questões cinematográficas

“O PROFETA” SUMIU – PERCALÇOS DO COMENTARISTA

Eventuais leitoras e leitores deste blog, que por acaso também tiverem lido ou venham a ler a piauí_44, poderão estranhar o fato das “questões cinematográficas” serem dedicadas a “O Profeta”, filme que não está em exibição. De fato, desde agosto de 2009, quando a página começou a ser publicada na revista, temos procurado tratar de filmes que possam ser vistos no período em que a “piauí” estiver nas bancas. De preferência, comentando produções que estejam para ser lançadas ou cuja estréia coincida com a publicação de cada novo número. 
Imagem “O Profeta” sumiu – percalços do comentarista

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Eventuais leitoras e leitores deste blog, que por acaso também tiverem lido ou venham a ler a piauí_44, poderão estranhar o fato das “questões cinematográficas” serem dedicadas a “O Profeta”, filme que não está em exibição. De fato, desde agosto de 2009, quando a página começou a ser publicada na revista, temos procurado tratar de filmes que possam ser vistos no período em que a “piauí” estiver nas bancas. De preferência, comentando produções que estejam para ser lançadas ou cuja estréia coincida com a publicação de cada novo número.

Com exceção de um comentário sobre , publicado em novembro do ano passado (leia aqui), e do texto de janeiro deste ano sobre Os Inquilinos (leia aqui), temos conseguido manter esse sincronismo entre e a crítica e a disponibilidade do filme para o leitor. Apesar do lançamento desses filmes de Marco Abujamra e Sérgio Bianchi não terem sido feitos nas datas previstas, quando estrearam semanas depois, leitoras e leitores mais atentos ainda poderiam guardar alguma lembrança do que foi comentado sobre eles

No caso de “O Profeta”, dirigido por Jacques Audiard, há uma novidade. Marcada inicialmente para 30 de abril, sexta-feira anterior à previsão de chegada da piauí_44 às bancas, tivemos notícia do adiamento da estréia dias antes, já sem tempo para escrever sobre outro filme. De forma geral, definimos até dia 17 de cada mês o título a ser comentado e o texto é entregue até dia 23, atendendo prazo necessário para fechamento, impressão e distribuição. Ao saber do adiamento no dia 26, já não havia mais o que fazer.

A princípio, acreditamos que o adiamento da estréia de “O Profeta” seria de uma semana, passando a coincidir com a chegada da revista nas bancas, o que até seria bom.  Mas não foi o que ocorreu. A primeira notícia foi que não havia mais data prevista para o lançamento. O filme simplesmente sumiu. E vejam que não se trata de uma produção qualquer. É o vencedor do Grande Prêmio do Festival de Cannes, em 2009, consagrado também como melhor filme do ano na França e na Inglaterra, e que teve carreira comercial honrosa na Europa e nos Estados Unidos. Agora, chega a informação de que a estréia será em 11 de junho. A ver.

Por que isso acontece? É simples, me respondeu um amigo, mais enfronhado do que eu nos meandros do mercado cinematográfico. Vejam os filmes em exibição. Os quatro que tiveram as maiores bilheterias do último fim de semana ocupam mais de 50% das salas existentes no país. Ou seja, há carência de salas para atender adequadamente, tanto produções de grande alcance comercial, quanto dezenas de títulos que precisariam de carreiras mais longas em poucos cinemas para poder alcançar resultado de bilheteria mais expressivo. Sendo assim, até mesmo filmes como “O Profeta” e tantos outros, principalmente europeus e asiáticos, mas também alguns americanos e a maioria dos brasileiros, disputam brechas para serem vistos e alguns acabam reduzidos, quaisquer que sejam seus méritos e aceitação, a uma sessão por dia em poucos cinemas e a duas ou três semanas em cartaz.

Isso explica, aliás, o fato de “Os EUA contra John Lennon”, produção de 2006, que comentamos na segunda-feira passada (leia aqui), só ser lançada no Brasil quatro anos depois. As prateleiras estão repletas de títulos como esse, alguns mais, outros menos interessantes, que demoram para aparecer e, mesmo assim, quando surgem, parecem estar apenas tapando buracos na programação.


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Eduardo Escorel é cineasta. Dirigiu os documentários Antonio Candido, anotações finais, Imagens do Estado Novo 1937-45 e 1968 – Um ano na Vida, entre outros filmes