questões cinematográficas
Mar 2010 11h37
2 min de leitura
Digite o endereço de e-mail do presenteado e enviaremos uma mensagem com o link para abrir o artigo
Indicado para quem aprecie ser chantageado – emocionalmente, quero dizer – o adendo ao título em português de – acentua o que no próprio filme não chega a ser tão piegas assim.
Quem pode ficar insensível à vida trágica de uma adolescente, submetida a toda sorte de violências? A interpretação da estreante Gabourey Sidibe conquista simpatia, enquanto atrocidades inomináveis vão sendo cometidas contra sua personagem, obesa e analfabeta.
Parece não haver saída para Claireece Jones, moradora do Harlem, em 1987. Massacrada por sua mãe – a própria encarnação do demônio, será preciso que uma santa cruze seu caminho para que ela possa ser salva. Uma professora faz o papel de anjo protetor, de bondade modelar, que leva Claireece a descobrir sua vocação de escritora. E a romper, em um mesmo impulso, com a mãe e o serviço de assistência social, incapaz de dar conta do seu drama pessoal. A libertação pela escrita, tema que poderia ter atenuado o dramalhão, fica subentendida, submersa pelo paroxismo de violência que pauta as relações entre os personagens. Carregando dois filhos no colo, uma menina com síndrome de Down e um recém-nascido, Claireece segue seu caminho. Uma história difícil de considerar como sendo “de esperança”?
O maniqueismo dos personagens de “Preciosa” dá ao filme um tom de melodrama à antiga. A narrativa na primeira pessoa fica relegada a segundo plano e as inserções da voz “off” de Claireece, em certos momentos, até surpreendem. Mesmo sem abusar da violência explícita, o inexperiente diretor Lee Daniels adota estilo eclético, oscilando entre realismo e fantasia desabrida. Imagens do passado e cenas musicais imaginárias são intercaladas, talvez com o intuito de atenuar a dureza de mais este conto de redenção.