questões cinematográficas

O MERCADO DE NOTÍCIAS – DÚVIDAS

O mercado de notícias, de Jorge Furtado, participou da mostra competitiva do Festival É Tudo Verdade, no início de abril, foi premiado, no mês seguinte, como melhor filme documentário pelos júris oficial e popular do Cine PE, em Recife, e estreou no Rio há três semanas. Só tendo assistido ao filme recentemente, se houvesse oportunidade, perguntaria ao Furtado:
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, de Jorge Furtado, participou da mostra competitiva do Festival É Tudo Verdade, no início de abril, foi premiado, no mês seguinte, como melhor filme documentário pelos júris oficial e popular do Cine PE, em Recife, e estreou no Rio há três semanas.

Só tendo assistido ao filme recentemente, se houvesse oportunidade, perguntaria ao Furtado: nos depoimentos dos treze vultos da imprensa incluídos no filme algo é dito por eles que você já não soubesse de antemão?

Estou seguro de que a resposta seria “sim”, seguida da menção aos trechos das entrevistas que foram novidade para ele. Por maior que seja o pasmo que possa provocar, não há razão para duvidar da sinceridade do Furtado.

Mas é difícil imaginar que para ele, assim como para qualquer espectador medianamente informado, haja mesmo em alguma revelação que não seja de conhecimento público.

Dessa dificuldade decorre outra pergunta: qual é a justificativa para fazer um filme sem ter algo a acrescentar a respeito de um assunto pesquisado, estudado e divulgado à exaustão?

Uma razão plausível poderia ser a de fazer um filme didático para adolescentes recém saídos do ensino fundamental. Se fosse esse o propósito, não haveria o que discutir. Mas não parece ser o caso de . A ambição de Furtado seria maior.

Ao incluir breves trechos da peça homônima, de Ben Johnson (1572 – 1637), fragmentados e disseminados ao longo do filme, a impressão é de uma demão de verniz na tentativa de dar a aparência ilustrada e ao espectador a sensação de estar assistindo a um espetáculo de mérito cultural.

Isolar pequenos trechos, selecionados aparentemente pelo conteúdo dos diálogos, apenas banaliza a peça. O texto perde sua estrutura dramática, um dos componentes essenciais da sua qualidade literária.

Finalmente, perguntaria ao Furtado: não lhe parece que indo e vindo da encenação da peça para os depoimentos durante todo o filme, se torna repetitivo e perde progressivamente interesse?


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