme em língua estrangeira e a entrega do Oscar, em 7 de março, quando concorrerá ao mesmo prêmio e também ao de melhor fotografia, com Christian Berger.

Na “The New Yorker” de outubro de 2009, Anthony Lane escreve que Michael Haneke sofre para não rotular “A fita branca” com uma etiqueta específica demais: “É importante para mim que o filme não seja visto, até na América, como tratando de um problema alemão, ou sobre a época do nazismo. Isso é um exemplo, mas é mais que isso. É um filme sobre as raízes do mal […] Há sempre alguém numa situação desgraçada, que aproveita a oportunidade, através da ideologia, para se vingar, para emergir da sua miséria e retificar sua vida. Em nome de uma idéia linda, você pode se tornar um assassino.”

Em entrevista a Rodrigo Fonseca, publicada em “O Globo” ( 15/2/2010 ), Michael Haneke declarou: “A Alemanha que encontramos às vésperas de 1914 não me parece ser um paraíso perdido, que viria a ser maculado pelo nazismo. A barbárie e a perda da humanidade já faziam parte daquele mundo. Mas o ano de 1913, especificamente, marca a primeira grande ruptura cultural no país ( poucas décadas após a Unificação Alemã, onde diferentes estados germânicos se juntaram numa só nação, sob a égide do estadista prussiano Otto von Bismarck ). Por isso, eu precisava resgatar aquele período. Ele era essencial para a motivação: flagrar a gênese do mal. Naquela época, um antigo regime, guiado por Deus e por práticas autoritárias, ainda funcionava. Mas começavam a voar os primeiros estilhaços dessa estrutura política.”

Clique aqui para ler a íntegra da entrevista de Michael Haneke a Alexander Horwath, publicada na “Filmcomment” de novembro/dezembro, 2009.  


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