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Mai 2025 10h14
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Faz quatro anos que o ator Paulo Gustavo morreu, depois de uma longa internação decorrente da Covid. Naquela época, o comediante niteroiense já era o maior nome do humor nacional e um fenômeno de bilheteria do cinema brasileiro. Sua partida deixou um vazio ainda não preenchido por outra figura tão carismática na cena artística do país – talvez por isso ele seja lembrado com tanta frequência. Para os fãs, a exposição Rir, um ato de resistência oferece uma oportunidade imersiva de se conectar com sua vida e obra – elementos que, no caso do artista, sempre estiveram entrelaçados.
Essa fusão entre vida e obra é justamente o grande mérito da curadoria. Paulo Gustavo ganhou notoriedade no teatro com o espetáculo Minha mãe é uma peça, em que interpretava a personagem Dona Hermínia, um amálgama das mulheres de personalidade forte da sua família. Ao adaptar a obra para o cinema, ele levou às telas histórias do seu baú de memórias afetivas, trazendo para o enredo ficcional personagens engraçados de amigos e familiares da vida real. A exposição se concentra nessa fusão autobiográfica, exibindo um acervo composto por figurinos, fotografias e objetos tanto cênicos quanto pessoais.
Um dos destaques da exposição é a moda, que sempre foi uma extensão da personalidade de Paulo Gustavo. Figurinos com os quais era frequentemente visto nas ruas – chapéus marcantes da tradicional chapelaria Bates, sapatos extravagantes com tachinhas e brilhos da Christian Louboutin, blazers da Balmain ou Saint Laurent, e calças da Dsquared2 – revelam seu estilo. A moda, para ele, não era ostentação, mas forma de expressão. Palco e rua se confundiam. Para quem gosta de moda, será um prato cheio para conferir as roupas do ator que encarnava um certo espírito da moda atual com sua tendência provocadora e teatral.
Estão expostos também os famosos vestidos floridos de Dona Hermínia e a peruca com bobs da personagem. Mas o que mais deve emocionar os visitantes são os registros fotográficos e os objetos pessoais, como fotos e o convite de casamento com o médico Thales Bretas, além de um curta-metragem exclusivo sobre sua trajetória, com depoimentos de amigos. Para completar essa união entre vida e obra, a exposição acontece no MAC – Museu de Arte Contemporânea – em Niterói, cidade onde Paulo Gustavo nasceu, cresceu, iniciou sua carreira artística e que serviu de cenário para os filmes da trilogia Minha mãe é uma peça. A exposição começa antes mesmo da entrada: do lado de fora do museu, os visitantes já podem reconhecer paisagens exuberantes imortalizadas no cinema – como a Praia de Icaraí, a Ilha da Boa Viagem e o próprio MAC – que atraíram milhões de espectadores aos filmes do artista. A exposição fica em exibição no MAC até o início de junho.