questões cinematográficas

OZU E OS CARIOCAS (II)

Sábado passado foi um dia frio e chuvoso no Rio. Confirmando a retificação que Juliano Gomes, cinéfilo devoto, me levou a fazer em post anterior (clique aqui para ler), a primeira sessão de “Coral de Tóquio”, no Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB, lotou. Filme silencioso, em preto e branco, dirigido por Yosujiro Ozu em 1931, a projeção foi acompanhada por narração de Angela Nagai e música executada por Felipe Veiga (percussão) e Tamie Kitahara (shamisen – instrumento de cordas). 
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Sábado passado foi um dia frio e chuvoso no Rio. Confirmando a retificação que Juliano Gomes, cinéfilo devoto, me levou a fazer em post anterior (clique aqui para ler), a primeira sessão de “Coral de Tóquio”, no Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB, lotou. Filme silencioso, em preto e branco, dirigido por Yosujiro Ozu em 1931, a projeção foi acompanhada por narração de Angela Nagai e música executada por Felipe Veiga (percussão) e Tamie Kitahara (shamisen – instrumento de cordas).

O catálogo da mostra “Emoção e poesia – O cinema de Yosujiro Ozu” ensina que no período do cinema silencioso, os mestres narradores –  os Benshi – eram figuras fundamentais no Japão, tendo atrasado a adoção do sonoro por sua popularidade e influência. Pelo que vimos sábado, é possível imaginar a importância dos Benshi, que “atraiam mais espectadores que os próprios atores”.

A narração de Angela Nagai, além de traduzir as legendas e dar as falas, com entonação adequada a cada personagem, incluiu indicações e comentários, chamando atenção para detalhes dos planos e fazendo referência a características comuns dos filmes de Yosujiro Ozu. Com os dois instrumentistas, ela criou uma trilha sonora completa, chegando a tocar, em certo momento, o que me pareceu ser um piccolo.

“Coral de Tóquio”, embora situado no início da crise da década de 1930, trata das consequências da perda de emprego do funcionário de uma seguradora, em tom leve, humorístico, algumas cenas chegando a ser acentuadamente cômicas. Para não especialistas em Ozu, como eu, uma grata surpresa.

A tarde teria sido perfeita se a maior parte da plateia não tivesse sido castigada pelo CCBB, sendo obrigada a fazer duas filas, durante mais de uma hora, para conseguir entrar. Nada justifica esse tratamento.

Por que exigir de frequentadores eventuais a aquisição de um passe válido por um mês, por mais barato que seja? Por que as senhas que dão acesso à sala só são distribuidas, em tese, meia hora antes da sessão? Por que não é possível comprar ingressos, com antecedência, com lugar marcado, inclusive pela internet?

Na prática, o que ocorreu sábado, de forma acintosa, diante dos olhos de todos, foi a distribuição de quantidade considerável de senhas, feita por portadores de crachá, para pessoas que chegaram muito depois das que estavam esperando na fila. Por isso, muitas que esperaram disciplinadamente para receber senha não conseguiram entrar, enquanto outras que chegaram depois nem fila tiveram que fazer.

A lamentar também o sumiço do catálogo. Distribuído gratuitamente, no final da primeira semana já não havia exemplares disponiveis. Não estando à venda, torna-se objeto raro ao qual a maioria dos frequentadores da mostra não tiveram acesso.

Estranha forma de tratar os admiradores de Yosujiro Ozu. A retrospectiva continua até domingo. Vale a pena, apesar do castigo.


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