posfácios do nosso tempo I
Jun 2023 05h00
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“O sistema educacional nunca parece muito confortável com a ideia de que a literatura infantil seja arte, e não apenas um instrumento pedagógico”, observa a escritora Ana Maria Machado em um texto publicado neste mês na piauí em que ela trata da reescrita de obras literárias infanto-juvenis. A reescrita tem sido feita, em geral, para substituir palavras que possam magoar pessoas ou grupos sociais.
Ana Maria Machado conta o caso de seu livro Menina Bonita do Laço de Fita, publicado em diversos países. Na Dinamarca, o livro esbarrou numa comissão de seleção para bibliotecas, que acusou a autora de enaltecer a mestiçagem, “apresentada sob uma luz favorável que pode desmobilizar e prejudicar a luta das pessoas pretas”. Nos Estados Unidos, sugeriram que ela trocasse um coelho que há na história por outro animal, pois “todo mundo associa coelho à promiscuidade”, lhe disseram, e o personagem reforçaria estereótipos sobre a sexualidade dos negros.
A escritora comenta: “Um efeito perturbador dessa preocupação excessiva com a assepsia literária é que a proliferação de leitores sensíveis nas editoras traga uma autocensura por parte dos autores. E que nossa literatura infantil, tão marcada pela irreverência e pelo humor, comece a ser podada no nascedouro, virando uma chatice que substitui sorriso e poesia por palavras de ordem.”
Os assinantes da revista podem ler a íntegra do texto neste link.