questões cinematográficas

ENTRE A LUZ E A SOMBRA

Oitenta valorosas pessoas viram Entre a luz e a sombra, dirigido por Luciana Burlamaqui, no fim de semana de estréia (o documentário é distribuido pela Videofilmes, empresa da qual o editor da piauí, João Moreira Salles, é sócio. Foram, ao todo, seis sessões, nos dias 27, 28 e 29 de novembro, em São Paulo, Belo Horizonte e Santos. Em média, treze pessoas por sessão. Os números falam por si, mas o desastre comercial não desmerece o filme.
Imagem Entre a luz e a sombra

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Oitenta valorosas pessoas viram , dirigido por Luciana Burlamaqui, no fim de semana de estréia (o documentário é distribuido pela Videofilmes, empresa da qual o editor da piauí, João Moreira Salles, é sócio). Foram, ao todo, seis sessões, nos dias 27, 28 e 29 de novembro, em São Paulo, Belo Horizonte e Santos. Em média, treze pessoas por sessão. Os números falam por si, mas o desastre comercial não desmerece o filme.

Sem mencionar as mais de cem mil pessoas que, no mesmo período, preferiram ver Planeta 51, animação anglo-espanhola, anunciada como “uma divertida aventura intergaláctica repleta de criaturas estranhas e alienígenas!”, mais de oitocentas foram ver Cidadão Boilesen, e mais de quatrocentas viram Eliezer Batistao engenheiro do Brasil. Resultados igualmente inexpressivos, ainda assim superiores ao do filme de Luciana Burlamaqui.

Apesar da rejeição, , em exibição também no Rio de Janeiro desde 4 de dezembro, é um documentário diferenciado, de grandes méritos, que se destaca na produção brasileira recente. Trata de questões relevantes do presente, registradas à medida que ocorrem e com desfecho imprevisível. Enquanto o que tem prevalecido são filmes voltados para o passado, tratando em poucos casos de temas mais controversos.

Operando ela mesma a câmera e o áudio, Luciana Burlamaqui capta situações que nem mesmo uma pequena equipe usual, de três pessoas, conseguiria gravar. Em sete anos dedicados ao projeto, consegue dar conta, não de um flagrante passageiro, mas do decurso do tempo, retratando período significativo da vida de seus personagens e as transformações vividas por eles ao longo desses anos.

As oitenta pessoas que viram no fim de semana de estréia, e as que tiverem visto o documentário nos dias seguintes, formam, sem dúvida, um grupo muito reduzido. Ainda assim, por terem visto um grande filme, devem ser celebradas. A elas, os meus cumprimentos.


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