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A SAGA DO BARÃO DE ITARARÉ

Documentário conta a história do jornalista gaúcho que se notabilizou pelas sátiras a Getúlio Vargas
Imagem A saga do Barão de Itararé

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O ótimo documentário O Brasil que não houve: as aventuras do Barão de Itararé no reino de Getúlio Vargas acaba de estrear no Canal Curta!. O filme conta a história tragicômica do jornalista gaúcho Apparício Torelly, ou Apporelly (1895-1971), que se notabilizou no jornalismo, por suas sátiras ferrenhas ao seu maior algoz, o presidente Getúlio Vargas, uma das figuras mais controversas da história brasileira, tão amado quanto odiado.

Criador do semanário A Manha (uma piada com A Manhã, um jornal diário da época que se levava a sério), Apporelly foi inovador e revolucionário, com um inesgotável repertório de trocadilhos sagazes, como “Getúlio Dor Neles Vargas”. Pelas mãos do humorista, o lema integralista “Deus, pátria e família” virou “Adeus, pátria e família” – nada mais atual.

O codinome Barão de Itararé, escolhido por Apporelly, é uma referência à Batalha de Itararé, um confronto que não houve em 1930 entre as tropas lideradas por Getúlio e as do então presidente Washington Luís. Antes que a disputa ocorresse em Itararé, Washington Luís foi deposto e Getúlio assumiu o poder.

Com Getúlio na Presidência, a vida do humorista foi ficando cada vez mais difícil. Apporelly foi preso algumas vezes, torturado e perseguido pelo regime, enquanto afiava cada vez mais sua verve humorística.

O texto bem-humorado do documentário – narrado por Gregorio Duvivier em perfeito no tom irônico – foi escrito por Arnaldo Branco e Renato Terra, que juntos também assinam a direção. Coube a Jordana Berg e Hannah Maia a montagem das belas imagens de arquivo, fotomontagens e efeitos gráficos que transportam o espectador para aquele miolo do século XX que definiu a trajetória coletiva brasileira. O filme nos relembra quem somos, de onde viemos e como, aos trancos e barrancos, o Brasil deu no que deu.


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