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piauí_239 06 Ago 2026
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CAPA
Muito boa a capa da piauí_237, junho!
Recomendo para a próxima edição o mesmo tema, mas substituindo esta carismática figura que é Flávio Bolsonaro pelo Jaques Wagner.
Bonne chance!
AUGUSTO CAMPELO_São Paulo/SP
O MENINO CHICO
Sou assinante da piauí, há muitos anos, e a reputo como uma ilha de excelência e inteligência. Várias matérias me impactaram, me causaram raiva e desconforto, me mostraram como esse nosso país é desigual, injusto e calhorda, sob vários aspectos. No entanto, não me recordo de alguma vez ter me emocionado e me causado tanta conexão quanto o texto Um dia eu morri à tarde, na piauí_238, julho, de Vinícius Cacofonias. Por motivos clínicos eu não posso ser pai e não posso mensurar a dor da perda de um filho e, certamente, nunca a alcançarei. Já tive lutos pesados e doídos, mas nada que se assemelhe à perda de um filho.
O relato do Vinícius é comovente e, ao mesmo tempo, brutal e chocante. Ele mostra como o nosso mundo é habitado por pessoas vis, torpes e desprovidas de sentimentos, humanos que não possuem um mínimo de solidariedade e compaixão diante da dor de um pai.
Nada que eu escrever irá aplacar essa dor. Só queria dizer que gostaria de me tornar amigo do Vinícius, pois ele indicou que reúne caráter e sentimentos que estão escassos no mercado. E, por fim, queria dizer ao Vinícius que o Chico teve uma coisa muita boa: um ótimo pai, que o amou e o educou dentro de bons caminhos. Sem querer parecer piegas, e talvez já o sendo, posso afirmar ao Vinícius que o Chico, em sua curta existência, foi feliz e amou muito seu pai. Isto não aplacará sua dor, meu caro, mas o amparará em sua trajetória.
ANTONIO CARLOS DA FONSECA NETO_SALVADOR/BA
FASCISMO
Envio esta carta para respeitosamente protestar contra o artigo da professora Lilia Moritz Schwarcz na piauí_238, julho, A lógica do of course.
Em sua exposição, a professora achou de bom-tom citar em chave positiva a pensadora Madeleine Albright, como alguém a contribuir para a compreensão e o combate ao fascismo moderno. Madeleine Albright, a arquiteta das sanções contra o Iraque que deixaram mais de 45 mil crianças mortas em menos de um ano; Madeleine Albright, a diplomata às avessas que sabotava negociações de paz para avançar o programa de bombardeio (criminoso, de acordo com o direito internacional, a Carta das Nações Unidas e a Carta da Otan) da Iugoslávia; e o oximoro ideológico da guerra humanitária.
A “Doutrina Donroe” só é novidade porque tem um novo nome, uma nova estética e novos alvos. Antes dela, a igualmente etnossupremacista “Doutrina Clinton”, à qual subscrevia a eminente secretária de Estado, já mostrava o mesmo gosto pelos holofotes e espetacularização da política, e sede pelo sangue de povos ultramarinos. Lendo o artigo, parece que a professora acredita que a autocracia (seja lá o que isso signifique) atual veio do céu, trazida pelas águias da pintura de IA de que ela zomba. Tudo se passa como se a massa amorfa de um povo ignorante fosse tomada por um delírio coletivo, uma arrebatadora danse macabre da Idade das Trevas.
A professora escreveu que dormiu pensando sobre os “afetos sociais e políticos, cada vez mais atingidos pela lógica da dessensibilização e anestesia social” diante dos novos autoritarismos. Teria sido melhor ficar acordada pensando sobre as ações concretas políticas e econômicas que terraplanaram o solo para permitir o brotamento dessa flor maldita.
PEDRO SCHREIBER_SÃO PAULO/SP
INACREDITÁVEL
Escrevo este e-mail a quente, logo após a leitura do texto Submissão, da Ana Clara Costa (piauí_238, julho). Por falta de atenção ou empolgação ao ler o nome da repórter que assinava a matéria, me preparei: oba, vou passar um café pra ler mais um texto colossal dela e aproveitar a minha manhã em sua companhia. Mas logo toda preparação foi frustrada quando, após ler as oito colunas de texto da revista impressa, me apareceu a estrelinha indicando o fim. Como assim, um texto da Ana com apenas duas páginas? Ou melhor: duas meias páginas. Enfim, sua visita foi breve desta vez, e espero que nas próximas possamos ficar mais tempo juntos. Por sorte minha, Consuelo chegou logo depois com as fofocas do Master.
JOÃO HIAGO PEIXOTO_NATAL/RN
NOTA PREOCUPADA DA REDAÇÃO: Rapaz, e quando a Ana Clara assina esquina, que nem oito colunas tem? Como você fica?
O ROSA + O MASTER
Maravilhosa a resenha do Grande sertão: veredas – um dos maiores romances da literatura universal –, que completa 70 anos de sua primeira edição, de 1956, tornando-se um clássico que atravessará gerações em virtude da genialidade de seu criador, Guimarães Rosa. Eduardo Giannetti faz uma análise profunda dessa obra-prima, sob o poético título O pulso agreste do mistério (piauí_237, junho).
É um livro cativante, pois permite várias leituras e interpretações, como demonstra a quantidade enorme de monografias a seu respeito, muitas delas publicadas e que provam a riqueza do relato do ex-jagunço Riobaldo para seu interlocutor, que se estende por mais de quinhentas páginas. Ele conta a sua saga não em ordem cronológica, porém inspirado na memória involuntária, proustianamente, construindo um mosaico completo de sua vida.
É um romance circular, que não se esgota na primeira leitura, de acordo com Giannetti. As releituras são imensamente prazerosas, pois permitem sempre novas descobertas. É o sertão visto de dentro para fora, uma visão do país daquela época.
Aproveitando o ensejo, gostaria de registrar que no mês seguinte Consuelo Dieguez mostrou, uma vez mais, talento e maestria como repórter investigativa ao reconstruir as falcatruas do Master desde sua gênese em A armadilha (piauí_238, julho). Um trabalho excepcional, reconstituindo, passo a passo, toda a complexa trama que envolveu os poderes da República, políticos e empresários, iluminando fatos ocorridos na Bahia, que originaram um dos maiores escândalos da nação. Uma costura perfeita dos fatos e a motivação dos personagens na cena do crime. Tal radiografia perfeita desse imbróglio traça um roteiro seguro para a ação da Justiça se realmente estiver empenhada em cumprir seu papel, uma vez que surgem dúvidas na sociedade com relação a isso, em vista do enorme poder dos envolvidos.
DIRCEU LUIZ NATAL_RIO DE JANEIRO/RJ
NOTA CRONOLÓGICA DA REDAÇÃO: Pois Consuelo Dieguez está apenas começando. Sua busca pela gênese do caso Master há de seguir até a Proclamação da República. E, antes disso, ao grito da Independência. E, antes, à invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão Bonaparte. E, antes, à colonização da Europa pelos romanos. Ao surgimento do Homo sapiens na África. Aos primeiros primatas. Os primeiros mamíferos. Os vertebrados. As bactérias. O Big Bang.
Por questões de clareza e espaço, a piauí se reserva o direito de editar as cartas selecionadas para publicação. Solicitamos que as cartas informem o nome e o endereço completo do remetente.
Cartas para a redação:
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