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UM LEITOR LAMENTA A FALTA DE AMBIÇÃO NA AGENDA CLIMÁTICA BRASILEIRA

Imagem Um leitor lamenta a falta de ambição na agenda climática brasileira

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CLIMA

O texto do professor Marcos Nobre (O Brasil sob Trump, piauí_225, junho) poderia ser animador porque traça uma estratégia – algo raro hoje – para o que se convencionou chamar de campo progressista. Porém, ele entristece pelo tom de capitulação diante do quadro de hegemonia da “direita sem medo”. É de se compreender, dadas as circunstâncias, agravadas pela eleição do Orange Uncle. Dos dois recuos táticos sugeridos pelo autor, o da exploração dos recursos fósseis é o mais desanimador, pois diz respeito a um dos temas mais urgentes do progressismo: a catástrofe climática. Quando Nobre fala em recuar nessa agenda, porém sem abrir mão completamente dela, adotando reivindicações menos ambiciosas, não consigo deixar de pensar que, na verdade, nunca fomos ambiciosos nesse tema. Iniciativas como o Acordo de Paris e as tantas COPs realizadas mundo afora já eram tímidas diante do colapso iminente. Já eram propostas de medidas paliativas diante do estrago. Se é em relação a isso que devemos ter expectativas mais modestas, fica difícil não sentir que, com esse recuo, estamos, sim, abandonando a agenda climática, ainda que forçados pelo cenário.

RODRIGO BOTELHO_AMERICANA/SP

JULHO

Um verdadeiro deleite foi ler a piauí_226, julho. Uma sensação comum que me atingiu durante a leitura foi a morte. Isso se apresenta de uma forma mais explícita, como em Os animais e a morte (um verdadeiro mind blowing e primoroso trabalho de divulgação científica), no portfólio de Luiz Paulino sobre o massacre do Carandiru (Retratos do inferno) e na exposição de Martha Batalha da morte lenta e dolorosa da democracia estadunidense (O sonho americano em frangalhos). Mas também foi nítida a morte do velho homem, no cativante texto sobre o pastor Nilton Pereira, A guerra e a fé (infelizmente assim como outras figuras de base ignoradas em Apocalipse nos trópicos – onde só se deu destaque a Malafaia), e a morte de um humor mainstream inteligente, sensível, que não se fundamenta na ofensa gratuita, como entendido através de O Barão e o tubarão, de texto riquíssimo, sutil e potente.

MATHEUS COELHO ANDRIES_CAMPINAS/SP

INSS

Embora a reportagem A construção da pilhagem (piauí_225, junho) tenha sido muito esclarecedora sobre a fraude no INSS (li com uma caneta marca-texto, destacando nomes e datas para não me enrolar), fiquei desapontado com a ausência de informações sobre quem foram os parlamentares que derrubaram a exigência de revalidação periódica das autorizações para os descontos.

Procurei a informação por conta própria e também não obtive sucesso. É um mistério.

Tem algo muito errado com a democracia representativa quando não é possível conhecer os partícipes de um ato como esse.

FERNANDO DE BRITO GARCIA_CAMPINAS/SP

NOTA EXAUSTIVA DA REDAÇÃO:

Pois é, Fernando. Quem sabe a CPI do INSS desvenda o mistério? A supressão da revalidação periódica das autorizações de descontos é um daqueles fantasmas do Congresso que aparecem, circulam pelo plenário, entram sorrateiramente na pauta, são votados, aprovados – e não têm pai nem mãe.

A reportagem A construção da pilhagem mostra um erro do senhor Antonio Carlos Camilo Antunes, que recorreu à Justiça e não foi atendido. Na mesma situação, o profeta Eliseu, ao sofrer bullying de um bando de crianças que o chamavam de careca, apelou a Deus, que imediatamente enviou duas ursas, que, mesmo na correria que se seguiu, conseguiram estraçalhar 42 crianças.

O esquema do INSS iniciou fraco porque não existem sindicatos de funcionários de direita, por isso criaram sindicatos fantasmas; ao mudar o governo, o ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi (que já tinha sido demitido pela presidente Dilma por falcatruas) adorou o esquema, pois todos os sindicatos estão em sua área de influência e o esquema explodiu; criou-se uma robusta caixa de campanha e Alessandro Stefanutto já estava virtualmente eleito (como presidente do INSS).

Até a Polícia Federal implodir tudo mostrando que corrupção não é apanágio da direta.

DJALMA ROSA_SÃO SIMÃO/SP

PSIQUIATRIA

O artigo Miliamperes no cérebro (piauí_225, junho) é altamente esclarecedor. Já fui psiquiatra e abandonei a especialidade por não concordar com seus métodos e seus resultados.

A psiquiatria segue o padrão da medicina alopática, essencialmente material, sem compreender que seu campo de atuação é abstrato.

Enquanto um gastroenterologista pode prescrever um inibidor da produção de ácido clorídrico para tratar uma gastrite erosiva (com efeitos colaterais), um psiquiatra prescreve drogas cujo mecanismo de ação muitas vezes é vago, sendo que a maioria delas pretende obnubilar a consciência.

É lamentável dizer que a psiquiatria, no meu modo de ver, após décadas de prática como médico vibracional, continua insistindo num modelo de diagnósticos e tratamentos fadados a múltiplos fracassos pela mais absoluta incompreensão da fisiopatologia da maioria dos transtornos mentais.

A psiquiatria deveria alargar seus horizontes e considerar que o cérebro não é uma bexiga ou uma vesícula biliar.

EDUARDO DE ALBUQUERQUE MELLO_FORTALEZA/CE

NOTA EMPÍRICA DA REDAÇÃO:

Melhor reconsiderar? A geopolítica atual está apinhada de cérebros que são bexiga, vesícula biliar e intestino grosso.

PICARETAGEM

Há algo de fantasioso na Foz do Amazonas além da exploração de petróleo, assim nos mostra Allan de Abreu (Em alto-marpiauí_225, junho). Eu caio na malha fina da Receita Federal por um valor errado no plano de saúde da minha mãe e o conterrâneo austríaco Werner Rydl esconde seus negócios explicitando bilhões em ouro em sua declaração de renda. Que estratégia! Nesse paradoxo, vemos que nunca é tarde para aprender – e empreender.

Antes da reportagem, eu achava que o máximo do inusitado criminoso entre as celebridades era o fato de Mike, do Balão Mágico, ser filho do assaltante Ronald Biggs. Mas, não. Um cidadão consegue dar golpes internacionais, criar uma ilha e habitar tranquilamente nosso litoral nordestino. Explicação? Rydl é técnico em química e um alquimista das finanças, pelo jeito. Isso não ensinam na escola. A química é uma ciência que transforma – matéria, pessoas e contabilidades – e foi coincidência cósmica a reportagem ter saído no mês em que se comemora o Dia Nacional do Químico (18 de junho).

ADILSON ROBERTO GONÇALVES_CAMPINAS/SP

NOTA PUNITIVISTA DA REDAÇÃO:

Malha fina? Allan de Abreu, vem cá!

O QUARTO PODER

Na piauí_225, junho, tive a emoção de ser apresentado a um verdadeiro poeta: o palestino Ghayath Almadhoun, que eleva a poesia a sua mais alta dignidade.

Feito o registro, vi que na seção de cartas o leitor Luis Coutinho, de Valinhos/SP, ao comentar a descontinuidade dos Cieps apesar da competência de Darcy Ribeiro e outros mais (A escola integral, piauí_224, maio), conclui que Brizola não conseguiu fazer seu sucessor por simplesmente brigar com a imprensa, a qual Coutinho considera o quarto poder. Até aí tudo bem, pois é uma avaliação discutível, mas não inteiramente despropositada. É na afirmação a seguir, dizendo que aconteceu o mesmo também com Jair Bolsonaro, que a coisa pega. O ex-presidente não brigou com a imprensa, e sim com a decência. Desde os tempos de militar, quando foi excluído por planejar um atentado pa­ra auferir aumentos salariais, e como presidente questionou as vacinas, promoveu fake news, zombou dos mortos, ingressou no contrabando e comércio de joias – enfim, perpassou por vários artigos do Código Penal e não se manteve dentro das quatro linhas da Constituição, coisa que ele adorava citar, tentando, para coroar sua atuação, promover um golpe de Estado.

SEBASTIÃO MAURÍCIO DUARTE PESSOA_RIO DE JANEIRO/RJ

NOTA DESCONFIADA DA REDAÇÃO:

É você, Alexandre de Moraes?

ERRATAS

Diferente do que está dito na reportagem Central Park do Brasil (piauí_226, julho), a instrumentista Priscila Santana foi contratada em 2022 pelo festival Summer Stage como gerente operacional de programação, e não para substituir a produtora cultural Paula Abreu, que estava deixando o cargo de diretora de programação do evento.

A reportagem Em alto-mar, publicada na piauí_225, junho, informou erroneamente que a sauna da família Rydl havia falido. Na verdade, a sauna foi fechada, depois de ser interditada pelo governo austríaco. Além disso, a reportagem informou que Rydl respondia a sete inquéritos policiais. Atualmente, ele responde a dois inquéritos.


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