questões cinematográficas
Fev 2010 12h48
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Mais estranho do que o título do filme dirigido por Beto Brant é a maneira como ele foi lançado. No Rio, ao menos, em um único cinema, com só uma sessão por dia, às 10 da noite, na sexta-feira, véspera do carnaval.
O que leva um produtor a aceitar um lançamento nessas condições? Se o presidente Lula não detivesse o monopólio das metáforas esportivas, diria que parece um ato de desespero, feito apenas para cumprir tabela, atendendo a alguma exigência contratual.
Havia cerca de 30 abnegados na sessão no dia da estréia. Dois são veteranos profissionais do setor, fiéis ao cinema brasileiro. Todos assistiram ao filme sem protestos, apesar da qualidade da imagem e do som serem péssimas, motivo suficiente para revolta.
Espero que ninguém venha dizer que as deficiências técnicas são intencionais, adequadas ao trabalho de videoarte da personagem principal. Isso só agravaria o caso, além de ser um desrespeito aos videoartistas.
Alguma razão deve haver para Beto Brant, diretor de talento e capacidade reconhecidos, em filmes como “Os Matadores”, “Ação entre amigos” e “O Invasor”, fazer um filme como esse “O amor segundo B.Schlanberg”. Talvez esteja saturado das formas narrativas de seus filmes anteriores e à procura de uma nova maneira de se expressar. Se essa hipótese tiver razão de ser, justificaria em parte sermos submetidos ao seu experimento. Por outro lado, depois de termos visto o filme, conquistamos o direito de pedir que Beto Brant chegue a algo menos embrionário, antes de torná-lo público. Menos autocomplacência e mais rigor são recomendáveis.