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LABIRINTO POP DA ARTE

Em exibição na Pinacoteca de São Paulo, exposição conta como se constituiu o pop brasileiro
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A exposição Pop Brasil: vanguarda e nova figuração, 1960-70, em exibição na Pinacoteca de São Paulo até o dia 5 de outubro, é uma vertiginosa viagem por um dos períodos mais profícuos da produção cultural jovem brasileira – uma época em que cultura de massa e vanguardas se esbarravam e formavam a cena pop do país. Com curadoria de Pollyana Quintella e Yuri Quevedo, 250 obras compõem a mostra com fotografias, painéis, vídeos, telas, cartazes e ilustrações, contando como se constituiu o pop brasileiro, em diálogo com a ebulição política e comportamental ao redor do mundo.

Na exposição, várias histórias conversam entre si. Há a história de como o herói pop desse período devia ser um herói marginal – ideia representada na bandeira-poema Seja marginal Seja herói, do artista plástico Hélio Oiticica, produzida entre 1966 e 1967, exposta logo na entrada da mostra. A imagem do homem morto na bandeira é a de um infrator que se mata ao ser cercado pela polícia. Essa imagem, por sua vez, dialoga com a exibição do filme O bandido da luz vermelha, longa-metragem dirigido por Rogério Sganzerla em 1968. O protagonista do filme é uma figura antiestablishment, um pária social violento e que faz contraponto com a violência institucionalizada do Estado naquele período. Essas obras ressoam também na fotografia singular de Evandro Teixeira mostrando um estudante de medicina perseguido por militares na passeata dos 100 mil durante a ditadura militar, ou na poderosa fotografia de Carlos Vergara, que registra três homens negros no bloco de carnaval Cacique de Ramos com a palavra “poder” pintada em seus corpos de torso nu.

A exposição abre espaço também para os ídolos populares que se multiplicavam nos meios de comunicação de massa como a televisão, o cinema e os discos. Destaque para a obra Adoração (altar para Roberto Carlos), em que o artista plástico Nelson Leirner cria um painel em neon onde a imagem do cantor romântico se mistura a santos católicos num altar. Há fotografias de Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Caetano Veloso, Mutantes e Chacrinha; um vídeo de Elis Regina cantando Arrastão num festival de música; fotos de Chico Buarque sem camisa e de Sônia Braga como musa sexy. A mostra é um irresistível labirinto pop cheio de luzes, cores, sons e referências com obras de mais de cem artistas, todas retratando um tempo multifacetado e ao mesmo tempo imediatamente reconhecível.


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