BRECHERET E A ALMA BRASILEIRA

Exposição com esculturas, fotografias e documentos mostra relação do escultor com os povos originários
Imagem Brecheret e a alma brasileira

Presentear este artigo

Digite o endereço de e-mail do presenteado e enviaremos uma mensagem com o link para abrir o artigo

Que atributos, formas e padrões representam o Brasil? O que simboliza, afinal, os muitos povos, cores e culturas que cabem no que deveria ser esta “pátria mãe gentil”? Essas complexas perguntas, que seguem colocadas hoje, já intrigavam um jovem escultor nas décadas de 1920 e 1930. Nascido na Itália, Victor Brecheret foi transplantado ainda menino para o Brasil, onde frequentou aulas no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Viveu entre o Brasil e a Europa, onde completou seus estudos e teve contato tanto com escultores da geração pós-Rodin quanto com Mário de Andrade e os jovens intelectuais e artistas da Semana de Arte Moderna de 1922, da qual participou.

Talvez por ser um pouco de cada canto, Brecheret tenha conseguido a mistura exata de distanciamento e pertencimento para captar a alma brasileira. Ou ao menos a alma daquele momento. A mostra Victor Brecheret: a imagem indígena como símbolo de brasilidade, em cartaz até 30 de agosto no Centro Cultural Fiesp, em São Paulo, traz esculturas, fotografias e documentos que ajudam a entender como a influência dos povos originários acompanhou diferentes momentos de sua produção, imbuída de um olhar inegavelmente modernista.

Blocos de pedras com apenas alguns traços, em esculturas quase minimalistas; uma onça estilizada; uma mulher deitada em uma rede, inspirada em cenas captadas da vida indígena no Brasil Central e na Amazônia, que ele acompanhava pela imprensa. Essas e outras obras instigantes nos ajudam a acompanhar e especular sobre seu processo de construção de uma linguagem própria, de um Brasil a um tempo ancestral e moderno.

Para quem está acostumado apenas a apreciar de passagem o Monumento às bandeiras, no Parque Ibirapuera, talvez sua obra mais conhecida, vale este convite (a visitação é gratuita) para conhecer outras peças deste grande escultor que, com curiosidade e sensibilidade, teve uma contribuição fundamental para o modernismo e para a identidade cultural do país.


Ícone newsletter Piauí

A revista piauí garante a privacidade dos seus dados, que não serão compartilhados em nenhuma hipótese. Você poderá cancelar a inscrição a qualquer momento.