piauí recomenda
Fev 2025 11h17
Digite o endereço de e-mail do presenteado e enviaremos uma mensagem com o link para abrir o artigo
Eusexua é o pináculo da experiência humana. Assim a compositora britânica FKA Twigs descreve o neologismo que dá título a seu disco mais recente, lançado no fim de janeiro. Ao misturar influências que vão de Björk a Madonna, Twigs – uma das mais respeitadas artistas da cena musical contemporânea – oferece um disco de pouco mais de 42 minutos, que, apesar da brevidade, toca em grandes temas, como prazer, vida e morte. A coisa toda vem embalada por estéticas sci-fi, perceptível na forma como Twigs tem se vestido em videoclipes e em eventos de divulgação do disco.
Os dois discos de estúdio anteriores da artista são ambiciosos em suas temáticas, tratando de questões de consciência e da relação da compositora consigo e com os outros. Aqui, no entanto, as coisas vão muito além: com uma honestidade rara, Twigs tenta radiografar as origens dos seus traumas – em “Sticky”, um dos destaques do disco, ela se diz cansada de bagunçar a vida com momentos complicados, e compara os infortúnios a cobrinhas presas em seu corpo, contorcendo-se com a frustração. Pelo menos um desses traumas passados se tornou público: em fevereiro de 2021, Twigs relatou, numa longa matéria para a revista Elle, o relacionamento abusivo que viveu com o ator Shia LaBeouf. Eusexua é uma antropologia de si que deixa tudo às claras. E o faz com estrobos de luz, passos cuidadosos e dança.
Ao tentar descrever a palavra que dá nome ao novo trabalho com mais precisão, Twigs definiu Eusexua como uma sensação, um sentimento deflagrado por ela em festas de música eletrônica, no verão de 2022. Em entrevista à rádio pública americana NPR, a cantora explicou que o neologismo traduz “a sensação de que a cultura está viva”. Na música que abre o disco, ela diz que Eusexua é algo parecido com amor, mas não é amor – é, na verdade, saber que não se está sozinho, que há sempre algo ou alguém.