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UMA NOVA ENCENAÇÃO DE MORTE E VIDA SEVERINA

Em cartaz no Rio de Janeiro, peça é repleta de lirismo, sem perder a sobriedade do texto de João Cabral de Melo Neto
Imagem Uma nova encenação de <i>Morte e vida severina</i>

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A Companhia Ensaio Aberto apresenta no palco do Teatro Vianinha, no Armazém da Utopia, na Zona Portuária do Rio, uma lírica encenação de Morte e vida severina, adaptação do poema seminal de João Cabral de Melo Neto, com músicas de Chico Buarque. É vibrante a entrega do elenco, que, em uma marcha de migrantes, canta e interpreta o poema-denúncia do autor pernambucano, retratando a dura realidade do sertanejo nordestino – marcada pela seca, fome, migração e morte.

O texto dialoga profundamente com a proposta estética e política da companhia, cujos espetáculos abordam de forma crítica temas ligados aos direitos humanos, à cidadania e às questões sociais e políticas do país.

Sob a direção sensível de Luiz Fernando Lobo, o público é conduzido junto a um cortejo lírico e comovente de trabalhadores do campo, sem jamais perder o rigor e a sobriedade próprios da denúncia social de Melo Neto. A experiência se torna ainda mais impactante graças à impressionante cenografia de J.C. Serroni e à iluminação de Cesar de Ramires, que traduzem em luz e formas as nuances do sertão – com tons que evocam o amanhecer, o entardecer e a escuridão da noite nordestina. Cenografia e luz figuram entre os trabalhos mais expressivos do teatro contemporâneo brasileiro. A direção musical, irretocável e envolvente, é assinada por Itamar Assiere. O sucesso da peça fez o espetáculo ser prorrogado até o fim de abril.


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