A VIDA NO SERTÃO

Com fotografias, vídeos, instalações, esculturas e pinturas de mais de setenta artistas, exposição evidencia vida coletiva do sertão
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Deserto grande. Interior. Mato. Lugar árido, inexplorado, distante do mar e dos cultivos. Todas essas acepções cabem na palavra Sertão, esse vocábulo que já era utilizado pelos portugueses e consta em duas das cartas de Pero Vaz de Caminha. Ao falar para o rei sobre as terras descobertas, Caminha usa “Sartaão” como “lugar inculto ou sem arvoredo, situado longe da costa”.

Como definir então esse local à margem do rigor geográfico, quase um lugar inventado, embora esteja vivo e presente na literatura, nas artes, na imaginação? É a isso que se dedica a exposição inédita Atlântico Sertão. Com fotografias, vídeos, instalações, esculturas e pinturas de mais de setenta artistas de diferentes regiões, Sertão Atlântico teve seis curadores – Marcelo Campos, Ariana Nuala, Amanda Rezende, Jean Carlos Azuos, Rita Vênus e Thayná Trindade – que, em seis eixos temáticos, buscam apresentar o local como um território ampliado de resistência. Ecologia, espiritualidade e as conexões históricas entre o Brasil e o continente africano são usadas para evocar espaços historicamente marcados por violência e exclusão, para olhá-los como um campo de conhecimento ancestral. Das ligas camponesas às cosmovisões indígenas, a dimensão coletiva da vida no sertão é enfatizada, com obras que remetem a modos de existência baseados na partilha, na oralidade e na preservação da memória, especialmente nas comunidades negras. A programação inclui ainda atividades educativas e debates sobre direitos humanos.

A exposição fica até o dia 3 de agosto no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, aberta de quarta a segunda-feira, das 9 às 20 horas, mediante retirada de ingressos gratuitos. Após esse período, a mostra deve seguir para as unidades do CCBB em Salvador, em setembro, e de Brasília, no início de 2027.


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