11 Jun 2026
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Depois de ler seu obituário publicado em portais de notícias, Deborah Vance (Jean Smart) não gosta do que é descrito como seu legado. Comediante veterana, a protagonista de Hacks decide que, ao lado de Ava Daniels (Hannah Einbinder), sua roteirista, vai ditar os termos de sua descrição póstuma e, para isso, perseguir coisas maiores. Não que sua carreira já não seja grandiosa – durante a série, acompanhamos as glórias e as dificuldades impostas na vida da comediante, mulher de sucesso –, mas ela quer mais.
É essa busca por coisas maiores e a parceria entre Deborah e Ava que guiam a última temporada da comédia da HBO, cujo episódio de encerramento foi ao ar no dia 28 de maio. Hacks acompanha, sobretudo, a relação entre as duas, que se conhecem em um momento de estagnação da carreira de ambas. Deborah precisa atualizar o material de seus shows; Ava foi “cancelada” por uma publicação em rede social e não tem conseguido novos trabalhos.
A diferença geracional tem um papel importante (Deborah vive uma vida luxuosa e pautada no trabalho incessante; Ava é uma bissexual preocupada com o meio ambiente) e rende ótimas piadas, mas Hacks é bem-sucedida porque não se resume a isso. O humor afiado das protagonistas, a cada episódio mais criativas com as ofensas, e a presença marcante de personagens secundários, como do empresário Jimmy LuSaque Jr. (Paul W. Downs) e da assistente Kayla Schaeffer (Megan Stalter), é de se destacar.
Apesar de ser uma relação trabalhista, Deborah está sempre fazendo alguma piada sobre a aparência de Ava (como quando diz que a roteirista não é engraçada o suficiente para se vestir como o Adam Sandler). Ava devolve as provocações e rende sequências hilárias ao ironizar, por exemplo, o estilo de vida de Deborah, excessivamente preocupada com a beleza. Com o passar do tempo, uma vai absorvendo características da outra. É uma relação complexa, difícil de categorizar. Não é exatamente familiar, nem amorosa, nem de amizade. É de uma singularidade interessantíssima, especialmente nesta última temporada. Talvez o artigo de James Poniewozik publicado no The New York Times depois do fim da série – ‘Hacks’ was always a love story – seja certeiro ao indicar o mais simples: sempre foi uma história de amor.