questões cinematográficas
Nov 2010 20h02
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Recebi da minha irmã, Silvia Escorel, o email transcrito abaixo. Não deixarei de atender ao apelo dela para que eu deixe um pouco de lado as “solicitações ‘cabeça’”.
No último fim de semana, assisti à primeira parte da versão integral, de quase 5 horas, do documentário “Notícias de antiguidades ideológicas”, dirigido por Alexander Kluge, sobre as anotações feitas por Eisenstein em seu diário a respeito da ideia de filmar “O Capital”. Em matéria de documentário “cabeça”, esse é campeão, e parece que minha irmã ficou preocupada comigo.
Penso fazer ainda um pequeno comentário mais motivado por “Notícias de antiguidades ideológicas” do que propriamente sobre o filme. Mas por enquanto, fiquemos com coisas mais amenas:
“Querido irmão,
Soube que você está hesitando em assistir ‘Harry Potter e as relíquias da morte’ que estreia sexta-feira e entendo que, em meio a tantas solicitações “cabeça”, hesite em assistir a um filme que considera “mero” passatempo. Mas, por favor, vá, vá sem falta.
Olha, lamento que até hoje você não tenha desfrutado do prazer que é mergulhar no mundo mágico criado pela J.K Rowling. Reconheço que popularidade nem sempre (talvez quase nunca) seja sinônimo de qualidade mas, nesse caso, acredite, o sucesso é mais do que merecido. A saga do pequeno bruxo percorre uma trajetória à primeira vista pouco inovadora, mas na verdade cheia de surpresas.
Como milhares de pessoas de todas as idades e meios sociais, fui conquistada pelo personagem desde o primeiro livro, “Harry Potter e a pedra filosofal”. Vibrei com as aventuras e desventuras do personagem, amei seus amigos e odiei seus inimigos: todos parecem ao mesmo tempo velhos conhecidos e pessoas inteiramente novas e originais. O pior dos piores magos, o monstruoso e diabólico Voldemort, tão temido que poucos têm coragem de pronunciar o seu nome, reúne seus asseclas em torno da ideologia do puro sangue de bruxo.
Será que agora você está querendo ler os livros, mas ainda não convencido a ver os filmes? Mas os filmes são o máximo. Você deveria ver todos. Se quiser te empresto os DVDs. Tem que ver. Os filmes do Harry Potter são um acerto do início ao fim. Nunca vi filme nenhum pegar tão bem o espírito de um livro. Talvez, mutatis mutandi, o ‘Gattopardo’ do Visconti. Mas até naquele caso gostei mais do livro do Lampedusa. No caso do Harry Potter os filmes são tão deliciosos quanto os livros e estou radiante de ver que este que entra agora em cartaz e que pensei fosse o último não é, pois está anunciado como “parte I” o que pressupõe uma “parte 2”. Viva! Todos os filmes são um acerto por isso acredito que este mais recente também seja…Bom, você com sua visão 110 e perspicácia política e cinematográfica privilegiada com certeza vai encontrar 1001 defeitos que me escaparam mas isso não invalida a importância de ir ver. Então por favor, vá ao cinema. Já!
Beijo da
Sil’
Sendo assim, só me resta ir ver “Harry Potter e as relíquias da morte” e pedir emprestado depois os DVDs do filmes anteriores.
Em tempo: minha visão 110 é só no olho esquerdo. O direito é deficiente. Quanto ao resto da frase, relevem a benevolência da minha irmã.