questões cinematográficas
Jul 2010 04h06
2 min de leitura
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Antes mesmo de ter lido o post de sexta-feira (), Armando Freitas Filho mandou email, a propósito do comentário publicado na piauí_46 sobre “O Bem Amado” (), dando outro exemplo da orquestração promocional em torno do filme, feita por empresas das Organizações Globo:
“Todo dia, de fone nos ouvidos, escuto na rádio ‘CBN’ os programas que abrem a manhã. De uns meses para cá, toda sexta, o programa do Heródoto Barbeiro se encerrava, às 9h30’, com uma montagem das falas do Odorico Paraguaçu, na voz de Paulo Gracindo. Elogia muito a criação ‘genial’ do Dias Gomes na interpretação ‘genial’ do Gracindo. Num locutor sóbrio como o Barbeiro essa adjetivação soa anômala. Por que só nas sextas? Para fechar a semana e de quebra coincidir com o dia que os cinemas mudam de programação, sem "gastar" muito a surpresa, creio. Hoje, fez-se a seguinte cena: Heródoto comunicava ao Odorico, por telefone, que ele ia entrar de férias porque um novo prefeito o substituiria.
No Rio, desde há muito, vivemos sob o imaginário e a posição da ‘Globo’: da TV, para ‘O Globo’, deste para o ‘Extra’, daí para a ‘CBN’ etc. Que falta faz um ‘JB’, um ‘Correio’, um ‘Diário de Notícias’, uma ‘Última Hora’, uma ‘Tribuna’, um ‘Diário Carioca’ (de saudosa memória), e até d’ ‘A Noite’, onde aprendi a ler, com meu pai me mostrando as manchetes numas longínquas férias de verão na casa de Petrópolis. Que diversidade de opiniões! Hoje há, apenas, uma visão homogênea de uma sem-gracice só.
Não vi ‘O Bem Amado’. Aliás, nunca vi esse tal de ‘O Bem Amado’. Nunca me interessei por novelas e a dramaturgia do Dias Gomes na TV sempre me pareceu… ingênua. Gostei, – e muito – do ‘Pagador de Promessas’, do filme. Gostaria até de revê-lo para ver se ele resistiu ao tempo. O cinema de antigamente era tão frágil no material (celulóide?) quanto no enredo, segundo meu modo de ver. Não há gênero que envelheça mais rápido do que o cinema, arrisco. Por que será que tenho essa sensação? E por que que um filme despretensioso como ‘Casablanca’ dura para sempre, quando, salvo erro, foi realizado sem grandes intenções? Seguirei à risca sua prescrição a cerca da leitura mastigada da piauí e do gole do blog para abrir e fechar a semana.
Grande abraço. Armando”