anais da boa administração
João Moreira Salles Abr 2026 23h40
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"O impacto dele ainda não foi medido e a gente ainda não consegue avaliar a falta que o Turco vai fazer. Quando houver uma nova crise, quem a gente vai chamar?”, pergunta o advogado Justiniano de Queiroz Netto, referindo-se a seu amigo Adnan Demachki, ex-prefeito de Paragominas, município no sudeste do Pará.
Não foi uma Paragominas serena que Demachki herdou ao assumir a prefeitura, em 2005. Uma moradora local registrou que, em meados dos anos 2000, as florestas da região desapareciam com tal velocidade, e a atividade madeireira avançava com tamanha energia, que o pó das serrarias escurecia o Sol. Uma pessoa em visita a um parente estacionou o carro na rua e no dia seguinte quase não o reconheceu: a carroceria era pura lama, efeito da chuva que caíra sobre a fuligem durante a noite.
A grande crise começou a ser gestada em 2006. Em julho daquele ano, entidades representativas de 90% dos processadores e exportadores de soja brasileiros se reuniram com ONGs, ambientalistas e o governo federal para formalizar um pacto em que se comprometiam a “não comercializar soja oriunda de áreas desflorestadas dentro do bioma Amazônia após 24 de julho de 2006”. O acordo ficaria conhecido como Moratória da Soja.
Paragominas era uma das fronteiras de expansão da lavoura e, de um golpe, boa parte da produção estava sujeita a mofar nos silos. Meses depois, já em 2007, a Cargill, maior compradora de grãos do município, anunciou que não queria mais o produto, pois não havia como separar a soja boa da soja do desmatamento. Era difícil contestar a decisão. Apenas naquele ano, o Ibama lavraria em Paragominas 150 autos de infração por crimes ambientais.
O que já era ruim ficaria muito pior em janeiro de 2008, quando o Ministério do Meio Ambiente (MMA) publicou a lista dos 36 municípios responsáveis por metade do desmatamento na Floresta Amazônica. Paragominas ocupava a 23ª posição. Figurar nesse rol implicava uma série de medidas punitivas caso os municípios não cumprissem metas estabelecidas pelos técnicos do mma: restrição de crédito, impossibilidade de escoar a produção, proibição de vender a propriedade ou transferi-la por herança. O desmatamento cobrava, enfim, o seu preço.
“Houston, temos um problema”, pensou Justiniano Netto, então presidente do Conselho de Meio Ambiente da Federação das Indústrias do Estado do Pará. Morador de Belém, criado em Paragominas, grande amigo e futuro colaborador de Demachki na prefeitura, os dois logo se consultaram sobre o que fazer. Antes, porém, era preciso dirimir uma dúvida: “Será que a gente desmata?”, perguntou o prefeito.
A questão pode parecer insólita, dado o Sol encoberto e as cinzas que caíam como neve sobre a cidade, enlameando tudo. Ocorre que, para a cultura local, desmatamento era coisa que acontecia longe, na zona rural. A gestão municipal, como lembra Netto, não tinha nada a ver com isso. “A gente cuidava de saúde, educação.” Para Demachki – e para o gestor municipal de modo geral –, meio ambiente era praça e chafariz. Ele zelava pela área urbana e ficou espantado ao descobrir que também precisava cuidar da área rural.
Isso era novo. E, por ser novo, “nós não tínhamos os dados”, explica Netto. Aquilo não era da alçada nem do município nem do estado. Era assunto de Marina, do Ibama, de Brasília. “A agenda local era sempre resistente a isso: ‘Lá vem o Ibama querendo engessar o desenvolvimento da Amazônia...’”
Netto teve uma ideia: podia apresentar Demachki a alguém capaz de responder à pergunta sobre o desmatamento. “Ele tem os dados”, garantiu. Poucas semanas depois da publicação da lista, o prefeito pegou o carro, viajou as cerca de cinco horas que separam Paragominas de Belém, e, à noite, num restaurante de sushi, sentou-se com Netto e com o engenheiro agrônomo Beto Veríssimo, um dos fundadores do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, o Imazon. Veríssimo trazia os números do desmatamento, aferidos por um sistema de sensoriamento remoto desenvolvido pelo instituto. “O desmate acontecia, sim, e nós decidimos não assumir uma postura negacionista”, diz Netto.
Veríssimo e Demachki, que se conheceram naquele dia, se tornariam grandes amigos. “O que chamou a minha atenção é que Adnan não negou o problema”, lembra Veríssimo. Ao ser apresentado aos números, o prefeito comentou: “Tem muitas culpas aqui.”
Ali mesmo, num guardanapo, os três esboçaram um plano para enfrentar a situação. “Beto falou: ‘Ó, na semana que vem te mando um dream team do Imazon e a gente começa a fazer um diagnóstico socioeconômico do desmatamento e a monitorar os desmates pelo nosso sistema. Eu te mando os alertas mensais, e aí vocês vão a campo verificar’”, conta Netto.
Verificar era essencial porque não seria possível sair da lista sem antes saber quem estava desmatando. Eram os madeireiros? Os sojicultores? Os pecuaristas? Todos eles? “A gente não sabia”, diz Netto. Todos os meses, a prefeitura recebia os alertas do Imazon e o superintendente de Meio Ambiente de Paragominas, Felipe Zagalo, pegava o Fiat da secretaria e ia atrás dos locais dos incidentes.
Parece mais simples do que era. O município, que já foi do tamanho de três Bélgicas, ainda é hoje um dos maiores do Brasil – equivale a um Sergipe. Como Zagalo contou à piauí em 2019, “o Imazon mandava a imagem de uma quadra geográfica lá na ponta, dizia ‘Ali tem desmate’, e a gente entrava no Fiatzinho. Pegava 100 km de estrada de chão achando que dava lá, mas não dava. Fazia meia-volta, tentava outro ramal e o carro não passava”. A logística era um inferno. Quando enfim ele voltava dessas fiscalizações, a constatação era sempre a mesma: “É carvão. É carvão. É carvão.”
Aquilo era uma surpresa: “Não era o agricultor nem o pecuarista e nem mesmo o madeireiro. Era o carvoeiro, e isso a gente não sabia. O cara não aparecia no nosso cenário”, conta Zagalo. Demachki baixou uma medida administrativa proibindo o licenciamento de novas carvoarias. A partir de então, só seria permitido processar resíduos de serraria, não mais madeira de desmatamento.
Em março, passadas poucas semanas do sushi, o prefeito ligou para Beto Veríssimo e anunciou: “Vamos fazer um pacto.” Na última semana do mês, Demachki reuniu mais de quinhentas pessoas no auditório do sindicato rural. Estavam representadas as forças econômicas, políticas e sociais do município – mais de cinquenta entidades patronais e da sociedade civil, além do secretário de Meio Ambiente do Pará e do responsável pelo programa de combate ao desmatamento do MMA.
A cidade se comprometia a não desmatar mais. No que viria a ser chamado de programa Município Verde, haveria monitoramento constante, um grupo de trabalho consolidaria as informações e os dados seriam publicados para que todos soubessem quem estava desmatando, em qual fazenda, e com que propósito.
Todos assinaram. Paragominas foi o único município que decidiu não brigar com o governo federal e, principalmente, não brigar com os dados.
Para sair da malfadada lista era preciso cumprir duas condições: reduzir o desmatamento anual a menos de 40 km2, mantendo por dois anos consecutivos uma taxa média inferior à registrada entre 2005 e 2008, e promover a atualização cadastral de pelo menos 80% dos imóveis rurais do município, com o intuito de radiografar a situação ambiental de cada propriedade.
Havia uma astúcia imensa nesse arranjo: as metas impostas pelo MMA eram coletivas, não individuais. “Não era você que precisava se enquadrar, era a cidade”, explica Daniel Azeredo, procurador do Ministério Público Federal que comandou ações de combate ao desmatamento na região. A divulgação dos nomes dos desmatadores de Paragominas criava uma pressão social para que os infratores deixassem de delinquir.
Netto começou a notar uma mudança de mentalidade. “O cara dizia: ‘O problema de desmatar não é nem mais a multa do Ibama, é que eu vou me sentir um pária, um cara que tá jogando contra...’” Azeredo ouviu de um produtor local que, antes, ele e os amigos iam para o bar xingar o Ibama. Depois do pacto, passaram a reclamar do vizinho: “Ô, bicho, não faz isso não porque você tá prejudicando todo mundo.”
Se o infrator fosse maçom, membro do Lions, filiado ao sindicato patronal ou a qualquer outra associação que assinara o pacto, Demachki ou Zagalo levavam pessoalmente a informação até a entidade do infrator: “Ó, tem um associado teu que desmatou aqui, ó.” E o responsável era invariavelmente repreendido. “A ideia era gerar um constrangimento no sujeito. A censura era coletiva”, contou Zagalo à piauí, em artigo publicado em 2021.
Tudo corria bem até o dia 23 de novembro de 2008, um domingo. Naquela madrugada, o Ibama apreendeu catorze caminhões carregados de madeira extraída ilegalmente de uma reserva indígena. Os veículos foram estacionados na sede municipal do órgão que, diante do que aconteceria dali a pouco, levava, não sem ironia, o nome de Parque Ambiental de Paragominas.
Horas depois, ao cair da tarde, os madeireiros, revoltados com a ação, foram até a unidade, atearam fogo ao prédio e, não contentes, furtaram as carretas e sumiram com a carga ilegal. As imagens do incêndio acendendo a noite paraense foram exibidas em rede nacional. Era uma afronta aos poderes constituídos e à política de combate ao desmatamento.
Foi nesse domingo fatídico que Tasso Azevedo conheceu Adnan Demachki. À frente, então, do Serviço Florestal Brasileiro – que ajudara a criar junto com Marina Silva – Azevedo, Carlos Minc, sucessor de Marina no MMA, e André Lima, diretor do programa de combate ao desmatamento, tomaram um avião da FAB e desembarcaram em Paragominas. Foram prontamente recebidos pelo prefeito, que não tergiversou: “Vocês estão certos”, relembra Azevedo, “eu vou resolver.”
Na noite de domingo para segunda, Demachki convocou todas as lideranças do município. Poucas horas depois do amanhecer, ele entrou no auditório da prefeitura, caminhou até o palco e viu diante de si boa parte dos poderes locais: sindicatos, vereadores, madeireiros, pecuaristas. A convocação reunira 51 associações locais. “A cidade precisava mudar”, lembra-se Netto. “A gente olhava aquela gente toda e dizia: ‘Se vocês não quiserem que os nossos filhos sejam ciganos, indo sempre em frente sem nunca parar num lugar, então a gente vai ter que fazer de outro jeito.’”
A plateia estava tensa. Muitos queriam partir para o enfrentamento. Demachki argumentava que não havia saída senão cumprir a lei. Cumpri-la, porém, significava mudar modos de vida que haviam feito da Amazônia o que ela se tornara: um território sem Estado, onde as regras podiam ser violadas a um custo quase nulo e, sobretudo, uma vastidão a ser colonizada por direito de quem chega primeiro, nesse espírito de fronteira em que a floresta é vista como obstáculo, não patrimônio.
Para boa parte dos que ali estavam, o amplo programa de conformidade ambiental que Demachki propunha contrariava tudo o que haviam aprendido e feito ao longo de suas vidas de pioneiros. Implicava em monitoramento sistemático do território, exigência de cadastramento ambiental, regularização das atividades produtivas e articulação com as instâncias de controle para garantir que todo desmatamento ilegal seria punido.
Aqui e ali, a impaciência dava sinais de que poderia se transformar em revolta. Foi quando Demachki moveu sua peça e imprensou a plateia. Ele acabara de ser reeleito com 74% dos votos. Era um prefeito popular, em quem a população confiava. Filho de um torrefador de café que emigrara do Líbano, ele fizera a vida na advocacia, não na madeira nem na pecuária. Era um profissional liberal que não carregava na memória a experiência de fronteira, com seus costumes e suas convicções arraigadas. Não tinha lado: era um mediador imparcial.
Apoiado no capital de confiança que construíra ao longo de sua gestão, pôs a mão no bolso do paletó e sacou de lá duas cartas. Desdobrou-as com cuidado e as ergueu à vista de todos. A primeira, que ele já mostrara ao ministro Minc, era um pedido de desculpas ao Brasil pelo ocorrido na véspera, seguido de uma declaração de compromisso de que Paragominas acabaria com o desmatamento. A segunda era sua carta de renúncia. Qual das duas deveria mandar aos veículos de comunicação? Quem ainda se opunha ao pacto se sentiu constrangido, e o pedido geral foi que o prefeito rasgasse a segunda carta e enviasse a primeira, a do pedido de desculpas e do compromisso.
O pacto foi aprovado.
Paragominas foi o primeiro município do Pará a realizar o cadastro ambiental de boa parte de seus imóveis rurais. Foi também o primeiro a sair da lista maldita do MMA. Conseguiu esse feito em 2010, menos de dois anos daquele novembro de incêndio e pacto.
Em 2009, por iniciativa da prefeitura, a educação ambiental passou a integrar a grade curricular do ensino municipal, uma ideia pioneira na Amazônia. Não se tratava apenas de uma disciplina, mas de um tema transversal, presente em todas as matérias: geografia, história, português, matemática. Nas maternidades, sempre que nascia uma criança, os pais recebiam da prefeitura duas mudas de árvores, a serem plantadas em celebração ao rebento.
O Ministério do Meio Ambiente monitorava (e monitora) a situação dos municípios críticos com base nos dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), sistema operado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Eis os dados para Paragominas:
- 2005: 300 km2 de florestas perdidas
- 2007: 110 km2
Chega o ano da lista, do sushi, do programa Município Verde e do pacto:
- 2008: 63,2 km2
- 2012: 17,1 km2
Dito de outro modo, três anos antes da publicação da lista, o município cortara um Recife de florestas; onze meses depois da lista, já na vigência do programa Município Verde, a área destruída equivaleria a dois bairros do Rio de Janeiro: Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes.
Demachki deixou a prefeitura em 2012, ano em que o desmatamento caiu a meio Recreio. Paragominas nunca mais voltaria a registrar as taxas anteriores a 2008. Em 2022, pela primeira vez em doze anos, a área suprimida ultrapassou 40 km² — limite estabelecido pelo MMA para evitar a reinclusão na lista. No ano seguinte, o índice voltou a ficar abaixo desse patamar. No entanto, como os critérios de exclusão se tornaram mais rigorosos, Paragominas permaneceu entre os municípios prioritários, mesmo tendo registrado taxas inferiores a 40 km² em 2023 e 2024. Em 2025, o desmatamento voltou a superar esse limite, ainda que por pequena margem.
Tasso Azevedo considera que os indicadores continuam bons, ainda que não no mesmo nível de antes. “O combate ao desmatamento era um trabalho contínuo”, lembra Netto, “e isso não se perpetuou. Mas o legado ambiental do Adnan não se perdeu, não desabou.”
Azevedo, que hoje dirige o MapBiomas, a mais importante plataforma de monitoramento do uso da terra no Brasil, faz uma observação importante. O município de Paragominas ainda preserva 67% de suas florestas, embora os vetores tradicionais de desmatamento – a pecuária, a monocultura da soja – estejam presentes. Paragominas é próspera e tem uma economia pujante. “Chama a atenção você estar num lugar com muita floresta e muita atividade econômica”, ele diz. “Diminuir o desmatamento quando toda a mata já desapareceu é fácil.”
Os municípios vizinhos apresentam menor cobertura florestal: Dom Eliseu tem 49,4%; Ulianópolis, 47,1%; Tailândia, 49,5%. Todos, portanto, com menos florestas do que Paragominas.
Com sua fala jeitosa, sua sabedoria política e seu rosto de coruja atenta – que observa antes de agir –, Demachki conseguiu o impensável: reuniu adversários em torno de um propósito comum, ouviu cada um deles sem permitir que nenhum fosse demonizado e construiu um acordo que, se não atendia exatamente às expectativas de muitos, era aceitável a todos.
O legado não foi apenas ambiental: aprender a obedecer a uma lei é um passo para obedecer às demais. Pelos padrões brasileiros, a cidade que Demachki entregou a seus sucessores é ordenada. As ruas são limpas. Os carros param na faixa, dão prioridade aos pedestres. Buzina-se pouco. Pode-se encher o pulmão sem risco de contaminá-lo com a fumaça das carvoarias.
Depois de atuar como prefeito, ele integrou o secretariado do governador Simão Jatene, primeiro à frente da pasta de Proteção Social, em seguida como secretário de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia. Era um nome discutido para a sucessão de Jatene, e talvez esse fosse mesmo o seu caminho, se um câncer não o tivesse afastado da vida política.
Demachki recebeu prêmios e elogios de publicações prestigiosas. Em 2013, a revista inglesa The Economist publicou uma reportagem sobre a experiência de Paragominas. A abertura da matéria dizia que, se a Amazônia havia tido um ponto de inflexão, ele acontecera na noite de 23 de novembro, horas depois do incêndio na sede do Ibama. Referia-se, claro, ao momento em que a sociedade local fora convocada a comparecer a uma assembleia em que rejeitaria a renúncia de seu prefeito e decidiria cuidar de sua floresta.
Curada a doença, Demachki voltou para a advocacia privada, que conjugava com o papel de elder statesman das cidades. Era consultado por prefeitos e secretários, visitava cidades – Nova Lima, Paraty, Maringá, Curionópolis – a convite de cidadãos, organizações e autoridades preocupadas com o aprimoramento da administração local. “Passou a ter uma vida cívica”, diz Beto Veríssimo, “era o grande municipalista.”
Em 30 de março passado, Adnan Demachki passou mal durante um evento em Brasília patrocinado pela Organização Internacional do Trabalho. Dava uma palestra sobre ações econômicas sustentáveis na Amazônia quando sentiu um aperto no coração. Achou que era uma indisposição alimentar e foi para o hotel. Como a dor não melhorasse, sua mulher Nágila o convenceu a ir ao hospital. Lá, recebeu a notícia de que o caso era grave e exigia uma cirurgia imediata de peito aberto. Eram três da manhã. Ligou para os seus três filhos – Murilo, Natasha e Nabila – e suas irmãs. Falou com cada um e só então seguiu para o centro cirúrgico, onde morreu.
“O Turco era confiável”, diz Justiniano Netto. “Era um fiador, tinha autoridade para puxar a orelha e autoridade para mediar.” Fica em silêncio, sorri um sorriso triste e repete a pergunta feita no início desta despedida: “Quando aparecer uma nova crise, quem a gente vai chamar?”
“Ele tinha duas características”, diz Beto Veríssimo. “A primeira: prometeu, cumpriu; a segunda: tinha pressa.”
Morreu aos 62 anos, jovem demais para a família, para os amigos e para aqueles – muitos – que buscavam seus conselhos. Seu velório em Paragominas lotou, reunindo produtores rurais, sindicalistas, pequenos lavradores, políticos e ambientalistas – grupos que nem sempre convivem, mas que estavam ali para se despedir do que não deveria ser raro, mas infelizmente é: um homem público exemplar.