piauí recomenda

UM ROMANCE MONSTRUOSO

Sátántangó, do escritor húngaro László Krasznahorkai, conta a história de uma aldeia isolada prestes a ser desativada
Imagem Um romance monstruoso

Presentear este artigo

Digite o endereço de e-mail do presenteado e enviaremos uma mensagem com o link para abrir o artigo

Em Sátántangó, romance do húngaro László Krasznahorkai, uma aldeia isolada está prestes a ser desativada. A dissolução desse universo decrépito, que é tudo o que os moradores conhecem, deixa uma atmosfera de delírio e paranoia. Há um badalar de sino que perturba a aldeia, mas nem todos ouvem, ninguém sabe de onde ele vem: “Não há ninguém acordado? Ninguém está ouvindo?”, se pergunta um aldeão.

Embora Krasznahorkai seja um escritor relativamente consagrado em seu país e mundo afora, Sátántangó é seu primeiro livro traduzido e publicado no Brasil. Foi o romance de estreia do húngaro, lançado em 1985, e ficou conhecido pela adaptação para o cinema num filme de mesmo nome dirigido por seu conterrâneo Béla Tarr. Na história, a falta de rumo e a perda de referência territorial deixam os aldeões ansiosos pela chegada de um líder carismático que davam como morto e que poderá indicar algum caminho futuro. Alguns moradores querem ficar na aldeia, outros querem sair. A escrita vertiginosa de Krasznahorkai suga o leitor para esse universo em ruínas.

Folheei as primeiras páginas de Sátántangó dentro de um ônibus que atravessava a Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio, no início de novembro. Do lado de fora, havia um acampamento de militantes de extrema direita pedindo intervenção militar em frente ao Comando Militar do Leste. A aldeia de Krasznahorkai pode ser lida como uma fazenda coletiva de uma Hungria diante do esfacelamento do comunismo. No meu delírio de leitor, a história se passa à beira de uma estrada em algum trecho de uma BR.


Ícone newsletter Piauí

A revista piauí garante a privacidade dos seus dados, que não serão compartilhados em nenhuma hipótese. Você poderá cancelar a inscrição a qualquer momento.