cartas
Dez 2019 21h40
9 min de leitura
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PIAUÍ 159
Capa perfeita para encerrar o primeiro ano da República miliciana.
LUIZ ANTÔNIO GUSMÃO_VIA INSTAGRAM
A piauí é, de fato, a minha revista favorita. Sem desmerecer o trabalho dos ótimos Caio Borges e Nadia Khuzina, mas sinto falta de outros(as) ilustradores(as) e estéticas nas capas.
MARIA CLARA BUBNA_VIA INSTAGRAM
INIMIGO DA DEMOCRACIA
Eis um leitor chato, que não lê passivamente e faz comentários sobre outros comentários. Primeiro constato que à dúzia de cartas publicadas na piauí_159 voltou a indicação de nome completo e cidade dos missivistas. Mas tenho de tecer ressalvas à longa carta de Milena Piraccini, pois há três outros cientistas que ganharam duas vezes o Prêmio Nobel: Linus Pauling, John Bardeen e Frederick Sanger. Marie Curie foi a primeira e também foi preterida para ganhar uma terceira vez. Podem até fazer uma boa matéria sobre essas circunstâncias. Por fim, a leitura da avaliação de Marcos Nobre sobre o momento político (“Contagem regressiva”) e sua defesa de uma forte candidatura anti–Bolsonaro esbarra em três questões: a) ele assume que a concertação é a única solução para derrotar o inimigo da democracia, juntando-se centro-direita com esquerda, quando, ao que me parece, somente a ruptura da estrutura casa grande/senzala é que resolverá os históricos problemas conjunturais da sociedade fragmentada que se refletem na antipolítica institucionalizada; b) os meios clássicos de mobilização estão paralisados, tendo como exemplo a paradoxal postura de jornais, como a Folha de S.Paulo, repudiada e condenada à extinção pelo presidente, mas que defende a política econômica do governo; e c) o sonho quase utópico de união cívica nacional exarado no artigo muito se parece com o que aconteceu nas Diretas Já, lembrando que a Emenda Dante de Oliveira foi derrotada e ganhamos de quebra um Sarney.
ADILSON R. GONÇALVES_CAMPINAS/SP
No artigo “Contagem regressiva” (piauí_159, dezembro), o professor Marcos Nobre enuncia o anseio que desde já – antes que seja tarde demais – os partidos da esquerda e os “nem nem” encontrem “um acordo mínimo” no intuito de evitar a catástrofe, ou seja, mais uma vitória da direta nas eleições de 2022. Curiosa interpretação da democracia: se o voto popular consagra a direta, é a catástrofe. Tudo bem. Isso faz parte da polêmica política, amostra daquela dialética que, como Hegel ensinou, é o necessário, benéfico motor da história.
O que, pelo contrário, não me parece sadio é introduzir uma informação não verdadeira: a de que Matteo Salvini, líder italiano do partido Lega, estaria lembrando Mussolini “de maneira elogiosa”. Nada disso. Acompanho diariamente a política italiana e verifico que nem os opositores de Salvini chegam a enunciar tal inverdade.
GIANFRANCO BELLINZONA_RIO DE JANEIRO/RJ
NOTA FÁTICA E BREVE DA REDAÇÃO: Tuíte de Matteo Salvini parafraseando Mussolini, em 29 de julho de 2018, dia do aniversário do líder fascista: “Muitos inimigos, muita honra.”

ATÉ O FIM DO MUNDO
A edição de dezembro está longe de ser uma das melhores da piauí, mas a matéria do Olavo Amaral (“Rota da seda”) é primorosa.
Já o Marcos Nobre (“Contagem regressiva”) parece ter escrito a matéria com o fígado e sem qualquer tipo de revisão: é totalmente inconsistente e incoerente, quase um panfleto.
LEONARDO GANDARA_BELO HORIZONTE/MG
Li o texto de Olavo Amaral, “Rota da seda”, na piauí de dezembro. Causou-me inúmeras sensações e custou-me horas de reflexão. Senti como se tivesse levado alguns tombos enquanto lia. Alguns foram difíceis de levantar. Meus olhos encheram d’água em diversos trechos.
Aos 19 anos temos a sensação de que o tempo é infinito, que a juventude é para sempre e que nossos pais são eternos. Apesar da sensação ilusória, sabemos que mesmo tendo nossas vidas determinadas pelo tempo, jamais seremos capazes de pará-lo.
Enquanto as horas correm e os dias passam, crescemos espiritualmente e, mesmo que não seja perceptível aos olhos, pouco a pouco nossa matéria se desfaz.
Meus agradecimentos a esse texto limpo, sincero, emocionante e assustadoramente verdadeiro.
LÍVIA MARIA M. PEREIRA_SÃO PAULO/ SP
LUZ NEGRA
A leitura do texto vai enchendo o coração (“Sempre viva”, piauí_159, dezembro). Aí chega ao fim com uma informação tão trágica assim. Nem sei o que falar. Agradecer a ela pelo legado deixado e tomara que venham outras Valdas Nogueiras.
ARTHUR UCHÔA_VIA INSTAGRAM
Fiquei encantada com o texto, mas foi com um peso no coração que li sobre a trágica passagem da fotógrafa! Que pena! Fiquei apaixonada nas primeiras linhas e viúva nas últimas! Foi assim quando me apaixonei pelo Oduvaldo Vianna Filho: apaixonada no primeiro contato, viúva minutos depois ao saber que já havia nos deixado!
CÁSSIA DE LOURDES BAIA DE SOUZA _Natal/RN
Que homenagem linda. Valda é imortal e não tem coisa mais poderosa e inspiradora para quem fica. Tomando o meu café e editando fotos de Atins, no Maranhão, pensando na prosa que eu gostaria de ter tido com ela. Os diálogos resistem. As imagens ganham outras dimensões com o tempo, este é o poder do documental.
HURY AHMADI_VIA INSTAGRAM
TERRITÓRIO MÍTICO
O ensaio realizado por Eucanaã Ferraz sobre a também poeta portuguesa Sophia de Mello Breyner (“No centro do reino de Ártemis”, piauí_159, dezembro), em torno de sua visita ao nosso país, convidada pelo Itamaraty em 1966, foi o resultado de uma pesquisa primorosa que contemplou os leitores da revista. O autor fez um exaustivo levantamento da influência marcante que a estadia da poeta por alguns pontos de nosso território exerceu sobre vários de seus belos poemas, assim como as personalidades com as quais ela manteve contato. Destaco seu encanto com o português falado no Brasil, “onde as palavras recuperam sua substância total”, são articuladas com suas “sílabas todas, sem perder um quinto de vogal”, muito diversas da pronúncia em sua pátria.
Ainda no território mítico, não poderia deixar de destacar na mesma edição o artigo do jornalista André de Oliveira (“O mundo me condena”), o obituário de Carne Frita, legenda do taco, que ganhou uma bela homenagem do escritor João Antônio, o cronista-mor dos deserdados viventes da periferia paulistana, na forma de uma carinhosa dedicatória no premiado livro Malagueta, Perus e Bacanaço, na coletânea dos contos sobre sinuca, um inspirado poema distribuído artisticamente, na primeira edição de 1963, aqui concentrado: “À picardia, à lealdade e em especial à beleza de estilo de jogo do muito considerado mestre CARNE FRITA, professor de encabulação e desacato e cobra de maior taco dos últimos anos, consagro com a devida humildade estas histórias curtas.”
DIRCEU LUIZ NATAL_RIO DE JANEIRO/RJ
DETETIVE ALLAN
Não poderia deixar de transmitir meus parabéns ao repórter Allan de Abreu, autor da matéria “O estelionatário” (piauí_158, novembro). Confesso que nunca tinha ouvido falar nada, nem uma mísera palavra, sobre o picareta, altamente qualificado, Alexandre Henrique Ventura Nogueira, nossa cópia tupiniquim de Frank Abagnale Jr., tão bem representado no filme Prenda–me Se For Capaz, em ótima interpretação do Leonardo DiCaprio.
O nosso bravo e intrépido Allan – não faço a mínima ideia de como –, descobriu a história de Alexandre e seguiu seus passos e ações por várias partes do mundo. Ao ler o relato, o leitor é transportado para um mundo absolutamente irreal, onde mentes com grandes doses de inteligência vão arquitetando planos e golpes em sequência.
Não vou me estender, mas queria deixar evidenciado que o Allan de Abreu poderia trabalhar e atuar em serviços de inteligência, dos mais renomados, do tipo Mossad, MI5, CIA etc., pois deixou comprovado que tem um ótimo faro e nos proporcionou bons momentos, ao seguirmos as aventuras, não muito lineares, de Alexandre Ventura, que como todo picareta, tem aparência de um rapaz de boa família.
ANTONIO CARLOS DA FONSECA NETO_SALVADOR/BA
NOTA ESTÚPIDA DA REDAÇÃO: Rapaz, devíamos ter percebido que tinha algo estranho no dia em que ele apareceu na revista dizendo que se chamava “Abreu. Allan, de Abreu”. Isso sem falar no DDI do celular dele. Ninguém se deu conta que 007 soava esquisito.
NEGÓCIO DE FAMÍLIA
Concordo plenamente com Fernando Limongi, realmente Bolsonaro não aprendeu o beabá da arte política (“Presidencialismo do desleixo”, piauí_158, novembro). Mesmo com grandes exemplos do passado, ele reluta em utilizar os meios disponíveis nos Correios, Petrobras, BNDES e outras estatais para aprovar suas medidas e conduzir o Parlamento. Lamentável mesmo, não é, Fernando?
MARCOS VINICIUS_JARAGUÁ DO SUL/SC
O POVO TEM RAZÃO?
Em “Cientista da democracia” (piauí_158, novembro), reportagem de Rafael Cariello, fica demonstrado por que os partidários das ditaduras procuram tolher o meio artístico e cultural. Até as novelas da Globo, segundo demonstrações científicas de Claudio Ferraz, influenciavam o eleitorado contra o regime militar. Colocar estrategicamente trogloditas no ex-Ministério da Cultura, depois de transferi-lo para o Turismo, é uma forma de censura. O processo está em andamento.
JOSÉ DIEGUEZ_SÃO CARLOS/SP
FLORESTA AMEAÇADA
Parece que o mote dos governos de extrema direita, evangélicos de raiz é destruir o que resta de nossas florestas (“A chicana” piauí_158, novembro). Não bastasse o destruidor maior da República, que fomentou e incentivou a horda de grileiros e invasores de terras indígenas com seu discurso de ódio contra os povos da floresta, eles não se contêm ao ver uma floresta em pé e logo tacam fogo. Talvez num futuro próximo tenhamos que nos contentar em comer plástico, que como sabemos já contaminou quase todo o oceano, e está entranhando na carne dos peixes que ingerimos todos os dias. Esses seres abomináveis foram empossados, por incrível que pareça, de forma democrática e com o aval da população que eles esmagam todos os dias. Se vingar essa construção do autódromo na Floresta do Camboatá, proposta absolutamente infeliz e desnecessária para o estado do Rio de Janeiro, no que ainda resta da Mata Atlântica – e além de tudo vai beneficiar uma empresa de fachada, cujo proprietário, ao que tudo indica, está entranhado na corrupção –, será uma desgraça completa para a população e o ecossistema como um todo. Temos o dever de barrar essa proposta indecente.
VALÉRIA VIEIRA BORDIN_ASSIS/SP
IMPRENSA E RACISMO
Muito importante, Yasmin Santos, teu artigo sobre o negro dentro das redações (“Letra preta”, piauí_157, outubro).
O que mexeu mais comigo foram os trechos em que escancara o que se passa dentro de você. Já tinha lido muita coisa sobre racismo, mas nunca trabalhando esse aspecto. Continue firme.
LUIS MOLIST VILANOVA_SÃO PAULO/SP
O CORINGA DOS LIBERAIS
Achei inacreditável o tom elogioso do artigo “Peixe grande” (piauí_152, maio). Como o próprio artigo demonstra, a via encontrada por Paulo Hartung para “equilibrar as contas” do Espírito Santo foi substituir concursos públicos por contratação temporária de servidores durante anos. Acontece que isso é ilegal, pois contratos temporários devem ter caráter emergencial. Mas tal informação é mencionada apenas de passagem no longo artigo. Contratos temporários envolvem salários menores, menos direitos e uma série de inseguranças sobre a renovação do contrato e sobre ter que agradar os superiores para além do bom desempenho da função (portanto, favorece a “politicagem”). A reportagem deveria ter buscado o contraditório e ouvido sindicatos de servidores do estado, juristas etc. Ficou um grande panfleto neoliberal promovendo Hartung e apresentando como “milagre” a precarização das relações trabalhistas no funcionalismo público do Espírito Santo, material indigno da qualidade da piauí.
MARCIO LAURIA MONTEIRO_RIO DE JANEIRO/RJ
Por questões de clareza e espaço, piauí se reserva o direito de editar as cartas selecionadas para publicação. Somente serão consideradas as cartas que informarem o nome e o endereço completo do remetente.
Cartas para a redação: