questões cinematográficas
Abr 2010 10h26
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Promoção ou jornalismo? Repito a pergunta, feita no post de quinta-feira (1/4/2010), por que a dúvida persiste. Mesmo sendo dia do centenário de nascimento de Chico Xavier, a teria dedicado cerca de dez minutos do Jornal das 10 de ontem (2/4/2010) a uma entrevista de Marcel Souto Maior, autor de As Vidas de Chico Xavier, se o filme dirigido por Daniel Filho, baseado nessa biografia, não estivesse em cartaz? Teria incluído ainda, no mesmo jornal, matéria estapafúrdia sobre a relação de Chico Xavier com Juscelino Kubitschek?
O centenário de Chico Xavier ou o filme de Daniel Filho justificariam por si só essas inclusões? Maneira simples de responder seria comparar o tempo dedicado ao assunto por programas jornalísticos de outras emissoras, inclusive as da própria Rede Globo. A comparação talvez revelasse caso de abuso de poder e concorrência desleal – canais de televisão favorecem um filme produzido por empresa ligada às próprias emissoras, em detrimento dos demais filmes em exibição. Exemplo disso é a programação dedicada a Chico Xavier que começa hoje (3/4/2010) no Canal Brasil.
Ser produzido pela Globo Filmes, ou ao menos estar associado a ela, tornou-se condição necessária, embora não suficiente, para que um filme brasileiro tenha sucesso comercial. Chico Xavier, dirigido por Daniel Filho, é apenas um caso paradigmático dessa relação de dependência.
O resultado do modelo de produção implantado, a partir de 1994, com as leis de isenção fiscal, é esse: favorecidos por forte mídia no lançamento, filmes com ambições comerciais são produzidos sem risco pela Globo Filmes, com reduzido ou nenhum investimento próprio, graças aos recursos incentivados. Em nome da criação da indústria cinematográfica, o que acabou sendo implantada foi uma subsidiária da televisão.
É essa subordinação que define o perfil dominante do cinema brasileiro que alcança o circuito comercial de salas de exibição, com alguma possibilidade de ser visto por um número significativo de espectadores.