questões cinematográficas

AKIRA KUROSAWA (1910 – 1998) – II

“Eu sinto que o que está errado com a indústria cinematográfica japonesa hoje é que a questão do marketing dominou o processo de tomada de decisão sobre qual filme será feito. Não há nenhuma maneira que pessoas de marketing – no nível em que se encontram seus cérebros – possam entender o que vai ser um bom filme e o que não vai, e é realmente um erro lhes dar hegemonia sobre tudo isso. As produtoras estão na defensiva. 
Imagem Akira Kurosawa (1910 – 1998) – II

2 min de leitura

Presentear este artigo

Digite o endereço de e-mail do presenteado e enviaremos uma mensagem com o link para abrir o artigo

Para homenagear Akira Kurosawa no centenário do seu nascimento, transcrevo o comentário recebido de uma jovem estudante:

“[…] gostaria de contar uma experiência de êxtase cinematográfico que eu não tinha desde que descobri Kubrick vendo e “2001”. O diretor da vez foi Akira Kurosawa, e muito me envergonho por nunca haver assistido a um filme dele antes. Os filmes foram “Kagemusha” e depois “Os sete samurais”. Confesso que não estava preparada para o que estava por vir; cada plano de “Kagemusha”, eu senti, ao invés de simplesmente ‘ver’ a genialidade da composição. Assisti prendendo o fôlego, temendo a cada sequência o que estava por vir, se eu ia agüentar, e o mesmo com “Os sete samurais”. Ao final de cada filme, eu pude finalmente respirar…

E fiquei dias muito introspectiva, pois os filmes haviam sido muito intensos, muito grandiosos e eu não consegui ‘processar’. Fiquei com o sentimento de ter sido abandonada no mundo real quando os filmes acabaram, como quando um grande amigo de muitos anos vai embora. Sei que posso ver os filmes novamente, mas não vai ser a mesma coisa. Não vai chegar nem perto. Ver filmes assim é inspirador e me faz acreditar no ser humano  (apesar das coisas hediondas que ele faz) […]”

Entre as declarações publicadas esta semana sobre Akira Kurosawa, não li nada melhor do que esse email. Talvez seja sinal de que uma boa maneira de homenageá-lo seja ficar em silêncio, e rever seus filmes. Afinal, o que haverá ainda a dizer a respeito de um diretor cujos filmes são capazes de provocar uma reação como a dessa estudante quando vistos pela primeira vez – no caso de “Os Sete samurais” mais de cinquenta anos depois de ter sido realizado?


Ícone newsletter Piauí

A revista piauí garante a privacidade dos seus dados, que não serão compartilhados em nenhuma hipótese. Você poderá cancelar a inscrição a qualquer momento.