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O PRAZER DE VENCER

Filme Rivais, dirigido por Luca Guadagnino, procura compreender os caminhos da satisfação no tênis e nos relacionamentos
Imagem O prazer de vencer

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“O tênis é um jogo feroz”, define Rubem Alves ao pensar a relação entre casamentos e o esporte cujo prazer está em cortar, humilhar, suprimir o adversário. Para o autor, o tênis se desenrola como um relacionamento fadado ao fracasso. O desejo é a bola, o diálogo é uma partida. É sobre essa mesma premissa que Rivais, filme com direção de Luca Guadagnino e atualmente disponível na plataforma de streaming da Amazon Prime Video, conquista até o público mais alheio ao esporte.

Assim como Alves, Guadagnino também está interessado em compreender os caminhos do prazer no tênis e nos relacionamentos. Os paralelos entre o esporte e o amor vão além da fantasia e da conversa. O prazer de vencer – ou derrotar – é colocado em jogo no triângulo amoroso formado pelo campeão mundial Art (Mike Faist), o frustrado Patrick (Josh O’Connor), e Tashi (Zendaya), uma prodígio do tênis que foi arrancada das quadras em decorrência de uma lesão.

Usando uma partida como o fio condutor de uma história de mais de vinte anos, Rivais não hesita em torcer o espectador como a bola torce os pescoços dos torcedores. Hipnotizados, vamos e voltamos no tempo, mas nunca de forma supérflua. Embora seja maximalista na montagem, no roteiro (de Justin Kuritzkes), e na trilha certeira de Trent Reznor e Atticus Ross, nada no filme parece dispensável. Cada elemento parece abrir mais e mais as feridas de Art, Patrick e Tashi.

O resultado é um filme sedutor, de uma agressividade exuberante. Essa chuva de adjetivações serve para a figura da própria Tashi. Embora escorregue em alguns excessos, Zendaya consegue entregar a fúria de uma rainha das quadras invocadora de ventanias. Já Faist ilustra perfeitamente diferentes estágios da ambição. O’Connor, por sua vez, encarna bem a luxúria de alguém movido apenas pelos desejos, sem a disciplina ou paciência para alcançar metas mais longínquas. Todos eles escarram nas cicatrizes e pisam nos calos uns dos outros, mas também intimam os prazeres que experimentam.

Na verdade, Rivais tem menos a alma do tênis de Alves do que de seu frescobol: “Bola vai, bola vem — cresce o amor… Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim”.


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