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UM LEITOR INDECISO ENTRE O AMOR E O ÓDIO

Imagem Um leitor indeciso entre o amor e o ódio

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VIVA!

Fiquei intrigado com as mudanças que seriam implementadas na piauí ainda no decorrer deste ano (Dona do próprio nariz, piauí_181, outubro). Entretanto foi para mim um feliz acaso encontrar a pronta e explícita resposta do porquê dessas mudanças. Parabéns, portanto, não só à piauí, como também aos jornalistas/colaboradores e ao Conselho Editorial, que representam o que há de melhor no atual jornalismo. Um pequeno senão: A piauí é uma revista muito difícil de ler na cama.

NEWTON GOLDMAN_RIO DE JANEIRO/RJ

NOTA METODOLÓGICA DA REDAÇÃO: Pegue três travesseiros. Ponha dois deles nas costas e sente-se contra a cabeceira da cama. Busque uma inclinação confortável de, digamos, 45 graus. Dobre as pernas. Apoie o terceiro travesseiro sobre o ventre, abra a revista e, com cuidado, pouse-a no travesseiro, deixando que se assente no morrinho formado pelas pernas. Ajuste o ângulo ideal de leitura com um sutil arrastar de pés para cima ou para baixo. Leia. Nossa repórter Consuelo Dieguez, a quem sempre recorremos para assuntos de estilo, elegância e bem viver, informa que a experiência ganha bastante se acompanhada de um bom vinho do Porto 30 anos. Na falta, drinques com guarda-chuvinha também dão para o gasto. 

NOTA CAUTELOSA DA REDAÇÃO: A Anvisa recomenda vivamente que não se leia a piauí em posição horizontal, erguendo a revista acima do rosto. Na eventualidade – rara, é verdade – de o leitor ficar com sono e soltar a pegada, há risco de acidente. Certas edições com mais de oitenta páginas podem causar traumatismo craniano. 

Parabéns pelos 15 anos da piauí e por sua decisão de dar autonomia radical.

Faz todo sentido, e queria também deixar registrado o sensacional encarte, o Atlas Amazônia sob Pressão 2020, um documento dos mais completos que vi recentemente sobre a região. 

ROBERTO TEIXEIRA DA COSTA_RIO DE JANEIRO/RJ 

Parabéns pelo Instituto Artigo 220! Vida longa!

Não por acaso, também na piauí_181, outubro, o texto A crise inaugural retrata o papel da elite na Independência do Brasil, há duzentos anos. Elite à qual pertenço, infelizmente, não endinheirada. Existe uma parcela, por mínima que seja, da elite endinheirada, a que manda no país, preocupada com a construção de uma sociedade menos desigual e mais consciente? É possível alguma esperança? Ou é melhor manter o passaporte em dia? 

MARIA CRISTINA DE CASTRO CUNHA_CAMPINAS/SP

A piauí, dona do próprio nariz, maravilhosa. Edição especial e primorosa.

Vamos lendo e relendo os textos. Como disse a “Nota normativa da redação”: não há a obrigação de lê-la toda, mas mesmo assim acabamos lendo. Um destaque foi o excelente texto de Marcelo Musa Cavallari (As palavras e a felicidade, piauí_181, outubro). O texto vai dos gregos aos latinos, passando pela Vulgata, São Jerônimo, judaísmo, Walter Benjamin, Nietzsche, até Jorge Mautner e o roqueiro Nick Cave.

Porém, na seção Cartas, me deparei com uma coincidência. Havia pensado em escrever para criticar o texto de um ilustre representante da nossa elite, Sergio Bermudes, um autoelogio de três páginas que não acrescenta nada de bom. Mas o leitor Umberto Noce já disse tudo. E aí me deparei com uma carta “fofa” do leitor Bruno Calheira e sua relação amorosa com esse notável periódico mensal.

Dona do próprio nariz, erudição, fofura e rock and roll. 

GERALDO MAIA_BELO HORIZONTE/MG

Estou imensamente feliz com o anúncio da emancipação da piauí, como se tivesse sido minha própria emancipação. Sou leitora da revista desde o primeiro número. Sempre me senti agraciada com a maturidade intelectual da revista, como se a sofisticação de sua escrita fosse um voto de confiança na inteligência dos leitores. 

Essa maturidade com certeza se consolidará cada vez mais, como fruto da independência financeira. Todo mundo ganha com esse movimento importante de vocês: a revista, os leitores, o Brasil.

Agora posso declarar que senti no ar os sinais da mudança, principalmente com a robustez cada vez maior do site da revista, que passou a oferecer mais artigos e reportagens que nos ajudam a enfrentar o resto do mês em abstinência da piauí impressa. 

A contratação de jornalistas relevantes, alguns jovens estreantes mas extremamente competentes, foi outro sinal de evolução que muitos leitores também devem ter percebido.

Já fui assinante da revista duas vezes (parava de assinar pelo prazer insubstituível de ir até a banca comprar e sair pela rua ostentando meu tesouro), mas agora não tenho alternativa além de assinar de novo, para, mesmo com pequeníssima importância, participar do movimento histórico da piauí, que espero seja seguido por mais revistas brasileiras. 

Que a nova piauí ajude a subir mais ainda o padrão na imprensa independente em nosso país. Longa vida!

ANA FLÁVIA LOPES MAGELA GERHARDT_VOLTA REDONDA/RJ

PRIMEIRA NOTA AFORÍSTICA DA REDAÇÃO: “De pequeníssima importância em pequeníssima importância, a carteira de assinantes enche o papo.” Dito isso, não existe pequeníssima importância. Cada nova assinatura é comemorada com festa pela redação. Agora mesmo acabaram de me passar uma taça de champanhe. Ueba! Não assinantes, mirem-se no exemplo civilizatório da Ana Flávia! 

DIÁSPORA

O artigo de Herton Escobar (A diáspora, piauí_181, outubro) reflete uma situação que já há muito preocupa a ciência no Brasil: a fuga de cérebros. Esse êxodo de jovens cientistas, muitas vezes formados e treinados com recursos do próprio país, tem-se acentuado de forma “epidêmica” com a quase naturalização do corte de recursos para a pesquisa, que depois da publicação da matéria teve um novo capítulo negativo: mais um corte, no que já estava cortado, de mais de 600 milhões de reais no Ministério da Ciência Tecnologia e Inovações. Essa ação faz com que até as migalhas que estavam sobrando para o desenvolvimento científico no Brasil sejam tiradas.

Infelizmente, também sou testemunha desse êxodo. Recentemente, graças à ação de alguns pesquisadores, foi publicado um edital destinado à pesquisa paleontológica por uma agência de financiamento científico estadual com uma bolsa de pós-doutorado generosa, maior do que os valores destinados pelo CNPq. Quando eu alertei alguns ex-alunos que estão fora do país, recebi a educada resposta de que ninguém estaria pensando em voltar nesse momento. 

Contribui para essa “epidemia” a absurda burocracia brasileira que faz com que os cientistas se sintam como corruptos em potencial. Eu mesmo passei por uma experiência dessas: em dado momento, num relatório que precisava ser apresentado, me foi solicitado se eu poderia comprovar, via documentos, que o Museu Nacional da UFRJ havia pegado fogo. De fato, não posso recriminar os jovens pesquisadores que não desejam mais voltar ao Brasil e acho que CNPq e Capes deveriam relativizar as normas para essa volta, já que não conseguem dar o mínimo de condições de trabalho para esses cientistas.

E, no meio dessa situação, ainda existe um museu a reconstruir. Pelo menos nesse particular, as notícias são alvissareiras: o projeto Museu Nacional Vive está avançando!

Além de tuitaços (por exemplo, #sosciência e #Liberafndct), reuniões e protestos, o que mais os pesquisadores podem fazer? Falar o que fazemos, falar o que fazemos e, quando sobrar algum tempo, falar novamente o que fazemos. Fundamental é ter a sociedade ao lado dos cientistas, sendo bem informada sobre o que nós fazemos. É preciso deixar claro que ciência não tem partido, e que sem ciência não há futuro.

ALEXANDER W. A. KELLNER, DEPARTAMENTO DE GEOLOGIA E PALEONTOLOGIA, MUSEU NACIONAL_RIO DE JANEIRO/RJ

EDIÇÃO 181

O crime no Brasil parece mesmo compensar muito. O pior ministro do Meio Ambiente que já tivemos está crente que sairá impune diante de seus inúmeros crimes perpetrados contra a Floresta Amazônica e os povos indígenas. Provavelmente ele conta com o voto da parcela esquizofrênica da população para lhe ofertar um cargo no Legislativo e assim adquirir foro privilegiado e evitar a cadeia. É difícil imaginar que esse sujeito ainda consiga eleitores suficientes para elegê-lo a qualquer cargo público. 

VALÉRIA APARECIDA SILVA VIEIRA BORDIN_FLORIANÓPOLIS/SC

DECEPÇÃO

Fraquíssima a piauí_181, outubro. Talvez a pior de umas cinquenta que li. Politicagem barata, ranzinza e chata. Chororô de rebelde sem causa. Só se salvou As palavras e a felicidade. Dinheiro jogado no ralo. Adeus.

ALDO DÓREA MATTOS_SALVADOR/BA

P.S.: Retifico. A matéria Os Sertões de Dilermando de Assis e a crítica de Antonio Marcos Pereira, A forma fácil, se salvam também.

SEGUNDA NOTA AFORÍSTICA DA REDAÇÃO: “Enquanto houver P.S., haverá esperança!” 

POESIA

O professor Antonio Marcos Pereira mergulha de cabeça na obra poética de Ana Martins Marques (A forma fácil, piauí_181, outubro), fazendo uma excelente resenha do último livro da poeta mineira, Risque Esta Palavra. O título de sua análise, A forma fácil, expressa com precisão o que sentimos ao nos depararmos como a poesia brota espontaneamente dos versos dela, num encadeamento de fatos corriqueiros que nos seduz e demonstra a qualidade superior de sua arte. Realmente estamos diante de poesia do mais elevado nível, similar ao impacto causado pela leitura de Ana Cristina Cesar, com uma temática diversa e mais radical; no entanto, ambas beberam numa fonte comum, Drummond.

O crítico confessa que não encontrou a chave ao percorrer os poemas, o que nos remete ao poeta mineiro de Procura da Poesia em A Rosa do Povo, onde faz a seguinte recomendação: Penetra surdamente no reino das palavras./ Lá estão os poemas que esperam ser escritos […]/Chega mais perto e contempla as palavras./Cada uma/tem mil faces secretas sob a face neutra/e te pergunta, sem interesse pela resposta,/pobre ou terrível, que lhe deres:/Trouxeste a chave?

DIRCEU LUIZ NATAL_RIO DE JANEIRO/RJ

TRAGÉDIAS CIENTÍFICAS E HISTÓRICAS

As tragédias históricas e científicas se encontraram na edição de outubro. Confesso, no entanto, que esperava mais detalhes na matéria de Cristiane Costa (Os Sertões de Dilermando de Assis, piauí_181, outubro), mas contento-me em aguardar o volume que virá a lume com o trato completo daquele inusitado diálogo entre o escritor e seu algoz. Para apimentar ainda mais a questão, há que se registrar que Euclydes da Cunha (sim, faço questão do y original) escreveu uma carta amistosa a Dilermando, anos antes de vir a ser por ele assassinado, e teria feito recomendações para promoção na carreira do militar mais jovem. Assim, muito além da fofoca foi a tragédia da Piedade. No 15 de agosto, data do assassinato, é comemorada a Assunção de Nossa Senhora da Piedade. O nome do bairro – onde se deu o crime – e da santa não é tão impiedoso assim, perdoando o trocadilho. Lorena, no Vale do Paraíba, tem esse dia por feriado como homenagem à santa que lhe é padroeira. Essa cidade possui intersecções importantes com Euclydes, pois foi ali que ele corrigiu os exemplares de Os Sertões e morou por dois anos. Talvez Cristiane Costa vá se interessar também por essas coincidências pitorescas.

Mais nociva, porém, é A diáspora (piauí_181, outubro), relatada por Herton Escobar quanto a (mais uma) onda de fuga de cérebros do país. Até pouco tempo atrás, o protagonismo do Brasil em áreas como a de biocombustíveis atraía gente do mundo todo para aqui pesquisar. Hoje, disputamos algum estágio doutoral lá fora para que nossos alunos tenham uma formação mais avançada. E, como mostrado na reportagem, são também fortes candidatos a não voltar. O dinheiro retirado do já parco orçamento vai cobrir compromissos que envergonham a República. Parodia-se a saga da Piedade, matando o protagonista e seus rebentos, e ficando livre para abusar da viúva. 

ADILSON ROBERTO GONÇALVES_CAMPINAS/SP

RENATO RUSSO

Lendo o texto fiquei apreensiva pela conclusão do autor, ao comparar Renato Russo aos (ex-) ídolos da mesma geração como Lobão e Roger (Saudades do quê?, piauí_180, setembro). Mas ainda bem que ele entendeu que Renato nunca iria promover as mesmas violências e pensamentos desses dois roqueiros sem rock do nosso mundo atual. Bolsonaristas estão se apropriando de versos do maior letrista do Brasil para tentarem explicar sua seita, pois eles não têm argumentos próprios para justificar tamanha burrice. 

LETÍCIA SILVIA IAMBASSO_SÃO PAULO/SP

PIAUÍ 180

As edições da piauí são um hábito adquirido por mim e meu pai durante a pandemia e são objeto de uma agradável leitura e fonte de um espetacular jornalismo. Por isso, nos causou estranheza o artigo Perigo à vista, de autoria de Sergio Fausto (piauí_180, setembro). Nele, o autor pontua sem a menor incerteza que o Centrão nasce a partir de 2003, com a gestão de Lula, e dessa maneira se inicia a destruição e corrupção no país. E vai além, ao afirmar que a compra de votos, escancarada a partir do escândalo do mensalão (aliás, uma revelação feita pelo então deputado e hoje presidiário Roberto Jefferson do PTB, por livre espontânea vontade a uma revista concorrente), era um hábito presente nas câmaras municipais e alheias à pureza de Brasília.

Esse artigo me causou certa confusão, pois é senso comum se pensar no Centrão como mera continuação – ou em bom português, um rebranding – do chamado Arenão de nossa ditadura militar (fato nem mencionado no texto). Além de ser notória também a compra de votos efetuadas por FHC para que pudesse aprovar a PEC da reeleição, derrubando essa falácia da inexistência de compra de votos antes do mensalão. Assim, tive curiosidade em descobrir quem seria esse autor de tamanha distorção factual e, para minha surpresa, ele é o superintendente da Fundação Fernando Henrique Cardoso. Maior conflito de interesse que isso, só o Paulo Guedes e suas contas offshore. 

Me questiono o que leva a piauí a publicar tais revisionismos; talvez como a Folha de S.Paulo, em nome do “pluralismo”? Ou talvez a falsa equivalência entre Lula e Bolsonaro, “faces da mesma moeda”? Ou quem sabe a construção da fatídica “terceira via”, já demonstrada pela revista a partir de sua publicidade, intitulada de perfil, de Eduardo Leite?

PABLO BORGES PAZ_UBERABA/MG

FESTA NO COPA

Sobre a reportagem Efeito fumacê (piauí_181, outubro), a defesa do empresário Adilson Coutinho Oliveira Filho esclarece que ele possui atividade empresarial inteiramente lícita, não existindo qualquer tipo de negócio com milícias, tampouco relação com o jogo do bicho. Os cigarros comercializados por sua empresa são todos autorizados pela Anvisa, não existindo qualquer coação de comerciantes ou qualquer outra ilicitude em suas vendas.

Também são inverídicas as alegações de que Adilson teria empresa de fachada. Pelo contrário, suas empresas ostentam o seu próprio nome, nada precisando esconder das autoridades.

Por fim, lamenta-se o fato de terem sido publicadas supostas informações sobre resultados de quebra de sigilo bancário, sem que os advogados sequer tivessem acesso por meio dos autos, uma clara evidência de vazamento por parte daqueles que deveriam observar o segredo de Justiça.

CARLOS EDUARDO MACHADO ADVOGADOS_RIO DE JANEIRO/RJ


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