questões cinematográficas

“O MENSAGEIRO” – PINCELADA COR-DE-ROSA (II)

Produzido por US$ 6,5 milhões, custo baixíssimo para o padrão americano, “O Mensageiro” foi exibido nos Estados Unidos 50 salas, por 14 semanas, e rendeu apenas cerca de US$ 890 mil. Ao contrário de “Os Melhores anos de nossas vidas”, é um fracasso comercial retumbante, seguindo a tendência dos filmes que tratam dos conflitos nos quais os Estados Unidos estão envolvidos.
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Produzido por US$ 6,5 milhões, custo baixíssimo para o padrão americano, foi exibido nos Estados Unidos 50 salas, por 14 semanas, e rendeu apenas cerca de US$ 890 mil. Ao contrário de “Os Melhores anos de nossas vidas”, é um fracasso comercial retumbante, seguindo a tendência dos filmes que tratam dos conflitos nos quais os Estados Unidos estão envolvidos. Ao contrário dos veteranos do filme de William Wyler, vitoriosos numa guerra já terminada e em relação à qual o sentimento dominante no país era que fora justa e necessária, a Guerra do Iraque divide os americanos, além de não ter final à vista. A perda de vidas e o custo material são altos, e as razões que levaram o país à guerra, no caso do Iraque, foram forjadas. Não surpreende, portanto, que filmes que tratam do assunto sejam rejeitados pelo público americano.

Primeiro filme dirigido por Oren Moverman, roteirista que teria participado como ator, sem aparecer nos créditos, do último filme de Louis Malle, “Vania na rua 42”, “O mensageiro”, assim como “Guerra ao terror”, está entre os filmes que, enfrentado a rejeição, procuram formas menos convencionais de tratar de um assunto explorado à exaustão.

Não há cenas de combate em “O mensageiro”, nem mesmo em flashback quando o sargento Will Montgomery conta ao seu parceiro a ação que o levou a ser condecorado. Todo o filme se passa nos Estados Unidos e, além da dificuldade de readaptação, trata da reação e consequências da guerra para os parentes dos soldados mortos em combate. É um filme sobre cicatrizes –  as produzidas em combate e as dos parentes que perderam filhos ou filhas na guerra.

Impecavelmente uniformizada, a dupla de oficiais transmite a notícia fúnebre, nem sempre conseguindo se ater ao rígido protocolo previsto. Por ser um oficial condecorado, o sargento Will Montgomery recebe essa missão. Seu heroismo, que ele mesmo não reconhece, é usado para dar dignidade à tarefa, nos últimos três meses de serviço que tem a cumprir.

O ritual, repetido algumas vezes, e a camaradagem entre os dois mensageiros é o que o filme tem de mais interessante. Ao não se concentrar nisso, porém, escorrega para um plano convencional ao se aproximar da ingenuidade própria de um filme como “Os Melhores anos de nossas vidas”, feito 60 anos atrás.

Embora narrada com sutileza, a relação do Sargento Will Montgomery com a viúva de um soldado a quem informou da morte do marido, além de pouco plausível, introduz um viés cor-de-rosa no enredo que dilui grande parte da força do filme.

Releia a primeira parte:
“O mensageiro” – pincelada cor-de-rosa (I)


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