piauí recomenda
Jun 2025 11h49
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Eis um filme para descansar os olhos na leveza, amplitude, generosidade de ar e luz que a arquitetura modernista representa. Narrado pela atriz e diretora Ana Maria Magalhães, Quando o Brasil era moderno traz uma reflexão sobre o país que queríamos ser a partir do projeto modernista, uma ideia de Brasil que parece ter ficado pelo caminho, atropelada pelo retrocesso político e social.
O filme de Fabiano Maciel, em cartaz nos cinemas, examina o contexto político no qual o modernismo chegou ao Brasil, situa o espectador no panorama arquitetônico que tínhamos até então, e demonstra que assim como o país do futuro não aconteceu, o modernismo poderia servir de metáfora da nossa frustração com uma promessa de felicidade. Maciel, aliás, dirigiu outro ótimo documentário sobre Oscar Niemeyer, nosso talismã do modernismo, chamado Oscar Niemeyer – A vida é um sopro (frase do próprio arquiteto, que viveu por 104 anos).
Inspirado no livro Moderno e brasileiro: a história de uma nova linguagem na arquitetura (1930-60), do arquiteto e antropólogo Lauro Cavalcanti, o filme é recheado de raras imagens de arquivo da construção de Brasília e se detém sobre o projeto do prédio Gustavo Capanema, antiga sede do MEC, no Centro do Rio. Era uma época em que a boa ambição estava em toda parte. Apesar da narrativa convencional, o documentário faz pensar em como chegamos até aqui como nação, aos solavancos e arroubos de brilhantismo, sucumbindo a outra modernidade que, presa ao passado, parece ter condenado o país ao atraso.